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Protótipo do Bugatti Tourbillon fica preso na neve durante testes na Croácia

Carro desportivo azul escuro Bugatti Chiron em exposição numa sala com chão em mármore preto.

As redes sociais têm estado ao rubro com fotografias de um Bugatti Tourbillon imobilizado na neve, algures na Croácia. Nas imagens, vê-se o hipercarro parcialmente enterrado e, nalgumas, uma pessoa com uma pá a tentar libertar o veículo do gelo e da neve acumulada.

Pelo que é possível apurar, não existe qualquer indicação de que tenha havido um despiste. Ainda assim, a quantidade de neve depositada sobre a carroçaria sugere que o automóvel permaneceu parado no mesmo local durante bastante tempo, antes de surgir ajuda para o “desenterrar”.

O que aconteceu ao Bugatti Tourbillon? Protótipo VP1 em testes de inverno

O contexto ajuda a explicar a situação: o Bugatti Tourbillon continua em fase de desenvolvimento - as primeiras unidades só serão entregues em 2026 - e o modelo apanhado na neve é um protótipo de testes, identificado como VP1, a enfrentar condições reais de inverno croata.

Este tipo de ensaios é habitual no processo de engenharia: temperaturas baixas, piso escorregadio e acumulação de neve permitem validar sistemas críticos como controlo de estabilidade, gestão de tracção, calibração de electrónica e comportamento dos pneus em situações-limite.

Mate Rimac ao volante do protótipo Bugatti Tourbillon

Para alguns, pode ser inesperado ver Mate Rimac aos comandos do protótipo, mas o CEO da Bugatti Rimac é conhecido por estar muito envolvido no desenvolvimento das máquinas que supervisiona. A presença direta em testes no terreno é uma forma eficaz de recolher impressões imediatas e orientar ajustes em tempo real, sobretudo quando se trata de um hipercarro ainda em validação.

Um “monstro” V16 com 1800 cv fora do seu habitat natural

O mais impressionante é que o Bugatti Tourbillon não foi poupado a um cenário mais apropriado para um jipe do que para um hipercarro. Ainda assim, o protótipo foi conduzido em neve profunda, apesar de se tratar de um “monstro” V16 com 1800 cv e com preços a começar nos 3,8 milhões de euros (sem impostos).

Mesmo com a tecnologia disponível, a física impõe limites claros: potência elevada, piso com pouca aderência e neve fofa criam um conjunto particularmente exigente para manter a progressão e evitar que as rodas “abram” caminho até o carro assentar.

Acompanhado por um Rimac Nevera e com pneus de inverno

Nesta saída de testes, o protótipo surge acompanhado por um Rimac Nevera. E, mesmo com pneus de inverno, torna-se evidente a dificuldade destes hipercarros em manter a trajetória correta quando o piso se transforma numa mistura de gelo, neve e lama.

Em cenários assim, a prioridade costuma ser recolher dados e perceber limites de tracção e estabilidade, mais do que procurar velocidade. É também frequente que a equipa teste diferentes modos de condução e afinações de software, precisamente para melhorar a previsibilidade do comportamento em condições adversas.


Porque é que a Bugatti leva um hipercarro para a neve?

Levar um protótipo como o VP1 para o inverno não é apenas uma questão de “provar que consegue”: é uma etapa importante para validar a robustez de componentes e a fiabilidade de sistemas em condições extremas. Além da dinâmica em piso escorregadio, estes testes podem incluir arranques a frio, desempenho de baterias e eletrónica a baixas temperaturas, aquecimento do habitáculo e funcionamento de sensores quando há humidade e gelo.

Também há um fator prático: a neve expõe rapidamente pequenas falhas de calibração. Se um automóvel consegue gerir aderência limitada de forma progressiva, é mais provável que seja previsível e seguro noutras situações de baixa aderência, como chuva intensa, estradas sujas ou superfícies frias.

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