Enquanto as rosas dão trabalho e as hortênsias se ressentem com o calor, há um recém-chegado exótico que floresce de forma discreta quase o ano inteiro: a lantana. No sul da Europa, já há muito que deixou de ser segredo; agora, começa também a ganhar destaque na Alemanha, Áustria e Suíça - e com toda a razão.
Uma visitante tropical que se adapta surpreendentemente bem à Europa Central
A lantana tem origem nas regiões tropicais da América e de África. Nesses locais, cresce espontaneamente à beira de estradas, em encostas ou nas margens de bosques - um sinal claro de que é uma planta resistente. É precisamente essa característica que a torna tão interessante para os jardins desta região.
São típicas da lantana as folhas verdes intensas, ligeiramente ásperas, e os seus cachos densos de flores. As cores variam entre amarelo, laranja, rosa e violeta. Muitas variedades mudam de tonalidade ao longo da floração, fazendo com que um único arbusto pareça, muitas vezes, um pequeno arco-íris.
A lantana está entre os poucos arbustos ornamentais que, com os cuidados certos, conseguem apresentar flores quase durante todo o ano.
Em zonas de clima ameno, o arbusto pode passar o inverno ao ar livre; em regiões mais frias, basta um local sem geada para o abrigar durante essa estação. Quem respeitar algumas regras básicas será recompensado com uma floração praticamente contínua.
Porque é que a lantana é considerada “quase indestrutível”
A lantana é vista como uma planta de manutenção simples, quase impassível. Aguenta sol forte, curtos períodos de seca e até locais ventosos muito melhor do que muitas plantas clássicas de canteiro.
- Tolera muito bem o calor: o sol direto do meio-dia não é problema, antes pelo contrário, costuma estimular ainda mais a floração.
- Pouco exigente na rega: suporta bem alguma secura passageira, embora o encharcamento deva ser evitado.
- Raramente adoece: com luz suficiente e boa circulação de ar, fungos e pragas surgem apenas em casos isolados.
- Floração prolongada: em locais favoráveis, pode florir da primavera até bem dentro do inverno, por vezes sem pausas relevantes.
Por isso, a lantana é especialmente apreciada por jardineiros que não têm disponibilidade para grandes rotinas de manutenção todos os dias. O arbusto tolera pequenos erros, desde que o local e o solo sejam minimamente adequados.
Um íman para borboletas, abelhas e aves
Do ponto de vista visual, a lantana chama a atenção; do ponto de vista ecológico, é uma mais-valia. As suas numerosas flores fornecem alimento contínuo aos insetos - e durante um período muito mais prolongado do que a maioria das herbáceas de jardim.
Entre os visitantes mais frequentes estão:
- várias espécies de borboletas, atraídas pelo néctar,
- abelhas selvagens e abelhas melíferas, que aproveitam a abundância floral como fonte rica de alimento,
- algumas aves, que mais tarde consomem as pequenas bagas.
Quem planta lantana cria no próprio jardim um mini-biótopo com buffet permanente para insetos e aves.
Ao mesmo tempo, o arbusto pode ajudar a reduzir a presença de mosquitos. O aroma intenso das folhas é considerado, em muitas regiões, pouco atrativo para mosquitos. Não se trata de uma solução milagrosa comprovada para tudo, mas encaixa perfeitamente como elemento de um jardim natural e amigo dos insetos.
Onde a lantana melhor se destaca no jardim
Este arbusto pode ser usado de forma surpreendentemente versátil. Adapta-se bem a canteiros tradicionais, vasos, floreiras de varanda ou até pequenas sebes.
No canteiro ou no jardim da frente
Plantada diretamente no solo, a lantana desenvolve-se melhor em terrenos bem drenados. Solos pesados e encharcados são pouco adequados; um substrato solto, arenoso e rico em húmus é o ideal. Nestas condições, pode ser usada como:
- arbusto florido denso em canteiros de perenes,
- planta de preenchimento colorida em zonas onde normalmente pouco cresce,
- sebe baixa em flor ao longo de caminhos ou terraços.
Em regiões com invernos mais rigorosos, muitos jardineiros tratam a lantana como uma planta de verão semilenhosa e colocam exemplares novos todos os anos no canteiro. Quem a quiser manter por mais tempo opta, geralmente, pelo cultivo em vaso.
Em vaso ou na varanda
Na varanda, a lantana é especialmente interessante porque se mantém compacta, mas floresce em abundância. O mais importante é usar recipientes suficientemente grandes, com orifícios de drenagem e uma camada de argila expandida ou brita no fundo.
Em varandas viradas a sul, mostra todo o seu potencial, enquanto muitas outras plantas em vaso rapidamente acusam o calor. Um local soalheiro, regas regulares e adubo líquido ocasional costumam ser suficientes para garantir uma floração quase permanente.
O cuidado mais importante: podar corretamente e manter o crescimento sob controlo
A lantana cresce muito depressa. Sem poda, o arbusto torna-se rapidamente volumoso e pode acabar por ocupar o espaço de outras plantas. Quem quiser mantê-lo controlado deve usar a tesoura sem receio.
| Etapa de cuidado | Quando? | Vantagem |
|---|---|---|
| Poda forte | Final do inverno ou início da primavera | Mantém o arbusto compacto e estimula novos rebentos |
| Poda de formação | Várias vezes durante a estação | Garante uma forma bonita e trava o crescimento excessivo |
| Remoção de flores murchas | Continuamente no verão | Estimula novas florações e melhora o aspeto |
Quem poda a lantana de forma consistente será recompensado com ainda mais flores e um período de floração visivelmente mais longo.
Quanto à rega, aplica-se a regra: mais vale regar bem de uma vez do que pouco e frequentemente. O torrão pode secar ligeiramente por curtos períodos, mas não deve permanecer completamente seco durante vários dias. Pequenas doses de adubo de duas em duas semanas no verão ajudam a reforçar a formação de flores.
Localização, solo e inverno: como manter o arbusto saudável durante anos
Para que a lantana dure vários anos, vale a pena escolher bem o local. O ideal é uma zona protegida e com sol pleno, por exemplo junto a uma parede da casa ou num terraço. O arbusto tolera vento, desde que as temperaturas não permaneçam constantemente abaixo de zero.
Nas regiões mais quentes, exemplares plantados no solo podem resistir a invernos suaves, desde que a terra não congele profundamente durante muito tempo. Em zonas mais frias, o cultivo em vaso é a opção mais aconselhável. Antes das primeiras geadas mais fortes, o vaso deve ser levado para um local claro e fresco, mas sem geada - como uma escada interior ou um jardim de inverno protegido.
Durante o repouso invernal, a lantana precisa de pouca água e não necessita de adubo. Na primavera, assim que deixar de haver risco de geadas noturnas, o vaso pode voltar ao exterior. Com os primeiros dias de sol, o arbusto costuma rebentar novamente com rapidez.
O que mais convém saber sobre a lantana
Muitos jardineiros amadores conhecem a lantana apenas das férias no sul, onde o arbusto aparece em jardins públicos e espaços urbanos. O facto de também se dar bem no espaço de língua alemã surpreende muita gente. Ainda assim, é importante lidar com a planta de forma consciente.
Embora as bagas sirvam de alimento para aves, para pessoas e animais de companhia são consideradas inadequadas. As crianças não devem levar os frutos à boca, e no caso de animais domésticos é aconselhável colocar os vasos um pouco mais altos. Ao podar, pessoas mais sensíveis podem usar luvas, já que a seiva pode causar irritação cutânea.
A lantana torna-se especialmente interessante quando combinada com outras plantas amantes do sol. Em vasos, fica bem com alfazema, escaevola-azul ou plantas de folha prateada, como a santolina. No canteiro, combina bem com perenes resistentes à seca e gramíneas ornamentais baixas. Assim surgem composições fáceis de manter e atrativas durante muitos meses.
Quem até agora só conseguia manter no lugar mais soalheiro gerânios ressequidos ou hortênsias abatidas encontra na lantana uma planta que aprecia precisamente aquilo que leva outras ao limite: sol impiedoso, calor e uma estação longa. Para quem procura cor, vida de insetos e o mínimo de trabalho possível, esta florífera tropical é, sem dúvida, uma opção a ter em conta.
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