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M142 HIMARS do Exército de Taiwan entram em acção nos primeiros exercícios do ano

Soldado em uniforme camuflado com tablet controla lançamento de míssil a partir de veículo militar numa zona costeira.

Os novos sistemas de artilharia de foguetes de alta mobilidade M142 HIMARS do Exército de Taiwan participaram, recentemente, nos seus primeiros exercícios de 2026, num conjunto de manobras que ensaiou um cenário de escalada militar por parte da China contra a ilha e uma subsequente operação de assalto dirigida a infra-estruturas críticas. A actividade decorreu na base de Longsiand, no município de Taichung, e representou mais um marco na integração operacional desta plataforma de ataque e apoio de fogos adquirida aos Estados Unidos, apontada como uma das capacidades mais relevantes incorporadas pelas Forças Armadas taiwanesas nos últimos anos.

Cenário simulado: escalada do Comando do Teatro Oriental do EPL

O exercício foi desenhado para reproduzir uma evolução plausível de manobras conduzidas pelo Comando do Teatro Oriental do Exército Popular de Libertação (EPL) para uma ofensiva directa contra Taiwan. Nesse enquadramento, foi simulada uma campanha com múltiplos vectores, incluindo acções conjuntas de Forças Especiais, aeronaves de combate e unidades de assalto anfíbio.

Perante essa hipótese operacional, os HIMARS foram deslocados com rapidez para áreas de tiro previamente definidas. A partir dessas posições, efectuaram disparos simulados contra alvos situados nas ilhas de Wangan e Cimei, no arquipélago de Penghu, consolidando procedimentos de emprego em ambientes costeiros e insulares.

Apoio de fogos e ataque em profundidade com o M142 HIMARS

Durante a manobra, os M142 HIMARS evidenciaram a sua utilidade para apoio de fogos de longo alcance e para missões de ataque em profundidade, funções consideradas centrais na doutrina defensiva de Taiwan para contrariar uma força atacante e dificultar a consolidação de cabeças-de-ponte.

De acordo com oficiais do Exército taiwanês, a sequência “deslocar–adquirir alvos–disparar–reposicionar” foi tratada como elemento nuclear do exercício, reforçando a lógica de mobilidade e sobrevivência do sistema. O treino incluiu ainda apoio e coordenação com: - helicópteros de transporte UH-60M Black Hawk; - helicópteros de ataque e reconhecimento armado AH-1W Super Cobra; - viaturas blindadas sobre rodas Cloud Leopard; - carros de combate M60A3.

Incorporação dos HIMARS no Exército de Taiwan e expansão do programa

A presença dos HIMARS nestes exercícios surge na sequência da sua entrada formal ao serviço em 2025, após um processo de aquisição acordado com os Estados Unidos no âmbito do reforço da capacidade de dissuasão de Taiwan.

O pacote inicial contemplava 11 unidades. Contudo, para ampliar de forma significativa a capacidade de apoio de fogos e de ataque a grande distância, o Ministério da Defesa de Taiwan optou por expandir o programa, acrescentando 18 sistemas adicionais, em vez de avançar para a compra de novos obuses autopropulsados M109A6 Paladin.

Com esta decisão, o pedido total passou para 29 sistemas de artilharia de alta mobilidade, implicando um investimento aproximado de 1,01 mil milhões de dólares norte-americanos. Após vários ajustamentos ao calendário, o primeiro lote de 11 HIMARS foi entregue em 2024, estando prevista a chegada das 18 unidades remanescentes antes de 2026.

Importa notar que, no planeamento original, a entrega do segundo lote estava prevista apenas entre 2027 e 2028. Antes da apresentação oficial, os sistemas foram também submetidos a exercícios de aceitação, passo determinante para validar procedimentos e preparar o emprego operacional.

Sustentação, treino e integração operacional: factores críticos

Para além da aquisição, a eficácia do HIMARS depende de um ciclo robusto de treino, manutenção e sustentação logística. Em particular, a capacidade de manter lançadores dispersos, rearmar com rapidez e assegurar a prontidão técnica influencia directamente a cadência de fogos e a sobrevivência em cenário de alta intensidade.

Outro vector decisivo é a integração com redes de comando e controlo, reconhecimento e aquisição de alvos, de modo a reduzir tempos entre detecção e engajamento. Num contexto em que a contra-bateria e a vigilância são constantes, a combinação de mobilidade, disciplina de emissões e reposicionamento frequente torna-se tão relevante quanto o alcance das munições.

Possível novo pacote: 82 HIMARS, ATACMS e GMLRS-U aprovados pelo Departamento de Estado

Enquanto o processo de incorporação prossegue, o governo de Taiwan estará igualmente a considerar a encomenda de um novo lote de sistemas de artilharia aos Estados Unidos. Esta possibilidade surge após uma autorização recente do Departamento de Estado, que aprovou a venda de: - 82 sistemas M142 HIMARS; - 420 mísseis ATACMS; - 752 foguetes guiados GMLRS-U;

O pacote é avaliado em cerca de 4 mil milhões de dólares norte-americanos e destina-se a dotar os lançadores com munições compatíveis, reforçando a componente de fogos de precisão e de longo alcance.

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