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A França vai fornecer em breve mais caças Mirage 2000-5 à Força Aérea Ucraniana.

Dois militares observam um caça estacionado numa pista de aeroporto militar num dia de céu limpo.

A Força Aérea Ucraniana confirmou, através de uma breve nota divulgada no seu canal de Telegram, que está a aguardar a entrega de mais caças Mirage 2000-5 por parte da França, com o objectivo de reforçar a sua aviação de combate perante a invasão russa. Esta evolução surge após uma nova ronda de conversações entre o novo Ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, e a Ministra das Forças Armadas francesa, Catherine Vautrin.

Reforço da Força Aérea Ucraniana com Mirage 2000-5 vindos de França

Na parte do comunicado que aborda a transferência iminente, a Força Aérea Ucraniana cita: “A parte francesa está a preparar a transferência de aeronaves Mirage 2000 para a Ucrânia (…) Agradecemos à França o seu contínuo apoio político e militar.” Importa recordar que Kyiv recebeu os primeiros aparelhos concebidos pela Dassault no início de 2025, no âmbito de um acordo bilateral com Paris destinado a reforçar a defesa ucraniana.

Esse entendimento incluiu igualmente a formação, durante vários meses, de futuros pilotos ucranianos em França, bem como trabalhos de adaptação para ajustar o Mirage 2000-5 ao ambiente operacional em que passaria a ser empregado.

Alterações técnicas e integração operacional do Mirage 2000-5

Entre as modificações que terão sido introduzidas contam-se a integração de novas contramedidas de autoprotecção, a actualização do pacote de guerra electrónica e o alargamento das capacidades para realizar ataques a alvos terrestres. Foi também salientado que os aviões foram entregues com radares RDY, apontados como mais capazes do que os modelos RDM e RDI anteriormente utilizados.

Este conjunto de factores terá facilitado uma integração operacional mais rápida da plataforma, embora tenha sido registada a primeira perda ucraniana de um Mirage 2000-5 em Julho de 2025.

Para além da própria disponibilidade das aeronaves, a sustentação de uma frota de Mirage 2000-5 implica uma cadeia de manutenção, abastecimento de peças e preparação de equipas de terra capaz de acompanhar o ritmo de operações. A interoperabilidade com procedimentos e padrões ocidentais - desde a planificação de missão até à gestão de armamento - tende igualmente a ganhar peso à medida que estes meios se tornam mais presentes no dispositivo de combate.

Negociações para armamento adicional: AASM Hammer e SCALP-EG

A nota ucraniana refere ainda negociações com vista a garantir armamento adicional para equipar os aviões de combate da Força Aérea. Um dos pontos mais relevantes é a transferência de um novo lote de bombas aéreas guiadas AASM Hammer. A este respeito, a França associou-se à Noruega para expandir a produção destas munições e facilitar a sua entrega à Ucrânia: Oslo deverá contribuir com mais de 365 milhões de euros, enquanto Paris disponibilizará mais 260 milhões de euros.

Também foi mencionada a possibilidade de fornecimento de um novo lote de mísseis SCALP-EG, de modo a reforçar a capacidade ucraniana de ataque a longa distância. Estes mísseis já foram utilizados em combate em múltiplas ocasiões e estão integrados tanto nos aviões de ataque Su-24 Fencer da Força Aérea Ucraniana como no Mirage 2000-5. O sistema consegue atingir alvos inimigos a distâncias entre 250 e 400 km, recorrendo a algoritmos de reconhecimento automático de alvos, e neutralizá-los com uma ogiva poderosa de 400 kg.

Num contexto de guerra de alta intensidade, a combinação entre caças como o Mirage 2000-5 e munições guiadas como a AASM Hammer e o SCALP-EG tende a influenciar não só a capacidade de ataque, mas também a forma como são geridos riscos operacionais, rotas de aproximação e janelas de oportunidade para atingir alvos de elevado valor.

Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.

Também poderá interessar: França e Noruega irão fornecer bombas guiadas AASM Hammer adicionais aos caças da Força Aérea Ucraniana.

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