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Fim do Mobilize Duo marca o adeus da Renault ao car sharing


Carro elétrico compacto branco com detalhes amarelos numa garagem moderna com postos de carregamento.

O Grupo Renault recuou na sua estratégia de mobilidade urbana ao confirmar, no final da semana passada, o encerramento de vários programas de partilha de veículos associados à Mobilize. Entre as decisões mais relevantes está o fim da produção do quadriciclo Mobilize Duo.

A empresa enquadrou esta mudança com uma justificação clara: “algumas atividades da Mobilize Beyond Automotive foram descontinuadas devido a baixas perspetivas de lucratividade, ou por não estarem alinhadas com as prioridades estratégicas do Grupo Renault”.

Partilha de veículos e produção: o que vai terminar

No segmento da mobilidade partilhada, o serviço de carsharing elétrico Zity já cessou operações em Milão, em Itália, e está previsto que encerre também em Madrid, em Espanha, no próximo ano.

Em paralelo, a produção do Mobilize Duo - que existe igualmente na versão comercial Bento - deverá ser interrompida em breve, colocando um ponto final num dos projetos mais visíveis da marca no espaço urbano.

A saída destes serviços ocorre numa altura em que várias cidades europeias continuam a endurecer regras de circulação e estacionamento, o que aumenta a pressão para modelos sustentáveis, mas também torna mais exigente a sua rentabilização. Para utilizadores e operadores, a viabilidade depende tanto de escala como de parcerias locais, fatores que nem sempre se consolidam no ritmo necessário.

Grupo Renault e Mobilize: integração de funções e marca

O Grupo Renault vai integrar parte das operações anteriormente conduzidas pela Mobilize. Apesar disso, a marca Mobilize continuará a ser utilizada na área de serviços financeiros, incluindo o RCI Banque. Nas palavras da empresa, “a Mobilize Beyond Automotive não é mais uma entidade autónoma. O uso comercial da marca Mobilize continua para os serviços financeiros e será avaliado para outras ofertas nos próximos meses”.

Esta reorganização traduz uma mudança de enfoque: menos aposta em iniciativas independentes de mobilidade e maior concentração em atividades consideradas prioritárias para o Grupo, com controlo direto sobre recursos e investimento.

Rede de carregamento com metas reduzidas

A rede de carregamento da Mobilize também será incorporada na operação comercial do Grupo, mas com objetivos muito mais contidos. O plano inicial apontava para a instalação de 650 estações de carregamento na Europa até 2028. Agora, a ambição passa a ser de 100 estações em França e Itália até ao final de 2026.

Em simultâneo, os projetos previstos para Bélgica e Espanha foram cancelados, sinalizando um recuo geográfico e uma maior seletividade na expansão.

Este redimensionamento pode ter impacto direto na cobertura e conveniência para condutores de veículos elétricos, sobretudo em rotas e áreas urbanas onde a disponibilidade de carregamento rápido e fiável continua a ser um fator decisivo para a adoção.

Reestruturação, postos de trabalho e novo plano estratégico

François Provost, atual diretor-executivo e sucessor de Luca de Meo, está a reavaliar as operações do Grupo enquanto prepara a apresentação de um novo plano estratégico para o primeiro trimestre de 2026.

A reestruturação deverá afetar cerca de 80 dos aproximadamente 450 postos de trabalho da divisão Mobilize Beyond Automotive. Um porta-voz reforçou que o encerramento destas atividades foi uma decisão “puramente racional”.

A lógica financeira foi também sublinhada por Jérôme Faton, diretor de energia da Mobilize, em declarações à Reuters: “Estamos a rever a alocação de capital do Grupo numa altura em que o setor automóvel enfrenta um contexto desafiante e exige elevados investimentos”.

O que se mantém: Mobilize Charge Pass e carregamento bidirecional (V2G)

Apesar do recuo nas atividades de mobilidade, a Mobilize continuará responsável pela gestão do Mobilize Charge Pass, que permite a cerca de 90 mil utilizadores aceder a uma vasta rede de carregamento na Europa.

Em paralelo, a empresa mantém o desenvolvimento de soluções de carregamento bidirecional (V2G), uma tecnologia com potencial para ligar veículos elétricos à rede elétrica de forma mais inteligente, permitindo, por exemplo, otimizar consumos e contribuir para a flexibilidade do sistema energético.

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