Perante a recente disseminação de um vídeo nas redes sociais, a Armada Argentina esclareceu que não afundou qualquer navio de pesca na milha 200. A Força mantém, neste momento, meios aeronaval no mar e no ar para missões de controlo e vigilância dos espaços marítimos sob jurisdição nacional, integradas na operação “MARE NOSTRUM VIII”.
Num comunicado curto emitido em resposta à viralização das imagens, a Armada Argentina sublinhou que o conteúdo partilhado não corresponde às acções actualmente em curso, indicando, em síntese, que “as imagens divulgadas nas redes sociais sobre o afundamento de um navio de pesca na milha 200 não têm relação com a operação que está a decorrer neste momento”.
As imagens que circulam online parecem, na realidade, estar associadas ao afundamento do pesqueiro de bandeira chinesa *Lu Yuan Yu 10. O episódio remonta a *março de 2016, quando o navio foi detectado por um patrulheiro da **Prefectura Naval Argentina enquanto realizava pesca ilegal na zona de Puerto Madryn, na província de Chubut.
Segundo a informação então divulgada pelo Ministério da Segurança argentino, o navio infractor terá efectuado, por diversas vezes, manobras com intenção de colidir com o navio da Prefectura, colocando em risco a vida da tripulação do pesqueiro e também a segurança do pessoal da força de segurança marítima. Face a essa escalada, foi dada ordem para disparos dirigidos a diferentes sectores do navio, com o objectivo de provocar avarias que permitissem interromper a fuga e conter o incidente.
Na operação de 2016 participaram o guarda-costas PNA Prefecto Derbes (GC-28) e meios aéreos da Prefectura Naval. Após a intervenção do navio argentino, uma parte dos tripulantes do pesqueiro ilegal transferiu-se para um dos navios que o acompanhavam, enquanto quatro tripulantes se lançaram ao mar, tendo sido resgatados de imediato pelo guarda-costas, conforme foi detalhado na altura pelas autoridades.
Vale recordar que a referência à “milha 200” é frequentemente usada para aludir ao limite das 200 milhas náuticas associadas à Zona Económica Exclusiva (ZEE), área onde um Estado costeiro tem direitos soberanos para explorar, gerir e proteger recursos naturais - incluindo os recursos pesqueiros - e onde a fiscalização marítima tende a ser particularmente exigente.
Além do impacto económico, a pesca ilegal tem efeitos directos sobre a sustentabilidade dos ecossistemas marinhos, afectando a reposição de stocks e a cadeia alimentar. Por esse motivo, operações de patrulhamento e vigilância combinam, cada vez mais, sensores de longo alcance, recolha de dados de tráfego e presença dissuasora no mar para reduzir infracções e apoiar a aplicação da legislação.
Operação “MARE NOSTRUM VIII” da Armada Argentina
A “MARE NOSTRUM VIII” é uma operação da Armada Argentina que se encontra actualmente em execução, orientada para o controlo e vigilância dos espaços marítimos de jurisdição nacional. A missão decorre sob controlo operacional do Comando Conjunto Marítimo, estrutura dependente do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas.
Entre os meios empenhados contam-se o patrulheiro oceânico ARA Storni (P-53), unidade integrada na Divisão de Patrulhamento Marítimo, bem como a aeronave de patrulha marítima de longo alcance P-3C *Orion, pertencente à *Esquadrilha Aeronaval de Exploração**.
De acordo com a Armada Argentina, tanto o ARA *Storni* como o P-3C *Orion* estão a executar tarefas de identificação e monitorização do tráfego marítimo, contribuindo para a protecção dos recursos naturais e para o cumprimento da regulamentação em vigor no Mar Argentino.
Imagem de capa meramente ilustrativa. Créditos: Armada Argentina
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