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Os novos sistemas de defesa aérea Cheongung-II (M-SAM Block II) da Coreia do Sul estrearam-se em combate no Médio Oriente

Dois homens, um militar e outro com traje árabe, observam lançamento de míssil no deserto.

Os sistemas de defesa aérea Cheongung-II (M-SAM Block II), de origem sul-coreana, registaram a sua primeira utilização operacional em combate no Médio Oriente, no âmbito do reforço de capacidades avançadas de protecção aérea na região, motivado pelo aumento de ameaças associadas a mísseis balísticos e drones de origem iraniana. Com base em análises recentes de informação de fontes abertas (OSINT), esta utilização representa um marco na projecção internacional da indústria de defesa da Coreia do Sul.

Cheongung-II (M-SAM Block II): exportação para os Emirados Árabes Unidos e reforço urgente de interceptores

No quadro da sua arquitectura de defesa aérea de médio alcance, o Cheongung-II tem sido exportado sobretudo para os Emirados Árabes Unidos, que em 2022 formalizaram um acordo, estimado em cerca de 3,5 mil milhões de dólares americanos, para a aquisição de várias baterias do sistema. Este contrato constituiu um dos maiores êxitos de exportação no sector da defesa para Seul, consolidando a sua posição como fornecedor global de sistemas de defesa antimíssil.

A esta evolução soma-se ainda o envio urgente efectuado há poucas semanas de cerca de 30 interceptores, destinado a reforçar de forma imediata a capacidade de defesa antimíssil do país do Golfo.

Razões do destacamento no Médio Oriente: necessidade crescente contra mísseis balísticos e aeronaves não tripuladas

A colocação operacional destes meios no Médio Oriente responde a uma necessidade crescente, verificada no último mês, de fortalecer as defesas contra ataques com mísseis balísticos atribuídos ao Irão, bem como contra veículos aéreos não tripulados. Em particular, os drones têm sido observados em cenários em que infra-estruturas críticas - como instalações energéticas e centros urbanos - surgem como alvos prioritários destas ameaças.

Capacidades do LIG Nex1 Cheongung-II: intercepção na fase terminal, radares e integração em rede

Desenvolvido pelo fabricante sul-coreano LIG Nex1, o Cheongung-II foi concebido para interceptar mísseis balísticos na sua fase terminal, recorrendo a tecnologia de impacto directo (neutralização por colisão), o que permite eliminar ameaças com elevada precisão. O sistema integra ainda radares avançados de seguimento e controlo de tiro e dispõe da capacidade de operar em rede com outras soluções de defesa aérea, encaixando-se em arquitecturas de protecção em camadas mais abrangentes.

Importa recordar que a Coreia do Sul apenas recebeu a primeira bateria destes sistemas de mísseis em 2020, com entrega à Força Aérea da República da Coreia.

Alternativa a Patriot e THAAD e diversificação de fornecedores

A estreia em combate ocorre também num contexto em que vários países procuram diversificar fornecedores de defesa, reduzindo a dependência de sistemas norte-americanos como o Patriot ou o THAAD. Neste enquadramento, o Cheongung-II tem vindo a afirmar-se como uma alternativa competitiva, tanto pelo custo como pelas capacidades técnicas apresentadas.

Um ponto adicional a considerar é que a diversificação não se resume à aquisição do lançador e dos interceptores: muitos operadores valorizam igualmente a flexibilidade de integração em redes de comando e controlo já existentes, bem como a possibilidade de ampliar gradualmente uma defesa em camadas com diferentes sensores e efectores.

Tendência mais ampla: aumento das exportações militares sul-coreanas

Este desenvolvimento insere-se numa tendência mais vasta, em que a Coreia do Sul aumentou de forma significativa as exportações militares nos últimos anos, incluindo sistemas de artilharia, veículos blindados e aeronaves, reforçando a sua presença em mercados-chave como a Ásia, a Europa e o Médio Oriente.

Em paralelo, o desempenho em ambiente real - ainda que dependente do enquadramento operacional e das regras de empenhamento - tende a ter um efeito directo na credibilidade internacional de um sistema, influenciando avaliações de risco, calendários de aquisição e decisões de modernização por parte de potenciais clientes.


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