Enquanto muitos jardins ainda parecem despidos e cinzentos, os jardineiros amadores mais astutos já podem garantir ervas aromáticas frescas mesmo à porta de casa.
Quem, no inverno, passa pelos corredores dos legumes, acaba muitas vezes por levar molhos caros e murchos de ervas de estufa. No entanto, no próprio jardim pode já estar a acontecer precisamente o contrário: assim que a geada abranda um pouco, surgem os primeiros caules verdes, prontos para omelete, batata assada ou guisado. O segredo não está em semear mais cedo no parapeito da janela, mas sim numa mão-cheia de resistentes perenes que regressam sozinhas, ano após ano.
Porque é agora a altura perfeita para as ervas aromáticas perenes
No fim de janeiro e no início de fevereiro, o jardim parece estar em sono profundo. Mas, debaixo da superfície do solo, muita coisa já se passa. As ervas aromáticas vivazes aproveitam qualquer período com temperaturas positivas para recomeçar. Quem instala estas plantas uma única vez poupa, mais tarde, muito trabalho.
Em vez de semear todos os anos de novo, as ervas perenes fornecem folhas frescas durante muitas estações - quase sem esforço.
Ao contrário das ervas anuais, como o manjericão ou o coentro, as espécies perenes desenvolvem raízes fortes ou rizomas. Nesses órgãos de reserva, acumulam energia para o arranque no fim do inverno. Quando a temperatura sobe apenas um pouco acima do ponto de congelação e os dias se tornam ligeiramente mais longos, surgem os novos rebentos.
O resultado: enquanto a maioria ainda se debate com tabuleiros de sementeira no parapeito da janela, os jardineiros bem preparados já cortam as primeiras folhas frescas para o almoço.
As sete ervas aromáticas perenes para jardineiros preguiçosos
Sete ervas destacam-se por voltarem de forma fiável, aguentarem bem as intempéries e serem constantemente procuradas na cozinha:
- Cebolinho
- Azeda
- Salsa, de preferência a frisada
- Hortelã, em todas as suas variantes
- Tomilho
- Orégãos silvestres
- Estragão, com um aroma delicado e nota de anis
Estas sete encontram-se sem dificuldade em centros de jardinagem, muitas vezes até em pequenos vasos no supermercado. Não é preciso recorrer a variedades exóticas especiais.
Cebolinho: a primeira risca verde no canteiro
O cebolinho está entre os primeiros a dar sinal no fim do inverno. Os seus rebentos tubulares conseguem muitas vezes perfurar até restos de neve lamacenta. No solo, existe uma espécie de almofada de bolbos que tolera o frio sem qualquer problema.
Com uma faca afiada ou uma tesoura, é possível colher molhinhos repetidamente. Quanto mais se corta, mais denso ele volta a crescer. Ideal para:
- batatas assadas ou batatas cozidas com requeijão
- ovos mexidos e omelete
- sandes de manteiga e pastas de queijo fresco
Azeda: o limão da horta no canteiro
A azeda parece discreta, mas traz uma nota fresca e ligeiramente ácida à cozinha cansada do inverno. As primeiras folhas jovens têm um sabor particularmente suave e delicado.
Ideias de utilização:
- finamente cortada em omeletes
- como acompanhamento de pratos de peixe
- em sopas cremosas, para um toque ácido
Salsa: surpreendentemente resistente ao inverno quando bem instalada
Muita gente conhece a salsa apenas como uma sementeira anual. Contudo, se estiver num local minimamente abrigado e tiver crescido com vigor no ano anterior, pode aguentar bem o inverno. A variedade frisada é, em especial, considerada mais robusta.
Muitas vezes, basta cortar as folhas exteriores e deixar o coração da planta intacto. Na primavera, ela volta a ganhar força antes de, mais tarde, espigar e formar sementes.
Hortelã: parece desaparecer - e reaparece de repente
No inverno, a hortelã parece ter desaparecido. Os rebentos gelam e fica a impressão de que a planta morreu. Na verdade, está a preparar-se de forma invisível no solo e volta a rebentar assim que surge uma fase mais amena.
Quem planta hortelã uma vez, dificilmente se livra dela - um sonho para os amantes de chá, um risco para canteiros bem arrumados.
Uma dica: o melhor é cultivar a hortelã em vasos grandes ou com uma barreira anti-raízes; caso contrário, ela gosta de ocupar metade do canteiro.
Tomilho, orégãos e estragão: o trio mediterrânico
O tomilho e os orégãos conservam, em muitas regiões, a folhagem mesmo durante o inverno. Em dias sem neve, podem ser colhidos quase sem interrupção. As folhas estão cheias de óleos essenciais, o que os torna ideais para a cozinha de inverno:
- guisados e pratos estufados
- legumes assados com batatas, cenouras e pastinacas
- marinadas para aves e carne
O estragão, por sua vez, parece mais discreto. As partes aéreas costumam morrer, mas na primavera volta a rebentar com força a partir da raiz. O seu delicado sabor a anis combina bem com frango, carnes brancas e molhos cremosos.
Como ajudar as ervas aromáticas a arrancar mais cedo
A grande vantagem destas plantas é que conseguem resolver quase tudo sozinhas. Ainda assim, vale a pena um pequeno esforço para acelerar o arranque.
| Erva | Cuidados no fim do inverno |
|---|---|
| Cebolinho | Cortar os caules velhos e castanhos, aplicar uma ligeira camada de composto ou cobertura morta |
| Azeda | Remover folhas secas, soltar superficialmente o solo |
| Salsa | Limpar folhas amarelas ou apodrecidas, sem cortar demasiado fundo |
| Hortelã | Retirar o material lenhoso antigo, verificar o vaso ou o rebordo do canteiro |
| Tomilho / orégãos | Apenas clarear ligeiramente, cortar as partes lenhificadas em abril |
| Estragão | Remover os caules mortos na base, evitar encharcar o solo |
Ao retirar, no fim do inverno, as partes mortas das plantas, deixa-se mais luz e calor chegar à zona das raízes. O solo seca mais depressa e as plantas avançam mais cedo.
Plantar agora: uma pequena ação com grande efeito durante muitos anos
Se estas ervas faltarem no jardim, o fim do inverno é o momento ideal para as instalar - assim que o solo deixar de estar congelado. Para isso, não é necessária qualquer sementeira complicada.
Plantam-se uns quantos vasos de ervas uma única vez, e a lista de compras para os anos seguintes fica muito mais curta.
Procedimento prático:
- comprar vasos de ervas no comércio, escolhendo de preferência variedades robustas;
- escolher o local: sol a meia-sombra, solo permeável e sem encharcamento;
- plantar com o torrão incluído e regar ligeiramente;
- cobrir à volta com mulch, por exemplo, folhas secas ou material triturado fino.
Em especial, o tomilho e os orégãos preferem solos pobres e secos. A salsa e o cebolinho suportam mais humidade, mas não devem ficar encharcados. A hortelã fica melhor num canto onde possa alastrar sem empurrar as outras plantas.
Como estas ervas aromáticas melhoram a cozinha de inverno
Na estação fria, batatas, couves e legumes de raiz dominam muitas vezes a alimentação. As ervas frescas trazem, de repente, vida ao prato.
- Cebolinho: transforma uma sopa simples de batata num prato aromático.
- Azeda: dá um toque surpreendente a molhos cremosos ou legumes com natas.
- Salsa: espalha frescura por guisados, saladas e pratos de frigideira.
- Hortelã: transforma um chá quente num sopro de verão.
- Tomilho e orégãos: aprofundam o sabor de assados e legumes no forno.
- Estragão: combina na perfeição com frango, pratos de ovo e molhos delicados.
A diferença em relação aos produtos importados em embalagens de plástico é evidente: aroma mais intenso, sabor mais marcado e a boa sensação de não depender de estufas gastadoras de energia.
Efeito sustentável: menos trabalho, mais produção, mais vida no jardim
As ervas perenes não trazem apenas prazer à mesa. Também fortalecem um sistema de jardim mais estável. As flores atraem insetos, o crescimento denso faz sombra ao solo e ajuda-o a manter-se húmido durante mais tempo. Ao mesmo tempo, estas plantas reduzem a necessidade de adubo e de produtos fitofarmacêuticos.
Quem as coloca nas bordas dos canteiros ou sob árvores de fruto cria pequenas zonas fáceis de cuidar, que dão estrutura ao jardim durante quase todo o ano. Muitos jardineiros amadores dizem que, com estas plantas duradouras, passaram a jardinar com mais tranquilidade: menos lavoura, menos reorganização, mais observação e colheita.
Para quem está a começar, estas sete espécies oferecem uma entrada ideal em canteiros produtivos de forma permanente. E mesmo numa varanda ou terraço, várias delas podem ficar sem problemas num vaso. Um recipiente resistente à geada, um local protegido e um pouco de cuidado bastam para anos de colheitas.
Quem, portanto, vestir agora um casaco de jardim e meter algumas cepas na terra, beneficia em poucas semanas - e, ao mesmo tempo, lança as bases para muitos invernos e primaveras aromáticos nos anos vindouros.
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