IA permite eficiência, redução de custos e decisões rápidas
Num setor onde a velocidade de resposta já faz a diferença entre ganhar ou perder negócio, a Inteligência Artificial deixou de ser apenas uma tendência para passar a ser uma vantagem competitiva real. É isso que se destaca na 36.ª Convenção Anual da ANECRA, a decorrer no Centro de Congressos de Lisboa, que junta players da indústria nas várias vertentes - distribuição, pós-venda, usados, banca, reparação e seguros - com mais de 500 participantes.
Este ano, sob o mote “Setor Automóvel. Rumo a um Futuro Mais Inteligente“, a conversa inevitavelmente passa pela IA e pelo papel que terá na forma como as empresas trabalham e decidem. A intervenção de Fernando Matos, diretor-executivo da Closer e Presidente da Associação Portuguesa de Data Science, centrada em Sociedade 4.0 - uma era marcada por tecnologia avançada, automação, dados e conectividade - é um bom exemplo disso.
De acordo com o responsável, esta mudança está a transformar de forma profunda a relação entre empresas, cidadãos e tecnologia, com impactos diretos em áreas como o automóvel. Um setor que, segundo o próprio, “evoluiu mais nos últimos cinco anos do que nos 50 anteriores”.
Para Fernando Matos, a IA está a tornar-se uma peça determinante neste contexto, gerando ganhos relevantes de eficiência, qualidade e competitividade, e já conseguindo superar o desempenho humano em domínios críticos, como diagnóstico clínico, previsão de avarias ou gestão logística.
Segundo o responsável, as empresas que conseguirem integrar dados de IA nos seus processos “serão as que lideram o futuro”, enquanto as restantes arriscam ficar para trás num mercado cada vez mais orientado para decisões rápidas e informação em tempo real.
Durante a sua intervenção, Fernando aproveitou também para partilhar exemplos práticos que ajudam a perceber, no terreno, o impacto desta tecnologia na gestão das organizações.
E os números falam por si: a IA permite reduzir entre 20% e 30% os níveis de stock através de previsões avançadas de procura, e aumentar entre 20% e 40% a produtividade, com automatização de tarefas administrativas e otimização de rotas logísticas, apoiada por atualizações em tempo real.
O setor automóvel, pela sua complexidade e escala, é apontado como um dos grandes beneficiários desta transformação. Ainda assim, apesar de a digitalização ser muitas vezes associada a grandes grupos e grandes estruturas, Fernando Matos sublinha que as pequenas e médias empresas têm uma oportunidade significativa nesta transição.
Graças à sua agilidade, podem implementar rapidamente chatbots internos, sistemas de pricing dinâmico, manutenção preditiva com sensores IoT (Intelligence of Things ou Inteligência das Coisas, em Português), ou ferramentas de visão computacional para controlo de qualidade.
O especialista acrescentou ainda que é possível chegar a resultados concretos em apenas 6 a 12 semanas, recorrendo a modelos pré-treinados e a dados já existentes dentro da organização.
Para Fernando Matos, será a capacidade de tomar decisões inteligentes em tempo real que vai diferenciar as organizações mais competitivas, com a possibilidade da Inteligência Artificial Geral (AGI) no horizonte - uma IA com a capacidade de compreender, aprender e aplicar conhecimento a qualquer tarefa intelectual que um ser-humano pode.
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