Muitos jardineiros amadores, assim que chega a primavera, correm logo para comprar sementes - e acabam por perder semanas preciosas.
Há várias hortícolas que se desenvolvem muito melhor quando vão directamente para a terra, em vez de serem semeadas.
Enquanto os canteiros ainda guardam a humidade do inverno, a vontade de semear começa a apertar a muita gente. No entanto, apostar apenas em sementes atrasa o calendário da colheita. Algumas culturas arrancam de forma muito mais rápida e segura quando entram no solo em forma de tubérculos, plantas jovens ou as chamadas “garras”. A diferença pode facilmente rondar duas a quatro semanas - e, muitas vezes, também a quantidade colhida.
Porque é que plantar em vez de semear poupa tanto tempo
A fase mais delicada na vida de uma planta é a germinação. A semente fica em terra fria e, muitas vezes, ainda húmida. Precisa de calor, de humidade adequada e de escapar ao apodrecimento ou ao ataque de fungos. É precisamente esse período arriscado que, em algumas culturas, pode ser simplesmente evitado.
“Quem coloca na terra plantas já iniciadas, tubérculos ou bolbos evita a fase sensível da germinação e ganha, em média, até um mês de vantagem.”
Quer as plantas jovens sejam produzidas em casa quer sejam compradas num centro de jardinagem, isso não faz grande diferença. O essencial é que já tenham raízes, estejam “acordadas” e comecem a crescer assim que o solo aqueça um pouco. Dessa forma, aproveitam cada raio de sol com muito mais eficácia do que plântulas recém-germinadas.
O momento certo para começar: atenção à humidade do solo
Por mais entusiasmo que haja, não se deve plantar em terra empapada. Se o solo estiver como uma esponja encharcada, os tubérculos e as raízes podem apodrecer antes de se fixarem.
- Cave um pequeno pedaço de terra com a pá.
- Se a terra ficar agarrada em massa à ferramenta, ainda é cedo.
- Se se desfizer em torrões soltos, já pode avançar.
Este teste simples indica melhor do que qualquer data de calendário se o canteiro está pronto. Quem tiver paciência nesta fase reduz bastante o risco de doenças e de danos nas raízes.
Estes tubérculos e bolbos devem ser plantados directamente
Batatas: a arrancar mais cedo na horta
Cultivar batatas a partir de semente é pouco prático para o jardineiro comum e demora imenso tempo. Já os tubérculos pré-germinados são um verdadeiro impulso para o canteiro. Coloque as batatas já com pequenos rebentos em linhas, a cerca de 8–10 cm de profundidade.
- Distância entre linhas: cerca de 60–70 cm
- Espaçamento na linha: 30–40 cm
- Colocar o tubérculo com os rebentos visíveis virados para cima
Assim, os tubérculos ficam mais arejados, secam mais depressa e rebentam assim que a temperatura sobe. Isto reduz os problemas com fungos e permite colher batatas novas mais cedo, ainda antes de o verão começar a sério.
Alho, cebolas e chalotas: pequenos bolbos, grande resultado
As plantas da família da cebola são sensíveis ao excesso de água e ao frio durante a germinação. Plantar no solo pequenas cebolas de sementeira, dentes de alho e chalotas é muito mais seguro do que tentar obtê-los a partir de semente.
“Plante as cebolas e o alho com a ponta voltada para cima e cubra-os apenas com uma camada fina de terra solta.”
Não pressione demasiado a terra, para que a água possa escoar bem. Se plantar demasiado fundo ou apertar os bolbos em solo pesado, corre o risco de provocar apodrecimento. Quando são colocados da forma certa, criam cedo um sistema radicular forte e amadurecem com maior segurança.
Hortícolas perenes: quando a semente é demasiado lenta
Espargos: um projecto de longo prazo com “garras”
O espargo é um exemplo típico de uma hortícola em que a semente só faz sentido em explorações profissionais. Da semente até à primeira colheita verdadeira podem passar cerca de três anos. Muito mais lógico é recorrer às chamadas garras de espargo - isto é, rizomas com um a dois anos.
- Abra uma vala funda, com cerca da largura de uma pá.
- No fundo, coloque uma camada solta e arenosa.
- Espalhe as garras como pequenas aranhas, com as gemas viradas para cima.
- Tape com terra solta, sem esmagar as raízes.
Aqui, uma boa drenagem é especialmente importante. Se a humidade residual ficar demasiado tempo no solo, as raízes sofrem - e a plantação enfraquece durante anos.
Plantar alcachofras em vaso
As alcachofras gostam de calor e não apreciam fases longas e frias de germinação. A sementeira em campo aberto, nas nossas latitudes, só costuma avançar lentamente no início do ano. Muito mais fiáveis são as plantas jovens em vaso.
“Quem planta alcachofras vigorosas, com o torrão bem enraizado, poupa semanas de ansiedade à espera da germinação.”
O local deve ser soalheiro e protegido do vento, e o solo precisa de ser profundo e rico em nutrientes. Antes de plantar, incorpore bastante composto bem decomposto. As alcachofras permanecem vários anos no mesmo sítio, por isso vale a pena preparar tudo com cuidado desde o início, em vez de remendar mais tarde.
Como preparar o solo de forma suave
Soltar em vez de cavar fundo
Muita gente pega no arado manual ou na pá e revolve totalmente a terra por reflexo. Mas isso destrói as estruturas finas do solo e desorganiza os microrganismos responsáveis pela fertilidade. Para plantas já preparadas, muitas vezes basta apenas soltar a terra com delicadeza.
- Use uma grelinete, um forcado de cavar ou um cultivador.
- Espete apenas 10–15 cm de profundidade e levante ligeiramente, sem virar.
- Desfaça à mão os torrões maiores.
A terra aquece mais depressa, a água infiltra-se melhor e os organismos do solo continuam, em grande parte, no seu lugar. As plantas agradecem com um enraizamento mais rápido.
Proteger as plantas jovens da geada tardia
As hortícolas plantadas cedo arrancam mais depressa, mas continuam vulneráveis às noites frias. Bastam alguns graus abaixo de zero para estragar rebentos novos. Por isso, compensa adoptar uma rotina simples de protecção.
- Tenha à mão mantas leves de manta-térmica ou um tecido de inverno fino.
- Em noites limpas e com geada, cubra os canteiros.
- Durante o dia, quando as temperaturas subirem acima de zero, areje para não acumular humidade.
Também pequenos túneis de plástico ou janelas antigas apoiadas em tijolos funcionam como uma mini-estufa. Assim garante a vantagem sem precisar de investir em equipamento profissional caro.
Mais produção com um plano de plantação bem pensado
Quais as culturas que mais beneficiam de plantas jovens
Nem todas as hortícolas precisam deste atalho; muitas continuam a dar excelentes resultados semeadas directamente. Ainda assim, há espécies que ganham imenso quando entram na terra já em forma de planta ou material de plantação:
- Batatas: formação mais rápida dos tubérculos, menor risco de fungos
- Alho, cebolas, chalotas: plantas mais estáveis, colheita mais uniforme
- Espargos: colheita ao fim de poucos anos, em vez de uma “eternidade”
- Alcachofras: melhor estabelecimento em primaveras frescas
Quem plantar estas culturas de forma consistente, em vez de as semear, adianta todo o calendário da colheita. Isso deixa mais espaço e tempo para os clássicos amantes do calor, como tomates, pimentos ou curgetes, que só mais tarde vão para o canteiro.
Como o arranque precoce influencia o resto da horta
Quando, já no fim do inverno ou no início da primavera, se concluem as plantações principais, a pressão habitual de abril torna-se muito mais leve. Os canteiros destinados às culturas de arranque já estão ocupados há bastante tempo, enquanto pode concentrar-se nas espécies mais sensíveis, seja debaixo de vidro seja dentro de casa.
Também é prático porque muitas destas plantas são relativamente robustas e exigem pouca manutenção depois de se estabelecerem. Isso poupa regas e paciência quando, mais tarde, o calor, as férias e os cuidados com os tomates começam todos ao mesmo tempo.
Truques extra úteis para começar a época com força
Quem, na primavera, trabalhar com bordaduras de canteiro, limites de composto ou materiais de cobertura escuros consegue ainda ganhar alguns graus na temperatura do solo. As superfícies escuras acumulam mais calor solar e libertam-no lentamente ao fim da tarde. As tubérculos e os bolbos respondem a isso com um rebentamento mais rápido.
Também ajuda marcar bem as linhas com cordel, estacas ou pedras. Como as culturas plantadas arrancam muitas vezes antes das vizinhas semeadas de forma clássica, os canteiros enchem-se depressa. Se depois já não se souber onde está cada coisa, é fácil pisar rebentos jovens ou ferir inadvertidamente os tubérculos com a sachola.
Muitos jardineiros amadores acabam, com o tempo, por adoptar um ritmo anual fixo: primeiro vêm as culturas de plantação, como batatas, cebolas, espargos e alcachofras. Depois seguem-se as sementeiras directas típicas, como cenouras, rabanetes, espinafres ou alface. Quem interioriza esta sequência tira partido de cada estação de forma mais eficaz e garante cestos cheios muito antes do pico do verão.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário