Muitos proprietários pensam logo em obras caras de drenagem, com escavadora, brita e tubos. Em muitos casos, porém, há uma solução diferente e muito mais barata: plantar, de forma estratégica, coberturas do solo resistentes que gostam de humidade e vão estabilizando, passo a passo, o terreno amolecido.
Porque é que o jardim se transforma numa lamaçaria
Quando um jardim se mantém enlameado durante muito tempo, isso quase sempre resulta de uma combinação entre solo pesado e fraco escoamento da água. Os solos argilosos ou ricos em barro são os mais afetados. Compactam-se com facilidade, a água entra com dificuldade, escorre à superfície e acumula-se nas zonas mais baixas em forma de poças. A camada superior acaba transformada numa papa escorregadia.
A situação piora ainda mais nas áreas despidas de vegetação. Aí não há raízes a segurar a terra, a chuva bate diretamente no solo, arrasta partículas finas e deixa tudo ainda mais resvaladiço. Em alguns jardins, junta-se também um nível freático elevado ou água da chuva mal encaminhada pelas caleiras.
“Um solo nu comporta-se como uma pista escorregadia para a água da chuva - com raízes de plantas, transforma-se numa esponja.”
As coberturas do solo que toleram bem a humidade atuam precisamente aqui. As suas raízes soltam a terra compacta, criam pequenos vazios e voltam a dar à água a possibilidade de se infiltrar em profundidade. A folhagem densa funciona como um guarda-chuva para o chão: as gotas são travadas, desviadas e distribuídas de forma mais uniforme.
Como as coberturas do solo mudam um jardim encharcado
As plantas tapizantes acabam, com o tempo, por formar um tapete contínuo. Esse tapete reforça a superfície, protege-a contra a erosão e reduz de forma clara as zonas abertas de lama. As plantas consomem parte da humidade do solo, sem secar o terreno por completo. Sobretudo as vivazes com rizomas e estolhos vão acumulando mais massa radicular ano após ano - um verdadeiro cinturão de reforço natural para o solo.
O efeito não aparece de um dia para o outro, mas ao fim de um ou dois anos um pedaço de jardim antes pantanoso pode parecer uma margem fresca de bosque, uma faixa de prado húmido ou uma zona ribeirinha suavemente coberta de verde. Para isso, o essencial é escolher as espécies certas de acordo com a luz disponível e o grau de humidade.
As 11 melhores coberturas do solo para zonas húmidas e lamacentas
Para solos pesados e permanentemente húmidos, estas onze espécies e variedades são as mais indicadas. Estão adaptadas à água e não apodrecem logo que a humidade se acumula.
- Feto-avestruz / feto-verde (Onoclea struthiopteris)
- Cárice-palmeira (Carex muskingumensis)
- Erva-dos-tostões (Lysimachia nummularia)
- Calta-palustre (Caltha palustris)
- Cálamo (Acorus americanus)
- Asarum canadense, também chamado gengibre-bravo (Asarum canadense)
- Flox-do-bosque (Phlox divaricata)
- Tiarela (Tiarella cordifolia)
- Vinca-menor (Vinca minor)
- Isotoma fluviatilis (frequentemente vendida como «estrelinha-azul rasteira»)
- Búgula-rasteira (Ajuga reptans)
Para recantos sombrios e frescos
Debaixo de árvores, no lado norte da casa ou em outras zonas de sombra, muitas misturas de relva falham. Aqui, estas espécies destacam-se em especial:
- Feto-avestruz: forma, com as suas frondes altas e recortadas, autênticos maciços de feto com até 60–90 centímetros. É ideal para transformar visualmente depressões húmidas e sombrias em áreas com aspeto florestal.
- Asarum canadense: mantém-se baixo, espalha-se em superfície e cria uma cobertura densa logo acima do solo. Prefere locais sombrios, húmidos e ricos em húmus.
- Flox-do-bosque: meia-sombra luminosa, solo fresco e muitas flores de primavera - onde antes havia apenas lama, em abril surge um tapete florido e perfumado.
- Tiarela: folhas em forma de coração, espigas de flores brancas e crescimento compacto. Ajuda a manter o solo unido e é excelente para jardins em declive com problemas de humidade.
- Búgula-rasteira: resistente, suporta algum pisoteio e cresce depressa. Perfeita para estabilizar um caminho sombrio e húmido ou a zona ao longo de um muro.
Para áreas soalheiras e sempre húmidas
Onde o sol incide diretamente sobre um solo argiloso encharcado, a relva tradicional costuma falhar. Estas vivazes e gramíneas lidam muito melhor com a situação:
- Cárice-palmeira: gramínea com porte semelhante ao de uma palmeira. Funciona em solos pesados e encharcados, nos pontos em que a relva fica constantemente amarela.
- Cálamo: tolera até alguns centímetros de água acima do solo. Ideal para margens de lagos, valas ou a base de taludes.
- Calta-palustre: aprecia humidade verdadeira, até água rasa, ajuda a fixar margens e oferece, na primavera, fortes manchas de cor com as suas flores amarelo-vivas.
Coberturas do solo para tornar caminhos e transições mais secos
É sobretudo nas zonas de transição - por exemplo, entre o terraço e a relva - que se forma com facilidade uma faixa lamacenta. Aqui ajudam as coberturas do solo de porte baixo, que também aguentam algum pisoteio:
- Erva-dos-tostões: muito baixa, avança com rebentos longos e fecha as falhas em redor de pedras de passagem ou lajetas. Lida bem com solos encharcados e suporta passagens ocasionais.
- Isotoma fluviatilis: é muitas vezes apresentada como uma alternativa à relva. Forma um tapete denso e florido, mas cresce com vigor e não deve invadir canteiros sem controlo.
- Vinca-menor: cobre rapidamente taludes húmidos e mantém superfícies verdes durante todo o ano. Em algumas regiões é considerada invasora, por isso convém mantê-la sob controlo.
Como plantar corretamente coberturas do solo em solos húmidos
Mesmo gostando de água, estas espécies beneficiam de alguma preparação. Em solo muito pesado, basta muitas vezes soltar ligeiramente os 15–20 centímetros superficiais e incorporar composto bem decomposto. O importante é não mexer na terra quando estiver totalmente encharcada, porque isso só a compacta ainda mais.
- Solte apenas a superfície de forma ligeira; nada de golpes profundos de pá num terreno lamacento.
- Incorpore composto para melhorar a estrutura e o aporte de nutrientes.
- Coloque um punhado de areia grossa ou gravilha fina por baixo de cada planta, para evitar que a água fique parada junto às raízes.
- Plante com uma distância relativamente curta entre exemplares, para que o solo fique coberto depressa e não volte a transformar-se em lama.
- Faça uma cobertura ligeira de mulch até o tapete fechar por completo.
“Plantadas corretamente, as plantas formam, em um a três anos, um tapete vivo - e substituem assim muitos tubos de drenagem caros.”
As zonas muito húmidas, como a base de uma caleira ou o bordo de uma vala, adaptam-se especialmente bem a combinações de cálamo, calta-palustre e erva-dos-tostões. Em taludes húmidos, a tiarela, a búgula e a vinca-menor dão bons resultados, porque as suas raízes ajudam a segurar a terra.
Riscos, plantas tóxicas e o que deve ter em conta
Nem todas as espécies adequadas são inofensivas. Algumas das plantas referidas contêm substâncias tóxicas ou têm um comportamento bastante dominante no jardim:
- Calta-palustre: tóxica em estado cru. As crianças não a devem levar à boca, e os animais não devem mordiscá-la.
- Asarum canadense: contém substâncias cancerígenas. É uma planta ornamental, não um substituto do gengibre de cozinha - não deve ser consumida.
- Vinca-menor: pode espalhar-se muito e deslocar espécies autóctones. Em canteiros, deve ser limitada com barreiras às raízes ou podada com regularidade.
- Isotoma fluviatilis: é considerada tóxica; muitas partes da planta contêm substâncias irritantes. Ao cortar, use luvas.
Quem tem animais de estimação sensíveis ou crianças a brincar frequentemente no jardim deve ponderar bem a colocação destas espécies. As plantas tóxicas ficam melhor em zonas periféricas ou em áreas que não sejam usadas constantemente como espaço de brincadeira.
Onde as coberturas do solo podem substituir a drenagem - e onde não podem
A ajuda das plantas tem limites claros. Se a água da chuva cai diretamente do telhado sobre uma pequena área ou se o nível freático sobe até muito perto da superfície, o problema não se resolve apenas com vegetação. Também em casos de deslizamento de taludes ou de grande afluxo vindo do terreno vizinho, são muitas vezes necessárias obras de construção.
Em muitos jardins com carga normal, contudo, basta combinar uma melhoria ligeira da estrutura do solo, uma condução mais consciente da água da chuva e uma mistura de coberturas do solo que apreciem humidade. Isto é especialmente útil:
- na base de terraços e caminhos
- ao longo das saídas das caleiras
- em depressões onde a água não fica permanentemente parada, mas o solo permanece húmido durante muito tempo
- debaixo de árvores, onde a relva desiste mas a lama continua
Quem experimentar várias espécies depressa percebe o que funciona melhor no seu microclima: feto e asarum na sombra fresca, erva-dos-tostões e cárice em zonas húmidas de meia-sombra, cálamo e calta-palustre nos locais onde se formam pequenos regatos depois de cada aguaceiro.
Com cada novo emaranhado de raízes, o solo vai ficando mais estável. As poças encolhem, os caminhos mantêm-se transitáveis e, mesmo depois de uma trovoada de verão, o jardim deixa de parecer um estaleiro - passa a ter o aspeto de um espaço verde natural bem planeado, onde a humidade não incomoda, mas é utilizada de forma intencional.
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