Depois de a semana ter arrancado com uma descida - ainda que pouco expressiva - no preço da gasolina simples (a primeira queda desde o início do conflito no Irão), a tendência volta a inverter-se. Tanto a gasolina como o gasóleo deverão registar aumentos já na próxima semana.
As estimativas do setor para a semana de 6 de abril indicam uma subida de oito cêntimos por litro no gasóleo simples e de 3,5 cêntimos por litro na gasolina simples. Recorde-se que, desde o início do conflito, os preços já acumularam aumentos de 44,2 cêntimos por litro no caso do gasóleo e de 21,2 cêntimos por litro no caso da gasolina (até ontem).
Caso estas projeções se confirmem, o preço médio do gasóleo simples deverá situar-se nos 2,158 €/l, permanecendo acima dos 2 euros pela terceira semana consecutiva. Já a gasolina simples poderá alcançar 1,952 €/l, mantendo-se um cenário pouco habitual: nas bombas portuguesas, o gasóleo continua a ser mais caro do que a gasolina.
A concretizarem-se estes valores, o gasóleo simples atingirá ainda um novo máximo histórico, ultrapassando o patamar de 2,1 €/l que tinha sido alcançado em junho de 2022.
Como são calculadas as previsões (DGEG) e porque podem agravar-se
As contas para o preço dos combustíveis baseiam-se nos dados divulgados pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG). Neste caso, são usados os valores referentes à passada quinta-feira, 2 de abril, uma vez que amanhã é feriado. Tendo isto em consideração, admite-se que a subida prevista para a próxima semana possa acabar por ser ainda mais acentuada.
Importa também sublinhar que os números publicados pela DGEG já refletem os descontos aplicados pelas gasolineiras e as medidas do Governo atualmente em vigor.
Ainda assim, estes montantes não correspondem necessariamente ao que encontrará em cada posto de abastecimento. Tratam-se de valores médios e indicativos, uma vez que os revendedores mantêm liberdade para definir preços conforme a sua política comercial.
Um ponto prático para os consumidores é que as diferenças entre postos podem ser relevantes, sobretudo em semanas de grande volatilidade. Comparar preços antes de abastecer - incluindo por concelho e por marca - pode ajudar a reduzir a fatura final, especialmente para quem faz muitos quilómetros.
Também vale a pena ter em conta que o preço pago na bomba resulta da soma de várias componentes (cotação internacional, refinação, logística, margens e impostos). Quando a matéria-prima sobe de forma abrupta, os ajustes podem refletir-se rapidamente no valor final, mesmo com mecanismos temporários de mitigação fiscal.
Medidas do Governo e ISP (Imposto sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos) em vigor
Na sequência de subidas consideradas históricas no preço dos combustíveis, o Governo reforçou o desconto extraordinário aplicado ao ISP (Imposto sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos).
No arranque desta semana, o desconto total em vigor correspondia a 9,4 cêntimos por litro no gasóleo simples e a 5,1 cêntimos por litro na gasolina simples. Face à nova escalada dos preços, admite-se que possa existir novo reforço do desconto já na próxima semana.
A redução extraordinária atual do ISP acumula com a medida criada em 2022, destinada a suavizar o impacto da subida dos combustíveis após a invasão da Ucrânia pela Rússia. Esse mecanismo reduziu parcialmente o imposto aplicado à gasolina e ao gasóleo e tem sido ajustado ao longo do tempo, acompanhando a evolução das cotações. O objetivo final - também impulsionado por Bruxelas - passa pela eliminação gradual deste “desconto”.
Médio Oriente, Estreito de Ormuz e Brent: o que está a pressionar os preços
A subida dos combustíveis em Portugal e na Europa está diretamente associada ao agravamento da tensão no Médio Oriente, que culminou no encerramento do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais relevantes para o escoamento de petróleo do Golfo Pérsico.
Mesmo com a recente descida nos preços, o conflito continua a deixar marcas nos mercados. À data de publicação deste artigo, o Brent - referência para a Europa - situava-se nos 109 dólares. Antes do conflito, estava a ser transacionado por 72 dólares.
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