Os construtores automóveis vão dispor de um prazo mais alargado para cumprirem as metas de emissões de CO₂ definidas pela União Europeia para veículos ligeiros de passageiros e comerciais.
Até aqui, a indústria tinha como horizonte o final deste ano para alcançar a média de 93,6 g/km de CO₂. Com a nova regra, deixa de contar apenas um ano: passa a considerar-se a média acumulada de três anos, entre o início de 2025 e o final de 2027.
Cada construtor mantém uma meta de emissões própria - a média global é que perfaz os 93,6 g/km -, mas, na prática, isto significa que já não é obrigatório atingir a meta já este ano. Em contrapartida, no fecho de 2027, a média conjunta dos três anos terá de ficar igual ou abaixo do valor fixado para cada construtor.
Se houver incumprimento, o construtor fica sujeito ao pagamento de 95 euros por cada grama adicional de CO₂ acima do limite, por veículo vendido. As projeções indicavam que, já este ano, as coimas poderiam atingir 15 mil milhões de euros.
Segundo a Comissão Europeia, o objetivo desta alteração é “fornecer mais flexibilidade aos construtores para atingirem as metas de emissões”, conforme consta da proposta.
Para além desta flexibilização, os construtores passam também a poder comunicar os seus agrupamentos de emissões (emission pools) até ao final de 2027, em vez de terem de o fazer até ao final deste ano.
A proposta foi aprovada no Parlamento Europeu com uma maioria expressiva: 458 votos a favor, 101 contra e 14 abstenções.
O que muda na prática para os construtores automóveis nas metas de emissões de CO₂
Ao ser avaliada uma média plurianual (2025–2027), os construtores podem gerir melhor oscilações de mercado e ritmos de lançamento de modelos, distribuindo o esforço de redução de CO₂ ao longo de três anos. Ainda assim, a obrigação final mantém-se: no final de 2027, o resultado agregado terá de respeitar a meta estipulada.
Implicações para a estratégia do sector e para os veículos ligeiros de passageiros e comerciais
Esta janela adicional pode influenciar decisões de planeamento, como o calendário de renovação de gamas e a priorização de modelos com menores emissões. Ao mesmo tempo, o risco financeiro continua significativo, dado que a penalização de 95 euros por grama extra de CO₂ por veículo permanece em vigor e pode traduzir-se em valores elevados caso as metas de emissões não sejam cumpridas.
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