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As 10 marcas mais vendidas em Portugal em 2025

Carro elétrico moderno prateado em exposição num salão com janela grande e outras pessoas ao fundo.

O mercado automóvel em Portugal fechou 2025 com um crescimento de 6,2% face ao ano anterior, totalizando 264 821 veículos matriculados, de acordo com os números oficiais da ACAP - Associação Automóvel de Portugal.

Dentro deste volume, os ligeiros de passageiros voltaram a ser o motor do mercado: registaram 225 039 unidades e foram também a categoria com a maior aceleração, ao subirem 7,3%. Já nos ligeiros de mercadorias, contabilizaram-se 32 301 veículos, sem qualquer variação (0%) em comparação com 2024. Por fim, os pesados avançaram 3,2%, alcançando 7481 veículos matriculados.

Com o ano encerrado, torna-se possível perceber com clareza quais foram as marcas mais vendidas em Portugal no segmento de ligeiros de passageiros, bem como identificar as que mais surpreenderam (pela positiva e pela negativa) ao longo de 2025.

Dez marcas mais vendidas em Portugal (ligeiros de passageiros): Peugeot, Renault e Mercedes-Benz em destaque

Posição Marca Unidades (2025) Variação vs. 2024 Nota relevante
1 Peugeot 21 664 +0,2% Quota de mercado de 9,63%
2 Renault 18 099 +19,7% Maior subida entre as dez primeiras
3 Mercedes-Benz 17 736 +6,5% Mantém-se no pódio
4 Dacia 17 442 +7,6% A menos de 300 unidades do 3.º lugar
5 BMW 14 075 +4,9% Crescimento moderado
6 Volkswagen 12 831 +9,3% Segunda maior subida entre as dez primeiras
7 Toyota 11 427 -0,7% Uma das duas marcas a descer
8 Citroën 9525 -1,1% Queda ligeira após constrangimentos no C3
9 Nissan 7886 +3,9% Regresso ao grupo das dez primeiras
10 Kia 7650 +2,0% Entrada no lugar de marcas que perderam força

Peugeot é líder há 5 anos consecutivos

A Peugeot voltou a terminar 2025 no topo das vendas em Portugal - um cenário que se repete, sem interrupções, desde 2021. No total, a marca somou 21 664 unidades e garantiu uma quota de mercado de 9,63%, o que, na prática, representa quase 1 em cada 10 carros novos vendidos no país.

Este resultado foi sustentado pelo apelo de modelos como o 2008 e o 3008, sem esquecer o contributo do mais compacto 208, que continua a reunir preferência junto de muitos condutores portugueses.

Renault encurta distância e aquece a luta para 2026

Apesar de ter ficado atrás da sua rival directa, a Renault aproximou-se de forma relevante. Com 18 099 unidades, registou uma subida de 19,7% face a 2024 - a maior evolução entre as dez marcas mais vendidas em Portugal -, contrastando com o crescimento residual de 0,2% da Peugeot.

Com esta dinâmica, fica no ar a possibilidade de 2026 trazer uma disputa mais renhida pela liderança. Para já, vale a pena acompanhar se o ritmo se mantém ao longo do próximo ano.

Mercedes-Benz fecha o pódio e mantém consistência

A Mercedes-Benz assegurou o terceiro lugar em 2025, ao matricular 17 736 ligeiros de passageiros, o que corresponde a um aumento de 6,5% em termos homólogos.

De resto, Peugeot, Renault e Mercedes-Benz têm marcado presença regular no pódio desde 2019, com uma excepção recente: em 2024, a Dacia tirou a Renault dos três primeiros - ainda assim, “ficou tudo em casa”, já que ambas pertencem ao Grupo Renault.

Dacia quase regressa ao pódio; Volkswagen acelera com novidades e o T-Roc de Palmela

Logo abaixo do pódio, a Dacia ficou muito perto de voltar ao topo: terminou com 17 442 unidades e um crescimento de 7,6%, a menos de 300 unidades da Mercedes-Benz.

Na quinta posição, a BMW fechou o ano com 14 075 unidades (+4,9%). Já a Volkswagen destacou-se pela evolução mais vincada: cresceu 9,3% (a segunda maior subida entre as dez primeiras) e totalizou 12 831 unidades, beneficiando de várias novidades e ainda do impulso associado à nova geração do T-Roc, produzida em Palmela no final de 2025.

Toyota e Citroën são as únicas a recuar no grupo das dez primeiras

As posições sete e oito foram ocupadas por Toyota e Citroën, as duas únicas marcas entre as dez primeiras a registarem descidas, embora ligeiras. A marca japonesa caiu 0,7%, ficando nas 11 427 unidades, enquanto a francesa recuou 1,1%, com 9525 unidades.

No caso da Citroën, depois de os problemas que afectaram a produção do C3 parecerem estar ultrapassados, é razoável antecipar um 2026 mais forte para a marca.

Nissan e Kia entram nas dez mais vendidas; Tesla e SEAT perdem lugar

A fechar o grupo das dez mais vendidas em Portugal surgem duas marcas asiáticas. A Nissan alcançou 7886 unidades (+3,9%) e a Kia terminou com 7650 unidades (+2%).

Ambas não figuravam neste grupo no ano anterior, aproveitando o espaço deixado por Tesla e SEAT, que em 2025 não tiveram um desempenho tão favorável quanto o pretendido.

Fora das dez mais vendidas

Descendo na tabela, há desempenhos que merecem atenção adicional - tanto pelos crescimentos mais expressivos como por quebras mais severas ao longo de 2025.

BYD lidera entre as chinesas; MG também cresce, mas fica mais atrás

A BYD afirmou-se como a marca chinesa mais vendida, terminando como 16.ª marca mais vendida à geral. Somou 6059 unidades e disparou 94,1% face a 2024.

A MG também teve uma evolução muito significativa (73,2%), mas ficou nas 4074 unidades, ou seja, já a quase 2000 unidades de distância da BYD.

Crescimentos mais fortes: domínio chinês (com base baixa) e algumas excepções

As maiores subidas percentuais surgiram sobretudo em marcas chinesas, embora seja importante ter em conta que partiram de volumes reduzidos em 2024:

  • Dongfeng: +1236% (147 un.)
  • Forthing: 1150% (100 un.)
  • XPeng: +946,5% (900 un.)
  • Voyah: +262,5% (29 un.)

Entre as excepções a este padrão, destacaram-se:

  • Abarth: +1100% (24 un.)
  • Alpine: +338,5 (57 un.)
  • KGM: +144,9% (333 un.)

Houve ainda outras marcas com aumentos relevantes, como Polestar (69,8%), Jeep (48,6%), Skoda (+32,4%), Ferrari (+31,3%) e Lexus (+29,5%).

Quedas mais acentuadas: Jaguar, Suzuki, Tesla, DS, Hyundai e Volvo

No lado oposto, a Jaguar teve uma quebra de 80%, ficando-se por apenas 14 carros vendidos. E a perspectiva para 2026 não é animadora: com o fim da produção do F-Pace, a marca britânica ficará sem modelos à venda até chegar a versão de produção do Type 00.

Também registaram descidas relevantes:

  • Suzuki: -45,4% (159 un.)
  • Tesla: -22,3% (7585 un.)
  • DS: -18,8% (783 un.)
  • Hyundai: -13,4% (6252 un.)
  • Volvo: -13,3% (6069 un.)

Dois factores que podem influenciar 2026: disponibilidade, preços e electrificação

Para além do impacto directo dos lançamentos e das actualizações de gama, o desempenho de 2026 deverá continuar a depender de variáveis como a disponibilidade de produto, a estabilidade dos prazos de entrega e a sensibilidade do consumidor ao preço final (incluindo campanhas e condições de financiamento).

Em paralelo, a evolução da oferta electrificada (híbridos e eléctricos) - e a forma como as marcas conseguem alinhar autonomia, equipamento e custo de aquisição - pode voltar a baralhar a hierarquia das marcas mais vendidas em Portugal, sobretudo entre quem compra veículos de empresa e frotas, onde a decisão é frequentemente orientada por custos totais de utilização e fiscalidade.

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