Sete anos fora do segmento B na Europa deixam marcas, sobretudo numa marca como a FIAT, habituada a viver dos utilitários. E é por isso que o regresso não podia ser discreto: o Grande Panda volta a pôr a FIAT “no mapa” dos carros mais acessíveis e familiares, com um conceito simples e muito virado para a vida real.
Este Grande Panda é também um sinal de nova fase: é o primeiro FIAT baseado na plataforma Smart Car da Stellantis, a mesma dos Citroën C3 e Opel Frontera. Tal como nesses modelos, há duas motorizações: elétrica com 113 cv e híbrida a gasolina com 110 cv.
Depois de já termos testado o Grande Panda elétrico - veja ou reveja o nosso teste em vídeo -, que nos deixou uma impressão muito positiva, fica a dúvida natural: vale a pena olhar para o Hybrid? A resposta passa sobretudo por dois pontos: custa menos e a ausência da bateria no piso traz vantagens claras na utilização. Já a seguir explicamos porquê.
A maior bagageira da classe
Lá dentro, o espaço surpreende pela positiva: é um carro que acomoda bem quatro adultos e uma criança. A altura interior é convincente (quatro dedos entre a cabeça e o teto para ocupantes com 1,80 m) e o espaço para pernas é competente.
Em comparação com o FIAT Grande Panda elétrico, o híbrido ganha mais altura ao solo (mais 2,2 cm) e permite uma posição de pernas mais natural (piso mais baixo), precisamente por não ter a bateria no piso. A visibilidade é ampla e o facto de os bancos traseiros estarem mais altos do que os dianteiros dá uma agradável sensação “de anfiteatro”.
A bagageira é a maior do segmento com 412 litros (mais 50 litros do que no elétrico), podendo crescer até aos 1366 litros com os bancos traseiros rebatidos. A forma mais quadrada da carroçaria ajuda a tirar partido do espaço, embora existam degraus entre os planos de carga e de entrada.
Simplicidade digital
No habitáculo, nota-se a preocupação em fazer deste um espaço o mais bem-disposto possível. Há pormenores coloridos nas saídas de ar e nas costuras dos bancos.
O painel digital de 10″ e o ecrã central de 10,25″ estão integrados numa moldura que imita a forma oval da histórica pista de testes de Lingotto, incluindo até um pequeno carro que parece estar a “dar voltas” à pista. O ar condicionado mantém comandos físicos e há carregamento e espelhamento sem fios para smartphones compatíveis.
O seletor da transmissão é comum a outros modelos da Stellantis. Os materiais são sobretudo plásticos rijos, mas a sensação de montagem é robusta.
A tampa do porta-luvas “cai” em vez de descer com amortecimento (algo típico neste segmento), mas existe um segundo compartimento superior, que pode ser forrado com tecido feito a partir de fibras de bambu - uma referência bem-humorada ao alimento do urso panda. Isto só é possível graças ao reposicionamento do airbag.
Dinâmica aprovada
Este híbrido suave combina um motor elétrico de 29 cv (55 Nm), montado dentro da caixa de seis velocidades (dupla embraiagem), com um 1,2 litros de três cilindros turbo (101 cv e 205 Nm). No total, a potência máxima é de 110 cv, mas o binário máximo combinado não foi divulgado. É o mesmo sistema já visto em modelos como o Citroën C3, o Jeep Avenger ou o Opel Frontera.
Em estrada, o FIAT Grande Panda Hybrid revela um comportamento equilibrado. O conforto não chega ao nível do ë-C3, que recorre a batentes hidráulicos, mas o compromisso entre estabilidade e conforto é bem conseguido. O eixo traseiro semirrígido limita a capacidade de “engolir” buracos mais marcados, ainda assim o andamento é mais suave do que no elétrico, que sente o peso extra da bateria.
A direção tem o peso certo para utilização urbana, embora tenha três voltas entre batentes, o que obriga a mais braço em manobras apertadas. Já a travagem destaca-se pela progressividade logo desde o início do curso do pedal.
Nas retomas, a ajuda do motor elétrico disfarça a resposta mais contida do motor a combustão em baixos regimes (funciona em ciclo Miller, com foco na eficiência). Os 10 s dos 0 aos 100 km/h batem o tempo do elétrico e a velocidade máxima de 160 km/h também é superior.
É possível circular em modo elétrico apenas durante curtas distâncias, aproveitando a energia regenerada nas travagens e desacelerações, mas a bateria tem só 0,8 kWh - 50 vezes menos do que a do Grande Panda elétrico.
Não existem modos de condução, mas há um modo “L” na caixa que a torna mais pronta nas reduções. Sem patilhas ou comando manual, esta função pode acrescentar efeito de travão-motor em descidas mais exigentes.
A caixa e-DCT merece elogios pela suavidade na alternância entre os modos térmico e elétrico, sem que se sintam quebras de binário nas passagens. A bateria de 48 V alimenta também os sistemas de conforto e segurança.
Em consumos, num percurso de 156 km com uma condução mais “viva” do que o normal, registámos 7,2 l/100 km - acima dos 5,1 l/100 km oficiais, mas ainda dentro do aceitável neste tipo de primeiro contacto. Teremos de esperar por um teste mais longo em Portugal para perceber consumos noutros cenários.
Hybrid é apenas o início
A versão Hybrid do FIAT Grande Panda é a primeira a chegar ao mercado, com um preço base de 18 600 euros na versão Pop, 20 100 euros no Icon que aqui lhe apresentamos e 22 600 na opção mais equipada, a La Prima.
Mais perto do fim do ano chega o Grande Panda apenas a gasolina e com caixa manual, com um preço de entrada mais atrativo, a rondar os 15 000 euros.
Para além disso, mais tarde, também vamos receber o 4×4 - revelado recentemente como concept car -, que será a opção mais cara com motor de combustão, mas ainda assim com preços abaixo da versão 100% elétrica.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário