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Tarifas de Trump sobre automóveis importados: impacto nos preços, peças e componentes

Carro elétrico moderno cinza exposto em showroom com pessoas ao fundo e placa "TRUMP TARIFF".

O presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, confirmou a entrada em vigor de tarifas de 25% sobre todos os automóveis importados. As novas taxas começam a aplicar-se a 3 de abril e deverão ter consequências muito relevantes na indústria automóvel norte-americana.

Segundo uma análise da Cox Automotive, a aplicação destas tarifas deverá fazer subir o custo médio de um automóvel em cerca de seis mil dólares (5,5 mil euros), tendo em conta que cerca de 40% dos ligeiros vendidos nos EUA são importados.

Entre os modelos mais expostos a esta medida está o Toyota RAV4, líder de vendas e o automóvel ligeiro mais vendido no mercado norte-americano sem contar com as camionetas de caixa aberta. A lista inclui ainda o Chevrolet Trax, o Chevrolet Equinox, o Toyota Tacoma e o Subaru Forester. Destes, apenas o RAV4 é fabricado em território norte-americano.

Impacto nas peças e componentes automóveis

As tarifas não se vão limitar aos veículos completos: também incidirão sobre peças e componentes, embora apenas a partir de 3 de maio. Na prática, esta decisão deverá pressionar ainda mais o preço final dos automóveis vendidos nos EUA, tanto os importados como os que são montados localmente.

Mesmo quando um modelo é produzido nos Estados Unidos, isso não significa que todos os seus componentes tenham origem no país. Muitas peças vêm de outras regiões do mundo, incluindo a Europa e a China, o que aumenta a probabilidade de subida dos custos de produção.

Para já, os componentes que respeitam os critérios do acordo comercial USMCA - entre os EUA, o Canadá e o México - não serão afetados. Ainda assim, essa isenção poderá ser revista no futuro, consoante as decisões do Departamento do Comércio dos EUA sobre peças com conteúdo não norte-americano.

A subida dos preços com a entrada em vigor destas tarifas já era considerada provável, uma vez que os fabricantes deverão repercutir nos consumidores, pelo menos em parte, o encargo adicional.

Jim Farley, presidente executivo da Ford, já tinha criticado estas medidas, sublinhando que “não há dúvidas de que as tarifas, se forem prolongadas, terão um impacto enorme na nossa indústria, eliminando milhares de milhões de dólares em lucros, bem como em toda a cadeia de valor da nossa indústria. Tarifas significam preços mais altos para os clientes”.

Num cenário destes, é previsível que muitos compradores adiem a aquisição de um veículo novo ou passem a procurar alternativas mais baratas, incluindo modelos usados. Ao mesmo tempo, os concessionários e os fornecedores terão de rever stocks, margens e calendários de produção para absorver o choque das novas regras.

A médio prazo, a medida pode também incentivar alguns construtores a reforçar a produção local e a reorganizar cadeias de abastecimento, embora esse processo seja lento e implique novos custos de investimento. Enquanto isso, a incerteza deverá manter-se elevada para fabricantes, fornecedores e consumidores.

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