O Exército Nacional da Colômbia tem vindo a integrar mulheres em múltiplas funções - administrativas, operacionais, especializadas e noutras áreas - reforçando a instituição e contribuindo directamente para o cumprimento das suas missões. Entre os exemplos mais representativos encontram-se os seguintes percursos.
Capitã Ceira Julieth Califa Suárez - justiça militar, Direitos Humanos e DIH no Exército Nacional da Colômbia
Natural de Tunja, Boyacá, a Capitã Ceira Julieth Califa Suárez é licenciada em Direito pela Universidade Santo Tomás. Possui uma especialização em Direitos Humanos e em Direito Internacional Humanitário (DIH) aplicado a conflitos armados, formação realizada na Escola de Direitos Humanos, DIH e Assuntos Jurídicos do Exército. Acresce ainda um mestrado em Direito do Estado, com enfoque específico em Regulação Mineira, Petrolífera e Energética, pela Universidade Externado da Colômbia. Ingressou no Exército Nacional como oficial do Corpo Administrativo, na área especializada de justiça.
Ao longo de 13 anos de ligação à instituição, desempenhou funções no sector jurídico militar em diferentes cargos, incluindo Assessora Jurídica, Assessora Operacional, Oficial de Gestão de Crises, Oficial de Políticas de Direito Operacional, DIH e Direitos Humanos, Observadora Militar e Oficial Jurídica Integral. Actualmente, encontra-se a liderar a área jurídica da Primeira Brigada do Exército Nacional.
A sua experiência inclui também participação em missões internacionais. Em 2023, foi destacada para a Península do Sinai, no Egipto, integrando o relevo 121 e juntando-se ao Batalhão de Infantaria n.º 3 Colômbia, cuja missão consistia em supervisionar o cumprimento do acordo de paz entre Israel e o Egipto.
O trabalho consistente e a dedicação valeram-lhe várias distinções, nomeadamente:
- Medalha Militar Fé na Causa do Exército Nacional
- Medalha Fé na Causa do Comando-Geral das Forças Militares
- Medalha Ordem Flor do Guaviare
- Medalha Bicentenário da Campanha Libertadora
- Medalha Militar Campanha do Sul
- Medalha Bicentenário da Logística Militar
- Medalha Unidos ao Serviço da Paz
- Medalha Ordem do Mérito Militar José María Córdova
Subtenente Diana Carolina Suárez - drones e aeronaves não tripuladas (BANOT)
A Subtenente Diana Carolina Suárez iniciou a sua preparação como oficial na Escola Militar de Cadetes General José María Córdova (ESMIC). Especializou-se na operação de drones, tornando-se uma das três mulheres que integram o Batalhão de Aeronaves Não Tripuladas, unidade responsável por operar plataformas como o drone Matrice e o VTOL Vector.
Numa primeira fase, desempenhou funções no Batalhão de Infantaria n.º 39 Sumapaz, enquanto oficial responsável por militares sob o seu comando. Actualmente, faz parte do Batalhão de Aeronaves Não Tripuladas (BANOT), sediado em Firavitoba, Boyacá, onde actua como piloto de drones e opera estes equipamentos em missões exigentes orientadas para vigilância, informações (intelligence) e reconhecimento aéreo. Entre outras acções, colaborou no plano de democracia para as eleições legislativas realizadas a 8 de março deste ano, bem como em operações em Tibú e na região de Catatumbo.
Tenente Andrea Torres - pioneira na aviação do Exército com o UH-60 Black Hawk
A Tenente Andrea Torres destaca-se por ser a primeira mulher a pilotar helicópteros no Exército Nacional. Em 2017, concluiu a formação na Escola Militar de Cadetes “General José María Córdova” (ESMIC), graduando-se como oficial da Arma de Informações (Inteligência). Três anos depois, realizou o Curso Básico de Voo na Escola de Aviação do Exército (ESAVE), passando a integrar a Arma de Aviação do Exército.
Posteriormente, completou a especialização técnica para operar o helicóptero UH-60 Black Hawk, afirmando-se como pioneira nesta capacidade e integrando um grupo restrito de 11 mulheres piloto na aviação do Exército. Encontra-se, neste momento, a frequentar o Curso Intermédio na Escola de Armas Combinadas, com vista à progressão ao posto de Capitã.
No terreno, participou em missões de natureza táctica e humanitária, frequentemente em cenários de elevada complexidade. Realizou a evacuação de pelo menos cinco militares feridos em combate, retirando-os de zonas de acesso difícil e assegurando o seu transporte para os hospitais mais próximos. Também cooperou em operações de abastecimento de alimentos e apoio logístico a tropas posicionadas em áreas como selvas e montanhas, além de ter integrado acções associadas ao controlo da ordem pública.
Formação, tecnologia e impacto operacional
Estes percursos evidenciam a transformação do Exército Nacional da Colômbia, onde a formação académica e a capacidade de trabalhar com tecnologias de ponta se tornaram elementos centrais do desempenho. Em áreas como aviação, justiça e aeronaves não tripuladas, os resultados alcançados não se limitam a ultrapassar barreiras de género: reforçam a modernização e a eficácia da força em missões estratégicas e humanitárias.
A incorporação de competências especializadas - do Direito Operacional, do DIH e dos Direitos Humanos, até à operação de drones e aeronaves de asas rotativas - traduz-se em melhores respostas a situações críticas: decisões jurídicas mais robustas, planeamento operacional mais informado e recolha de informação com menor risco para as equipas no terreno.
Ao mesmo tempo, a evolução tecnológica traz exigências adicionais: treino contínuo, actualização de procedimentos, integração entre unidades e cultura de segurança operacional. A consolidação destes perfis no Exército reforça a capacidade de actuação em ambientes variados e contribui para uma força mais preparada para desafios contemporâneos, tanto em operações internas como em missões no exterior.
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