Sonda Juno da NASA continua a fornecer dados valiosos, mas as restrições orçamentais colocam o seu futuro em causa
A missão Juno da NASA, que estuda Júpiter desde 2016, ficou exposta ao risco de cortes no financiamento, apesar dos resultados científicos já alcançados. Perante a redução do orçamento destinado à investigação planetária, a agência está a ponderar terminar o apoio a este projeto e a vários outros ainda em operação.
De acordo com a NASA, o orçamento para ciência planetária em 2026 foi de $2,54 mil milhões - menos $220 milhões do que no ano anterior. Esta diminuição obriga a agência a redistribuir recursos entre novas missões e as naves já em funcionamento. Como referiu a diretora da divisão planetária, Louise Procter, «a NASA tem de tomar decisões difíceis para manter o equilíbrio entre desenvolvimento e exploração».
A Juno está entre as missões que podem ser afetadas pelos cortes, juntamente com o rover Curiosity e o orbitador Mars Reconnaissance Orbiter. A manutenção da Juno é estimada em cerca de 10% do orçamento de ciência planetária, o que a torna uma das missões em atividade mais dispendiosas.
Apesar disso, a nave continua a produzir resultados científicos importantes. Em particular, em março foram divulgados novos dados que indicam que os relâmpagos em Júpiter podem ser dezenas e até centenas de vezes mais intensos do que os da Terra. Estas observações tornaram-se possíveis graças ao radiômetro de micro-ondas, que regista processos nas camadas profundas da atmosfera. Ainda assim, descobertas deste tipo deixaram de ser o principal argumento - neste momento, a questão central está precisamente no financiamento.
A Juno mantém-se como a única nave operacional a trabalhar no sistema de Júpiter e para lá da órbita de Marte. Os seus dados desempenham um papel importante no estudo dos gigantes gasosos e da evolução dos sistemas planetários. A decisão final sobre o destino da missão deverá ser conhecida depois de a NASA apresentar ao Congresso o seu plano operacional anual.
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