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Lancia Thema Familiare da Zagato e FIAT 130 Familiare: duas carrinhas de Gianni Agnelli

Automóvel desportivo moderno prateado em primeiro plano com carro clássico azul ao fundo em espaço interior moderno.

Nos anos 80, a Lancia percebeu que existia espaço para uma versão mais familiar do Thema e encomendou à Pininfarina e à Zagato propostas de carrinhas baseadas na berlina executiva de três volumes. Para a produção em série, acabou por prevalecer o projeto da Pininfarina.

Naquela década, este tipo de encomendas especiais mostrava bem a importância da carroçaria feita por medida em Itália. Antes de a produção em massa dominar por completo o mercado, havia ainda margem para criar automóveis muito particulares, pensados para combinar utilidade, estatuto e um nível de personalização praticamente impossível de repetir.

Lancia Thema Familiare da Zagato: o protótipo que foi de Agnelli

Da parte da Zagato nasceu a Lancia Thema Familiare da Zagato, da qual apenas dois protótipos foram construídos em 1985. Um estava equipado com um motor Turbo-Diesel, enquanto o outro recorria a um V6 a gasolina de 2,8 litros.

Foi precisamente este último que acabou por servir de automóvel pessoal a Gianni Agnelli durante dois anos - uma figura gigantesca e incontornável na história de Itália, neto do fundador da FIAT e líder da empresa entre 1966 e 2003.

Este mesmo exemplar, identificado pelo chassis n.º ZLA834000*00000998, distingue-se pelos pilares traseiros pintados de negro, pelo desenho das janelas e por vários pormenores na tampa da bagageira, exclusivos das unidades assinadas pela Zagato.

O motor 2.8 V6 não era italiano: tratava-se do bloco PRV, desenvolvido em conjunto pela Peugeot, Renault e Volvo. Aqui surge com aspiração natural e 150 cv. Foi a solução escolhida numa fase em que a Lancia via o Thema como uma alternativa mais requintada às berlinas alemãs. Com tração dianteira e caixa manual, o conjunto era muito equilibrado.

O habitáculo da Lancia Thema Familiare da Zagato mantém os acabamentos de origem, com bancos em veludo e o tablier típico da época. O conta-quilómetros regista apenas 92 329 quilómetros. Esta unidade foi matriculada em maio de 1985 com a matrícula TO 56639D e permaneceu sempre em solo italiano.

A RM Sotheby’s estima que este lote possa atingir entre 80 000 e 160 000 euros. A valorização explica-se pela raridade da carroçaria, pela ligação à Zagato e, claro, pela proveniência Agnelli. Só faltaria mesmo ter sido um Thema 8.32 com motor Ferrari a servir de base ao projeto.

Mais uma carrinha «Familiare»

Mais de 10 anos antes da Lancia Thema Familiare, a coleção de Agnelli já incluía outra carrinha, desta vez da FIAT.

A FIAT 130 Familiare de 1974 é uma de apenas três unidades transformadas pela Officina Introzzi a pedido do próprio Gianni Agnelli. O exemplar agora em leilão foi o primeiro e acompanhou o industrial italiano durante mais de uma década, até 1985. Muito provavelmente, até ao momento em que foi substituído pela Thema Familiare construída pela Zagato.

Partindo de um Fiat 130, a carroçaria foi totalmente redesenhada para o formato pretendido, recebeu pintura prateada, painéis laterais com efeito de madeira e um enorme cesto de vime no tejadilho. A suspensão também foi alterada, passando a contar com uma configuração independente nas quatro rodas.

Na traseira havia uma enorme terceira luz de travagem - algo pouco habitual nos automóveis dos anos 70 - que facilitava a comunicação com a equipa de segurança que seguia atrás de Agnelli. Talvez o maior trunfo estivesse debaixo do capô: um motor V6 a gasolina de 3,2 litros, associado a uma caixa automática de três velocidades.

O grau de personalização e a exclusividade de uma construção artesanal fazem desta FIAT 130 Familiare uma verdadeira peça de museu, com matrícula original de fábrica. A RM Sotheby’s prevê um preço de venda entre 170 mil e 300 mil euros, reflexo do seu estado de conservação e da sua raridade.

Estas duas carrinhas mostram também como a história automóvel italiana se cruza frequentemente com a de grandes coleções privadas. Quando a proveniência é tão forte e a execução tão singular, o valor não está apenas na mecânica ou no modelo de base, mas no conjunto de histórias, soluções à medida e identidade estética que cada exemplar carrega.

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