Saltar para o conteúdo

O Uruguai avalia a oferta do Reino Unido por três patrulheiros oceânicos classe River após o colapso do contrato com a Cardama.

Três homens, um em uniforme naval, discutem junto ao cais com modelo e planos de navio à frente e um navio real ao fundo.

O Poder Executivo uruguaio está a analisar uma proposta formal, remetida através da Embaixada do Reino Unido, para a aquisição de três patrulheiros oceânicos (OPV) da Classe River (Batch 1) que serão desactivados pela Real Armada Britânica (Royal Navy). A iniciativa surge como resposta imediata à crise de meios que afecta a Armada Nacional e procura evitar novas demoras administrativas na sequência da recente e mediática rescisão do contrato com o estaleiro espanhol Cardama.

Condução política e gestão directa a partir da Torre Executiva

Um dos elementos mais marcantes deste processo é a sua orientação ao nível político. De acordo com várias fontes, a informação recebida e a primeira análise da oferta estão a ser concentradas directamente no Governo Nacional, com coordenação desde a Torre Executiva.

Até ao momento, a proposta ainda não percorreu as fases formais de apreciação técnica nem foi tratada como um requisito orgânico dentro da estrutura da Armada Nacional, o que reforça o carácter extraordinário e pouco convencional da negociação.

OPV da Classe River (Batch 1): perfil das unidades propostas

Os navios colocados em cima da mesa pertencem à primeira série da Classe River, plataformas que desde 2003 têm servido como pilar da Real Armada Britânica (Royal Navy) em missões de vigilância costeira e protecção das pescas. No modelo actualmente considerado, estas unidades poderiam passar a integrar a frota uruguaia por volta de 2028, após a sua saída do serviço activo no Reino Unido.

Especificações técnicas principais

  • Deslocamento: 1.770 toneladas
  • Comprimento (eslora): 79,5 m
  • Velocidade máxima: 20 nós (≈ 37 km/h)
  • Autonomia: 7.800 milhas náuticas a 12 nós (≈ 14.446 km a ≈ 22 km/h)
  • Armamento: um canhão automático de 20 mm
  • Tripulação: 30 efectivos (com capacidade de alojamento até 48)

O desafio das capacidades operacionais

Apesar de se tratar de uma plataforma reconhecida pela sua robustez e historial operacional, existe uma limitação considerada crítica: não dispõe de capacidade para operar helicópteros a bordo. Este ponto é particularmente relevante, porque a existência de hangar e de convés de voo foi uma exigência determinante e restritiva em todos os cadernos de encargos das anteriores tentativas de aquisição.

A eventual aceitação destes navios implicaria, por isso, uma alteração dos critérios de necessidade operacional que, historicamente, foram definidos pela componente naval como essenciais para missões de vigilância, intercepção e resposta rápida no mar.

Integração na frota e implicações de sustentação

Caso a operação avance, será necessário planear com antecedência a adaptação logística e a sustentação ao longo do ciclo de vida: cadeia de sobresselentes, formação de guarnições, documentação técnica e eventual modernização de sistemas antes da incorporação. Estes factores tendem a pesar de forma significativa no custo total de posse e podem condicionar prazos, mesmo quando a plataforma é adquirida como oportunidade.

Do ponto de vista operacional, a incorporação de OPV da Classe River (Batch 1) poderá reforçar a presença no mar e a vigilância de actividades ilícitas, mas também obrigará a ajustar o conceito de emprego, compensando a ausência de aviação embarcada com outras soluções de vigilância e coordenação.

Fotografias utilizadas apenas a título ilustrativo.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário