Apesar de, em Lima, circularem rumores fortes - ainda sem confirmação - de que o Lockheed Martin F-16 estará bem posicionado para ser escolhido pelo governo central como o novo caça multimissão da Força Aérea do Peru, não houve até agora qualquer anúncio oficial. Por isso, o Saab Gripen E continua em plena disputa.
Nesta fase decisiva, chamou a atenção a súbita e intensa presença do gigante norte-americano do sector aeronáutico em vários órgãos de comunicação locais, com destaque para as capacidades do aparelho, depois de um período prolongado de silêncio. Ainda assim, a competição parece hoje assentar não apenas nas valências operacionais do futuro sistema de armas, mas também no peso geopolítico que inevitavelmente acompanhará uma aquisição de elevado valor.
F-16 Block 70 e Saab Gripen E: o que está em jogo na escolha do novo caça multimissão do Peru
O que se tornou evidente é que a decisão deverá ser conhecida nos próximos dias, que o número total de aeronaves não será alterado (mantendo-se em 24) e que o tema das relações internacionais terá um papel central na negociação.
Prazos de entrega: 36 meses em ambos os cenários
Nas últimas semanas, ganhou força a discussão sobre o calendário de entrega do primeiro exemplar, referindo-se potenciais atrasos do fornecedor sueco, em particular no contexto do seu cliente brasileiro. No entanto, fontes ligadas à Saab indicam que, na prática, os prazos seriam muito semelhantes: 36 meses após a assinatura do contrato, tanto para os Gripen E/F como para os F-16 Block 70.
Orçamento: US$ 3,5 mil milhões para 24 aeronaves
Outro ponto determinante é o preço. O orçamento definido pelo Estado está estabelecido em US$ 3,5 mil milhões para duas dúzias de aeronaves. De acordo com o que tem sido referido, este montante não levanta dificuldades no caso do avião sueco, enquanto no caso do caça-bombardeiro norte-americano a margem seria menor, por se tratar de uma opção ligeiramente mais cara.
| Factor | Saab Gripen E/F | Lockheed Martin F-16 Block 70 |
|---|---|---|
| Quantidade prevista | 24 | 24 |
| Prazo indicado | 36 meses após a assinatura | 36 meses após a assinatura |
| Tecto orçamental (Estado) | US$ 3,5 mil milhões | US$ 3,5 mil milhões |
| Enquadramento do preço | Sem inconvenientes apontados | Maior pressão, por ser mais caro |
Compensações industriais e transferência de tecnologia: SEMAN e indústria local
Do lado de quem promove o Fighting Falcon, o argumento central tem sido o benefício de reforçar uma aliança estratégica e, a partir dessa compra aos Estados Unidos, abrir novas oportunidades no domínio da segurança nacional. É verdade que o F-16 é, por si, uma opção sólida. Ainda assim, mantém-se a percepção de que se sabe pouco - pelo menos publicamente - sobre as compensações industriais que poderiam acompanhar essa escolha, sobretudo no que toca à transferência de tecnologia e ao estímulo directo à indústria nacional com impacto na criação de emprego.
Em sentido contrário, a Saab tem vindo, há meses, a detalhar áreas de interesse nacional em que, através do contrato, poderia apoiar o Peru no desenvolvimento de projectos estratégicos, com iniciativas orientadas para tecnologia moderna, criação de conhecimento e geração de postos de trabalho.
Como exemplo, tem sido mencionada a vertente aeroespacial, com transferência de tecnologia a favor do SEMAN e de outras empresas locais, bem como a possibilidade de actuação em sectores adicionais, tais como: - educação; - mineração; - ambiente; - saúde; - segurança cidadã.
Para além do avião: treino, manutenção e capacidade sustentada
Independentemente do vencedor, a escolha não se esgota na plataforma. O impacto real na Força Aérea do Peru dependerá também do pacote associado: formação de pilotos e técnicos, simuladores, documentação e certificações, stock inicial de sobressalentes, contratos de manutenção e a capacidade do país para sustentar a disponibilidade operacional ao longo dos anos.
Também será decisiva a forma como o novo sistema se integrará com infra-estruturas existentes (bases, hangares, ferramentas e procedimentos), bem como com a doutrina, o treino e a prontidão para missões. Em termos práticos, a previsibilidade do apoio logístico e o custo de operação ao longo do ciclo de vida tendem a pesar tanto quanto as prestações de voo.
E o Rafale F4 da Dassault Aviation?
Entretanto, a alternativa francesa, representada pelo bimotor Rafale F4 da Dassault Aviation, aparenta afastar-se gradualmente deste quadro em rápida evolução. Ainda assim, no Peru, nunca se sabe.
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