A NASA prepara-se para enviar, na sexta-feira, quatro astronautas rumo à Estação Espacial Internacional (ISS), substituindo uma equipa que foi retirada antes do previsto devido a um problema médico.
A agência espacial norte-americana aponta o dia 13 de fevereiro como data de lançamento da missão Crew-12, num foguetão Falcon 9, com uma janela de descolagem a abrir às 05:15 (hora local; 10:15 GMT).
O lançamento, marcado para antes do amanhecer, foi adiado em dois dias por causa de previsões meteorológicas desfavoráveis na costa leste dos EUA, incluindo ventos fortes que poderiam ter dificultado eventuais manobras de emergência.
Se tudo decorrer como planeado na manhã de sexta-feira, os astronautas deverão chegar à ISS por volta das 15:15 de sábado.
A Crew-12 é composta pelos norte-americanos Jessica Meir e Jack Hathaway, pela astronauta francesa Sophie Adenot e pelo cosmonauta russo Andrey Fedyaev.
Enquanto aguardam a descolagem, têm permanecido em quarentena no Kennedy Space Center, na Florida.
A nova equipa vai render a Crew-11, que regressou à Terra em janeiro, um mês mais cedo do que o previsto, naquela que foi a primeira evacuação médica na história da estação espacial.
A ISS - um laboratório científico em órbita a cerca de 400 quilómetros acima da Terra - tem, desde então, funcionado com uma equipa reduzida de três pessoas.
A NASA recusou revelar quaisquer pormenores sobre o problema de saúde que levou ao encurtamento da missão.
Quando finalmente chegarem, os astronautas integrarão uma das últimas equipas a viver a bordo da estação espacial, com dimensões comparáveis às de um campo de futebol.
Habitada de forma contínua há um quarto de século, a envelhecida ISS está prevista ser desorbitada antes de cair numa zona isolada do oceano Pacífico, em 2030.
Microgravidade e o corpo humano na missão Crew-12 da NASA
A ISS, que em tempos foi vista como símbolo do aproximar de relações no pós-Guerra Fria, tem sido uma rara área de cooperação contínua entre o Ocidente e a Rússia desde que Moscovo invadiu a Ucrânia, em 2022.
Ainda assim, a estação espacial não ficou totalmente imune às tensões que se vivem na Terra.
Em novembro, o cosmonauta russo Oleg Artemyev - que estava há muito previsto integrar a Crew-12 - foi retirado da missão de forma repentina.
De acordo com relatos de meios de comunicação independentes na Rússia, Artemyev teria estado a fotografar e a enviar informação classificada através do telemóvel. A agência espacial russa Roscosmos limitou-se a dizer que ele tinha sido transferido para outras funções.
O seu substituto, Fedyaev, já passou algum tempo na ISS, como parte da Crew-6, em 2023.
Durante os oito meses no posto avançado, os quatro astronautas irão realizar numerosas experiências, incluindo investigação sobre os efeitos da microgravidade no organismo.
Meir, que anteriormente trabalhou como bióloga marinha a estudar animais em ambientes extremos, assumirá o cargo de comandante da equipa.
Adenot tornar-se-á a segunda mulher francesa a viajar para o espaço, seguindo as pisadas de Claudie Haignere, que esteve na estação espacial Mir.
Quando Adenot viu o lançamento da missão de Haignere, tinha 14 anos.
"Foi uma revelação", disse a piloto de helicópteros numa sessão informativa recente.
"Naquele momento, disse a mim própria: um dia, serei eu."
Entre outros trabalhos científicos, a astronauta da European Space Agency irá testar um sistema que recorre a inteligência artificial e realidade aumentada para permitir que os astronautas realizem os seus próprios exames de ecografia médica.
©Agence France-Presse
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