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Um valioso avião E-3 Sentry da Força Aérea dos EUA foi destruído na Arábia Saudita após um ataque iraniano.

Avião militar no chão em chamas na cabine, com dois soldados de farda e capacete a caminhar na pista.

A confirmação, a 27 de março, de que a Base Aérea do Príncipe Sultão foi atingida por uma combinação de drones e mísseis balísticos veio acompanhada, nos dias seguintes, por uma série de imagens amplamente partilhadas. Essas fotografias mostram, até ao momento, um dos golpes mais pesados sofridos pelas Forças Armadas dos Estados Unidos desde o início da Operação Fúria Épica. Em concreto, e tal como é possível observar nos registos divulgados, ficou visualmente confirmada a perda de uma valiosa aeronave da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF): um E-3 Sentry de alerta aéreo antecipado e controlo.

Apesar desta confirmação pública, desde o ataque não foram apresentados esclarecimentos adicionais pelo Comando Central dos EUA (CENTCOM) nem pelas Forças Armadas dos EUA sobre o alcance exacto do ataque iraniano de 27 de março contra a base situada na Arábia Saudita.

E-3 Sentry: identificação do aparelho destruído e ponto de impacto

As imagens também permitiram à comunidade de informações de fonte aberta (OSINT) avançar com uma identificação provável da aeronave destruída no ataque iraniano: presume-se que se trate de um E-3C Sentry com o número de série 81-0005, que terá sido totalmente destruído. Segundo a leitura dos danos, o impacto parece ter-se concentrado na secção traseira da fuselagem, onde se encontra a radoma da aeronave.

A partir desta informação, é plausível concluir que o “81-0005” integrava o destacamento de seis E-3 Sentry que a USAF tinha projectado para o Médio Oriente e que já operavam no teatro antes do início da Operação Fúria Épica, em 28 de fevereiro.

Consequências para as capacidades de alerta e controlo no Médio Oriente

A destruição confirmada de um E-3 Sentry em solo representa um revés directo na capacidade de alerta aéreo antecipado e controlo que a USAF consegue disponibilizar no Médio Oriente, além de afectar a própria frota, que passaria a contar com apenas 16 aeronaves operacionais.

Ainda hoje, o Sentry - apesar de estar ao serviço há décadas - continua a ser a plataforma principal da USAF para missões de alerta aéreo antecipado, comando e controlo, reconhecimento, bem como para tarefas de informações, vigilância e reconhecimento (ISR). Embora a Força Aérea esteja a avançar com um substituto - um processo que, ao longo de 2025, tem sido marcado por diferentes contratempos e por maior escrutínio -, o E-3 deverá manter-se em operação durante os próximos anos, à medida que as células mais antigas vão sendo gradualmente retiradas.

A médio prazo, esta perda pode obrigar a uma redistribuição mais apertada de meios, com maior dependência de janelas de cobertura, rotação de tripulações e integração com outros sensores (aéreos e terrestres) para compensar a redução de disponibilidade de uma plataforma que, tradicionalmente, funciona como nó central de coordenação no espaço aéreo.

Em paralelo, a redução de aeronaves AEW&C pode também pressionar a cooperação com parceiros na região, seja através de coordenação reforçada com capacidades aliadas, seja pelo uso mais intensivo de arquitecturas de comando e controlo distribuídas, para manter a consciência situacional e a gestão do espaço aéreo em operações prolongadas.

Outros alvos atingidos: KC-135 Stratotanker e sistemas THAAD

Importa ainda sublinhar que o E-3 Sentry destruído na Base Aérea do Príncipe Sultão não terá sido o único alvo atingido nos ataques iranianos. As imagens de satélite sugerem igualmente que várias aeronaves KC-135 Stratotanker - essenciais para operações de reabastecimento aéreo - também terão sido atingidas.

Por fim, destaca-se que o Irão tem vindo a apontar a outros meios e instalações dos EUA na região. Em particular, registaram-se nos últimos dias ataques contra elementos de sistemas de defesa antimíssil THAAD, bem como contra outras bases no teatro.


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