Porque plantar agora muda por completo o teu verão
Se tens uma horinha livre entre fevereiro e maio, podes fazer um “investimento” simples que se paga a dobrar quando chega o calor. Em vez de contares apenas com as floreiras de época, vale a pena meter na terra bolbos, tubérculos e rizomas de plantas de verão que voltam todos os anos - e que, em pleno agosto, transformam o jardim num festival de cor e perfume.
Muita gente associa bolbos a tulipas e narcisos, plantados no outono. Mas para um verão verdadeiramente exuberante, os protagonistas são outros: amarílis, dálias, cannas, lírios e companhia entram no solo na primavera e, em poucas semanas, disparam em crescimento e floração.
Esta plantação de primavera dá-te ainda no mesmo ano um fogo-de-artifício de flores - e, dependendo da espécie, durante várias épocas seguidas.
A grande vantagem destas plantas de bolbo e tubérculo é que, no comércio, normalmente já passaram por armazenamento a frio. Ou seja: a fase de “frio” já está tratada, e tu só precisas de escolher o momento certo, quando já não há risco de geada. Quem planta entre fevereiro e o fim de maio costuma acertar em cheio para a época alta do verão.
O ponto crucial é apenas um: evitar encharcamentos. O solo deve ser solto, bem drenado e nunca ficar constantemente húmido - caso contrário, os bolbos apodrecem num instante. Em vasos, ajuda muito criar uma camada de drenagem com argila expandida ou gravilha.
Como plantar bolbos de primavera da forma certa
Se lhes chamas bolbos, tubérculos, rizomas ou cormos, a verdade é que o processo é quase sempre o mesmo:
- Cavar um buraco com cerca de duas a três vezes a altura do bolbo
- Colocar o bolbo com a ponta virada para cima
- Cobrir com terra fina e pressionar ligeiramente
- Regar para que a terra e o bolbo fiquem bem em contacto
Em vaso, entra primeiro a drenagem e depois uma boa camada de substrato de qualidade. Os tubérculos podem ser plantados mais juntos - em floreiras e vasos, isso dá um aspeto bem mais cheio e vistoso.
Os 10 melhores bolbos de verão para plantar até ao fim de maio
Com estes dez “campeões”, montas a base para um verão bem mais impressionante do que as típicas floreiras de gerânios.
1. Amaryllis (Hippeastrum) – estrela exótica para locais quentes
A amarílis, conhecida de interior, também pode viver no exterior. Gosta de sol, calor e solo drenante. As flores grandes, em forma de trompete, ficam especialmente elegantes na varanda, no terraço ou num canteiro abrigado.
Em vaso, é mais fácil protegê-la: no outono, leva-se para dentro bem seca, guarda-se num local fresco mas sem geadas e, na primavera, volta a ir para a rua.
2. Anémonas – nuvens de flores leves
As anémonas criam uma espécie de tapete florido em canteiros ou vasos. As flores delicadas, muitas vezes simples, parecem flutuar por cima da folhagem fina - ótimas para a frente do canteiro e para preencher espaços vazios.
Antes de plantar, vale a pena hidratar os pequenos tubérculos durante algumas horas em água morna; assim, rebentam com mais fiabilidade. Um local de meia-sombra é mais do que suficiente.
3. Begónias tuberosas – muita cor na sombra
Para zonas mais escuras, varandas viradas a norte ou debaixo de árvores, as begónias de tubérculo são difíceis de bater. Precisam de pouca luz direta e, ainda assim, florescem durante meses.
Na primavera, planta os tubérculos pouco fundos, com a parte côncava virada para cima. No outono, desenterra, guarda em seco e no ano seguinte recomeça o ciclo.
4. Caladium – planta de folha com efeito “uau”
Os caládios brilham menos pelas flores e mais pelas folhas: em forma de coração, salpicadas, rosa, brancas, verdes - parecem pintadas à mão. Funcionam muito bem em terraços de meia-sombra ou varandas mais sombrias.
Os tubérculos pedem calor. Planta apenas quando as noites já estiverem consistentemente amenas. No inverno, ficam em casa, secos e ao abrigo do frio.
5. Canna – toque tropical no canteiro
As cannas lembram bananeiras: folhas grandes e marcantes, e por cima hastes florais coloridas e altas. Adoram sol pleno, água em abundância e alimento.
No jardim, muita gente coloca os rizomas diretamente no canteiro. Em zonas mais frias, compensa desenterrar no outono e guardar num local sem geadas.
6. Crocosmia – apontamentos ardentes de cor
As crocosmias trazem movimento ao canteiro com espigas florais finas e arqueadas, em tons de laranja ou vermelho. Combinam muito bem com gramíneas ou à frente de sebes escuras.
Em locais amenos, os tubérculos podem ficar no solo; uma camada de mulch ajuda a proteger de geadas mais fortes.
7. Dálias – clássico para canteiros cheios
Para muitos jardineiros, as dálias são obrigatórias. Há desde variedades simples e amigas das abelhas até aos enormes “pompons”. Florirem o verão inteiro é perfeitamente possível - desde que vás retirando as flores murchas com regularidade.
Os tubérculos só devem ir para a terra quando já não houver risco de geadas noturnas. No fim do outono, desenterra, guarda em seco e volta a plantar no ano seguinte - assim evitas comprar todos os anos.
8. Gladíolos – perfeitos para cortar
Os gladíolos dão hastes altas e elegantes, ideais para ramos. No canteiro, criam linhas nítidas e um efeito mais “gráfico”.
Se plantares novos tubérculos de duas em duas semanas, alongas bastante a floração: as espigas abrem em sequência até bem no fim do verão.
9. Lírios (Lilium) – perfume e elegância
Os lírios são fiéis no jardim. Bem plantados, os bolbos ficam no solo durante muitos anos. Muitas variedades têm um perfume intenso, excelente perto do terraço ou de uma zona de estar.
Preferem locais de sol a meia-sombra. Gostam de “pés” mais frescos e a parte de cima ao sol - por isso resulta muito bem plantá-los entre plantas baixas.
10. Tuberose – aroma noturno para o terraço
As tuberosas ainda são um pequeno segredo por cá. As hastes florais parecem discretas, mas o perfume ao fim da tarde/noite é impressionante.
Os tubérculos precisam de um local quente e protegido - por exemplo, um vaso ao lado do sítio onde costumas sentar-te. No outono, desenterra e guarda num espaço sem geadas.
Que bolbo fica melhor em cada sítio?
Escolher bem o local faz toda a diferença no resultado. De forma simples, podes planear assim:
| Local | Plantas adequadas | Vantagem especial |
|---|---|---|
| Sol pleno no canteiro | Canna, Dálias, Crocosmia, Gladíolos, Lírios, Tuberosas | Fundo alto e colorido, bom para insetos |
| Varanda / terraço com sol | Dálias, Gladíolos, Amaryllis, Canna | Vasos exuberantes, muitas flores para corte |
| Meia-sombra / sombra | Begónias tuberosas, Caladium, Anémonas | Levam luz a cantos mais escuros |
Como fazer hibernar os teus bolbos de verão em segurança
Muitas das espécies acima vêm de climas mais quentes e não aguentam bem o nosso inverno. Se queres mantê-las, no outono segue um plano simples:
- Cortar as partes aéreas depois da primeira geada
- Desenterrar os tubérculos com cuidado e sacudir a terra mais grossa
- Deixar secar alguns dias num local arejado
- Guardar em caixas com um pouco de papel de jornal ou terra seca
- Manter ao abrigo de geadas, no escuro e num local fresco
Os lírios e, dependendo da zona, também as crocosmias podem ficar no solo se o terreno não for demasiado húmido. Uma camada de mulch com folhas secas ou composto de casca ajuda a proteger ainda mais.
Dicas práticas para quem rega pouco e para quem tem varanda
Se tens pouco tempo, aposta em vasos grandes: quanto mais volume de terra, menos vezes vais precisar de regar. Misturar várias espécies no mesmo vaso dá altura e floração em fases - por exemplo, anémonas em baixo, dálias ao centro e gladíolos atrás.
Um fertilizante líquido de duas em duas semanas na água de rega, ou um adubo de libertação lenta no momento da plantação, costuma chegar perfeitamente. Sem nutrientes, a planta cresce menos e dá muito menos flor.
O que muita gente subestima nos bolbos
Os bolbos de verão ganham fama de “complicados” porque, no outono, convém desenterrá-los. Na prática, esse pequeno trabalho compensa: muitos tubérculos aumentam de tamanho com os anos, podem ser divididos e acabam por dar novas plantas quase sem custo.
Se tens crianças, plantar em conjunto pode virar um ritual de início de estação. A transformação do canteiro vazio numa parede de flores sabe muito melhor quando foste tu a pôr as mãos na terra - e é aí que está a graça escondida desta tarefa de primavera.
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