Num novo esforço operacional dirigido contra grupos criminosos, unidades de artilharia do Exército Colombiano estão a assegurar apoio directo às acções de combate nos departamentos de Cesar e La Guajira, uma área considerada estratégica no norte do país. No terreno, a 10.ª Brigada, recorrendo às capacidades do Batalhão de Artilharia de Campanha n.º 2, colocou em posição canhões M101 de 105 mm com o objectivo de neutralizar posições inimigas e enfraquecer a estrutura armada das organizações ilegais que actuam na região.
Exército Colombiano: 10.ª Brigada e Batalhão de Artilharia de Campanha n.º 2 com obuses M101 de 105 mm
Segundo imagens divulgadas pelo Exército Nacional da Colômbia, a utilização dos obuses M101 tem permitido executar fogo de apoio nas áreas previamente definidas. Apesar de se tratar de um sistema com muitos anos de serviço, continua a ser visto como fiável, em particular depois de ter beneficiado de actualizações no sistema de controlo de tiro, o que contribui para melhorar a precisão e a eficácia do emprego.
No panorama actual, a artilharia ligeira colombiana conta com canhões M101 e com peças Nexter LG-1 Mk-III de 105 mm. No caso dos M101, o texto de referência indica “cerca de canhões”, sem especificar o número exacto. Já as Nexter LG-1 Mk-III, mais recentes, foram concebidas para operações de desdobramento rápido e são amplamente utilizadas por forças de intervenção, sobretudo em terrenos complexos onde a mobilidade e a rapidez de posicionamento são determinantes.
A aposta em meios de artilharia exige, além do material, um trabalho rigoroso de coordenação e comando e controlo: selecção de posições de tiro, cálculo de trajectórias, sincronização com as manobras no terreno e gestão de janelas de segurança para evitar interferências com outras forças. Em teatros com acessos difíceis, estes factores tornam-se ainda mais relevantes para manter a continuidade do apoio e reduzir a exposição das unidades.
Precedente em 2025: Antioquia e ataques ao Clã do Golfo com 155/52 APU-SBT
Importa sublinhar que o emprego de artilharia contra grupos criminosos não constitui um caso isolado. Em Janeiro de 2025, unidades do Batalhão de Artilharia de Campanha n.º 4 “Coronel Jorge Eduardo Sánchez” realizaram, em Antioquia, ataques contra bases do Clã do Golfo, recorrendo a peças Santa Bárbara Sistemas 155/52 APU-SBT com alcance até 40 quilómetros. Essa operação, conduzida em coordenação com a Força Aérea Colombiana, estabeleceu um precedente ao combinar fogo indirecto com desdobramento aéreo estratégico, visando restabelecer o controlo territorial em zonas fortemente afectadas pela violência.
Relevância crescente da artilharia nas operações terrestres
As acções mais recentes no Cesar e em La Guajira reforçam a percepção de que a artilharia tem vindo a ganhar peso nas operações terrestres colombianas. Com este tipo de emprego, o Exército Nacional da Colômbia procura consolidar a capacidade de conduzir missões de apoio a operações de combate em áreas de difícil acesso, sustentando uma resposta activa perante ameaças internas que continuam a afectar a segurança e a estabilidade do país.
Em paralelo, a utilização de fogo de apoio em ambientes com presença de população e infra-estruturas implica procedimentos exigentes de identificação de alvos, avaliação de riscos e selecção de munições e distâncias de segurança, de modo a limitar danos colaterais. Esta dimensão - técnica e operacional - é parte integrante da eficácia do apoio de fogos e influencia directamente a legitimidade e a sustentabilidade das operações no terreno.
Créditos das imagens: Exército Nacional da Colômbia.
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