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Estes 5 tipos de pessoas destroem a tua saúde mental em silêncio – afasta-te antes que seja tarde.

Jovem com auscultadores e livro caminha na rua, enquanto grupo conversa ao fundo perto de café.

Há pessoas que simplesmente não nos fazem bem - de forma silenciosa, gradual e quase impercetível.

Quem as deixa entrar demasiado tempo na vida acaba por pagar com os nervos e com a saúde.

Amizade, família, relação, trabalho: nunca estamos totalmente sozinhos, e é precisamente isso que nos torna vulneráveis. Há anos que estudos psicológicos mostram o quanto relações destrutivas podem agravar a ansiedade, o cansaço e os sintomas depressivos. A pergunta delicada não é se as pessoas podem ser difíceis - todos somos -, mas sim: a partir de que momento esse contacto te retira mais energia do que aquela que te dá?

Quando a proximidade adoece: porque é que certas relações são tão perigosas

Psicólogas e psicólogos usam a expressão dinâmica tóxica quando uma ligação desgasta de forma contínua a tua autoestima, te diminui ou tenta controlar o teu comportamento. Num grande estudo de 2009 da Biblioteca Nacional de Medicina, surgiu uma ligação muito clara: quem enfrenta com regularidade interações depreciativas, manipuladoras ou controladoras apresenta muito mais sofrimento psicológico, mais ansiedade e mais sintomas depressivos.

O ponto central não é uma discussão isolada - é um estado permanente em que te justificas, pedes desculpa ou te controlas para que “não haja confusão”.

Segue-se um conjunto de cinco perfis de pessoas perante os quais deves olhar com muita atenção. Nem todo o contacto tem de terminar imediatamente. Mas quem se revê em vários destes pontos já merece pensar seriamente em ganhar distância.

1. Os estrategas: encantadores, calculistas, sempre com um plano

Por trás de uma aparência simpática há muitas vezes um padrão repetido: estas pessoas usam os outros para chegar onde querem. Na investigação, fala-se de traços de personalidade sombrios como narcisismo acentuado, maquiavelismo ou uma frieza emocional marcada. Um estudo de 2019 mostra que pessoas com estas características, em relações, manipulam, mentem e ferem de propósito com maior frequência quando isso lhes convém.

Sinais típicos:

  • Fazem muitas promessas sem nunca concretizar nada - e mais tarde viram tudo ao contrário, como se tu é que tivesses percebido mal.
  • És culpabilizado assim que defines limites ou dizes “não”.
  • O trato oscila entre grande proximidade e uma distância gelada, dependendo do que lhes for mais útil naquele momento.

Depois de estares com elas, ficas muitas vezes confuso, usado ou esgotado emocionalmente. E começas a analisar constantemente o teu próprio comportamento, em vez de questionares o delas.

2. Os controladores: quando o cuidado se transforma em prisão

O controlo raramente faz barulho. Costuma apresentar-se como preocupação, como amor, como “Só quero o melhor para ti”. Uma investigação recente de 2024 sobre comportamento controlador mostra que quem vive a longo prazo sob estes padrões apresenta mais vezes sintomas depressivos e sinais de stress pós-traumático.

Como reconhecer o controlo:

  • As tuas mensagens, atividades nas redes sociais ou contactos são questionados sem parar.
  • Amigos, família ou passatempos vão desaparecendo aos poucos do teu dia a dia, porque “há sempre confusão quando sais”.
  • Há pressão sobre roupa, lazer e dinheiro: quer-se que te comportes de forma “sensata” - ou seja, como a outra pessoa quer.

O amor não limita a tua liberdade, cria antes um enquadramento seguro. Quem te diminui não te protege - garante apenas o próprio poder.

Sobretudo em relações amorosas ou em estruturas familiares apertadas, esta dinâmica parece durante muito tempo “normal”. Muita gente só percebe, em retrospetiva, o quanto foi perdendo a própria vida aos poucos.

3. Os agressores psicológicos: “Era só uma brincadeira” - não era

Insultos, provocações constantes, piadas desrespeitosas sobre o teu aspeto ou sobre as tuas emoções - tudo isso entra no campo da agressão psicológica. Um estudo de 2006 com casais mostra que quem está exposto com regularidade a estes ataques desenvolve muito mais queixas psicológicas, mesmo de forma independente da violência física.

Sinais de alerta no dia a dia:

  • Troça repetida das tuas capacidades, do teu corpo ou das tuas emoções.
  • Comentários depreciativos feitos em frente de outras pessoas, vendidos como “humor”.
  • Quando fazes uma crítica, a resposta é imediata: “Agora não faças cena, estás a dramatizar tudo.”

O essencial é este: os teus sentimentos não são levados a sério, são ridicularizados. Com o tempo, começas tu própria/o a acreditar que és demasiado sensível ou “demasiado complicada/o”. Na verdade, estás apenas a reagir de forma normal a um comportamento desvalorizador.

4. Os críticos permanentes: viver em modo “nunca és suficiente”

Aqui nem sempre há insultos diretos; muitas vezes tudo parece “civilizado”. Ainda assim, a pessoa vai minando de forma contínua o teu valor próprio. O psicólogo norte-americano John Gottman demonstrou em estudos de longa duração com casais que certos padrões, sobretudo a troça constante e o desprezo, antecipam uma elevada probabilidade de separação.

No quotidiano, isto pode manifestar-se assim:

  • Revirar de olhos, suspiros e tom irritado assim que contas algo.
  • Frases como “Tu exageras sempre”, “Isso é tão típico teu”, “De ti não vai sair nada”.
  • Tens a sensação de que precisas de te defender, em vez de te sentires compreendido/a.

Uma relação saudável ataca situações concretas - nunca a tua personalidade por inteiro.

Quem vive sob fogo constante de críticas desenvolve muitas vezes dúvidas sobre si próprio/a: “Talvez eu seja mesmo incapaz, talvez a outra pessoa seja simplesmente mais realista.” É precisamente isso que torna esta dinâmica tão perigosa.

5. Os que deturpam a realidade: quando já não confias em ti

Algumas pessoas avançam ainda mais um passo: põem sistematicamente em causa a tua perceção. Frases típicas: “Eu nunca disse isso”, “Tu estás a imaginar coisas”, “Toda a gente acha que estás completamente a exagerar”. Em psicologia, fala-se de padrões de manipulação da perceção - confusão intencional para exercer controlo.

Exemplos concretos:

  • Recordas uma conversa de forma clara, mas a pessoa afirma friamente que ela nunca aconteceu.
  • Os teus sentimentos são sempre classificados como uma reação excessiva.
  • Essa pessoa apresenta-te perante os outros como instável, difícil ou “não totalmente lúcida/o”.

Muitas vítimas começam a fazer listas mentais, a guardar capturas de ecrã ou a conservar mensagens só para se provarem a si próprias que estão certas. Quando isso acontece, a confiança na própria perceção já está gravemente abalada.

O teste simples: como te sentes depois de um encontro?

Antes de planeares um corte radical, ajuda fazer uma pergunta muito simples: como ficas depois de uma conversa com essa pessoa?

Depois do contacto sinto-me … Tendência
tranquila/o, compreendida/o, respeitada/o relação mais saudável
tensa/o, culpada/o, insegura/o sinal de aviso
pequena/o, sem valor, vazia/o sinal de alarme urgente

Se depois de quase todos os contactos ficas exausta/o, intimidada/o ou emocionalmente vazia/o, falar já não chega muitas vezes. Nesse caso, o assunto passa a ser limites - e também criar distância, chegando no extremo a cortar de forma consistente o contacto.

Como definir limites sem teres de te justificar constantemente

Nem todas as pessoas difíceis têm de ser imediatamente riscadas da tua vida. Por vezes, a dinâmica muda quando passas a ser mais claro/a. Alguns passos possíveis:

  • Limitar o tempo: em vez de encontros de horas, só chamadas curtas ou encontros raros.
  • Definir temas proibidos: “Não quero voltar a discutir o meu corpo / trabalho / parceiro/a.”
  • Procurar aliados: falar com amigos, amigas ou com um serviço de aconselhamento para confirmar a tua perceção.
  • Consequência concreta: se as violações de limites continuarem, cancelar encontros ou anunciar claramente o afastamento.

Uma frase que costuma ajudar é: “Estou a notar que este tipo de conversa não me faz bem. Vou parar por aqui.” Sem justificação, sem grande explicação - apenas uma linha firme.

Porque é tão difícil afastarmo-nos de pessoas nocivas

Muita gente fica por hábito, por medo da solidão ou por lealdade - sobretudo no caso da família. Soma-se ainda um efeito psicológico: quem já investiu muito, numa amizade longa ou numa relação antiga, tende a agarrar-se ainda mais, mesmo quando isso já está a fazer mal.

Acrescentam-se pensamentos como “Não é assim tão grave” ou “Há pessoas com situações muito piores”. Estas comparações fazem com que as vítimas se calem, em vez de as fortalecerem. O critério decisivo continua a ser aquilo que tu vives: sentes-te seguro/a, respeitado/a, levado/a a sério?

Quando faz sentido procurar ajuda profissional

Quem passa muito tempo a viver com manipulação, controlo ou agressão psicológica não raramente desenvolve sintomas como problemas de sono, tensão constante, dúvidas sobre si próprio/a ou ataques de pânico. Nesses casos, pode ser útil procurar apoio - em centros de aconselhamento, com psicólogas e psicólogos ou através de linhas de apoio especializadas.

Não és “demasiado sensível” só porque esperas respeito. Estás a reagir a um meio que te magoa.

O acompanhamento psicológico ajuda a identificar padrões, a enquadrar sentimentos de culpa e a desenvolver estratégias concretas para criar distância e proteção. Sobretudo quando é preciso cortar contacto com a família ou com relações de muitos anos, é um alívio não ter de passar por isso sozinho/a.

No fundo, não se trata de ter à volta pessoas perfeitas. Trata-se de ter pessoas com quem possas ser totalmente tu, sem medo de desvalorização, controlo ou jogos psicológicos. Quem te retira de forma permanente essa sensação pode até partilhar muita história contigo - mas não merece lugar na primeira fila da tua vida.

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