Linhas arredondadas, um azul profundo com ar de ganga e uma silhueta baixa estão a reaparecer, de forma discreta, em muitas salas este ano - e não é por acaso. Há um regresso claro a peças com carácter, que parecem familiares sem soar a “velharias”.
Com os dias mais frios e as noites mais longas, cresce a vontade de ter espaços confortáveis, descontraídos e fáceis de reorganizar. É nesse cenário que a IKEA foi ao arquivo e recuperou um modelo dos anos 70 que os fãs de design têm seguido de perto. O resultado é um relançamento marcante, alinhado com a obsessão atual por mobiliário modular e nostálgico.
O regresso aos anos 70 da IKEA: porque a cadeira-cama VÅRKUMLA importa agora
A protagonista do momento é a VÅRKUMLA, uma cadeira-cama baixa e compacta, desenhada originalmente em 1973 com o nome TAJT por Gillis Lundgren. Regressa integrada na coleção Nytillverkad, uma linha cápsula que revisita peças de arquivo com materiais, cores e padrões de conforto mais atuais.
VÅRKUMLA cruza três grandes tendências: casas pequenas, divisões modulares e o renovado apetite pelo design dos anos 70.
Nas redes sociais e em fóruns de design, o modelo já gerou comentários tanto de colecionadores como de jovens inquilinos que procuram algo com mais personalidade do que o típico sofá-cama. A VÅRKUMLA oferece esse híbrido: meio poltrona de descanso, meio cama extra, meio peça de destaque.
Uma referência aos anos 70 vestida de ganga
A primeira coisa que salta à vista é a capa: um tecido azul profundo Vansta, com aspeto de ganga. É uma piscadela de olho à década em que os jeans passaram de roupa de trabalho a uniforme diário - e esse visual casual entra agora na sala.
Em termos visuais, a cor funciona quase como um azul-marinho neutro, mas com mais presença do que o cinzento. Combina bem com:
- madeiras quentes como carvalho, nogueira ou teca
- almofadas em tons terracota ou ferrugem
- tapetes em creme e paredes branco-sujo
- pormenores metálicos em latão ou aço preto
A mistura de algodão denso e poliéster reciclado dá um toque macio e ligeiramente estruturado, mais próximo de um bom par de jeans do que de uma capa delicada. Essa textura liga diretamente ao ambiente setentista que tanta gente procura: tátil, descontraído, sem pretensões.
Porque é que os fãs de vintage ligam a esta reedição
Para quem gosta de design, isto não é apenas mais um lançamento. As peças de arquivo da IKEA ajudam a contar a evolução do “design democrático”, desde experiências com flat-pack até soluções inteligentes para casas pequenas. A TAJT, versão original da VÅRKUMLA, espelhava esse espírito com almofadas simples, estrutura em aço e uso flexível.
Ter a VÅRKUMLA de volta às lojas dá acesso a uma peça da história do design da IKEA sem a caça a um modelo em segunda mão já gasto.
Os colecionadores costumam vasculhar plataformas de revenda à procura de módulos semelhantes dos anos 70, muitas vezes com preços imprevisíveis e espuma cansada. Com a Nytillverkad, a IKEA praticamente “normaliza” esse look retro, mas com espumas modernas, materiais reciclados e uma garantia longa. Para muitos, isso transforma uma compra impulsiva e arriscada numa escolha mais ponderada, com um bónus de nostalgia.
Mais do que um sofá: conforto modular para casas reais
Onde a VÅRKUMLA se destaca mesmo é na forma como assume várias funções em espaços compactos. Em vez de um sofá pesado que domina a divisão, ganha-se um elemento leve e baixo que muda consoante o dia.
De cadeira a cama: como funciona o sistema
A estrutura é composta por duas almofadas principais que se desdobram, formando um único colchão com cerca de 220 cm de comprimento. Em modo assento, a área ocupada fica à volta de 91 × 90 cm. Em modo cama, estende-se para 220 × 91 cm.
| Configuration | Dimensions (approx.) | Main use |
|---|---|---|
| Seat | 91 × 90 cm | Lounge chair, reading corner |
| Bed | 220 × 91 cm | Single guest bed |
A transformação exige apenas alguns movimentos. Não há um mecanismo metálico escondido, nem um encosto pesado para andar à luta. Para inquilinos e estudantes que mudam a disposição da casa com frequência, este detalhe pesa tanto como a estética.
Cenários ideais para a VÅRKUMLA
O formato aponta para casas que precisam de lugares versáteis e, de vez em quando, uma cama extra. Exemplos típicos:
- um estúdio onde a mesma peça funciona como sofá durante o dia e cama de convidado
- um quarto de adolescente que precisa de um sítio extra para dormir quando os amigos ficam
- um escritório em casa que também faz de quarto de visitas
- um canto de TV onde estar mais perto do chão sabe melhor do que num sofá rígido
A VÅRKUMLA é para quem quer liberdade para reconfigurar uma divisão sem investir em mobiliário oversized.
O formato de cama individual faz mais sentido para uso ocasional do que como cama principal. Tem um comprimento adequado para adultos, mas a largura aproxima-se mais de uma cama de solteiro generosa do que de uma cama de casal pequena. Para dormidas frequentes, alguns compradores podem preferir juntar dois módulos lado a lado.
Materiais, durabilidade e a aposta dos 10 anos
Por baixo do visual casual de ganga, a construção segue a tendência recente da IKEA para materiais mais robustos e bem documentados. A estrutura é em aço, e a espuma de alta densidade inclui uma percentagem significativa de conteúdo reciclado. Nas zonas de maior desgaste, há elementos em pele bovina de flor integral, que envelhecem melhor do que alternativas sintéticas.
A manutenção é simples: aspirar regularmente e limpar pontualmente com um pano húmido. A capa não vai à máquina de lavar, o que pode preocupar famílias com crianças pequenas ou animais. Muitos utilizadores acabarão por colocar uma manta fina ou uma plaid de proteção no dia a dia.
Uma garantia de 10 anos reforça a ideia de uso prolongado. Para uma peça com preço a rondar os 279 euros na Europa continental, esse horizonte sugere uma viragem: menos descartável, mais pensado, mais duradouro.
Para quem esta cadeira-cama retro é mesmo
O relançamento pode interessar a muita gente, mas há perfis que encaixam particularmente bem.
- Inquilinos em cidades que mudam de casa com frequência e evitam sofás de canto volumosos
- Jovens profissionais a montar a primeira sala “de adulto” com um orçamento controlado
- Fãs de vintage que querem um ambiente anos 70 sem restaurar um original frágil
- Anfitriões que precisam de uma cama extra algumas vezes por ano, não todas as semanas
Quem vive em casas grandes pode olhar para a VÅRKUMLA como assento secundário: para um canto de leitura junto à janela, uma sala de jogos, ou uma zona descontraída no patamar perto dos quartos. Em casas pequenas, pode assumir o papel principal como bloco central de assentos à volta de uma mesa baixa.
Pontos fortes e limites: o que ponderar antes de comprar
Os pontos fortes são fáceis de identificar:
- um design com inspiração nos anos 70 que soa atual, sem parecer disfarce
- um preço relativamente acessível para uma peça de marca baseada em arquivo
- transformação simples de assento em cama individual
- altura baixa que “abre” a vista em divisões pequenas
- um visual que funciona tanto em decoração minimalista como maximalista
Há também algumas limitações a ter em conta:
- capacidade de dormir para uma pessoa, mais indicada para visitas do que para uso diário por um casal
- capa não removível e sem lavagem na máquina, o que pede cuidados no dia a dia
- o tom de ganga marcado, que pode não combinar com interiores muito formais ou ultra-minimalistas
Estilo anos 70, necessidades dos anos 2020: como integrar em casa
A VÅRKUMLA encaixa bem no revivalismo dos anos 70, ao lado de bombazina, candeeiros curvos e mesas de centro baixas. Para evitar um efeito “cenário”, os stylists costumam equilibrar referências vintage fortes com peças mais calmas e contemporâneas.
Algumas combinações fáceis:
- juntar o assento azul-ganga a um tapete de lã neutro e uma estante em carvalho de linhas direitas
- acrescentar uma ou duas almofadas com padrão em mostarda, laranja queimado ou castanho chocolate
- usar um candeeiro simples em papel de arroz ou em forma de cogumelo para suavizar a zona
- manter a tecnologia discreta, com uma coluna pequena em vez de um sistema de som enorme
O objetivo é uma divisão descontraída e com camadas, onde a nota retro parece natural, não teatral.
Em espaços muito apertados, o perfil baixo também muda a perceção: a linha de visão passa por cima do móvel, e a sala parece menos “cheia”. Esse efeito pode contar tanto como a capacidade de arrumação ou o número de lugares quando se planeia a disposição de um T0 com 25 m².
Para lá da VÅRKUMLA: o que isto diz sobre tendências no mobiliário
O regresso desta cadeira-cama aponta para uma mudança maior no mobiliário mainstream. As grandes marcas começaram a reciclar a própria história, tal como marcas de moda trazem de volta ténis ou malas de arquivo. Para quem compra, isso tem duas consequências práticas.
Primeiro, o “vocabulário” do design torna-se mais familiar. Formas que antes pareciam de nicho - como módulos baixos ou almofadas monobloco - surgem agora no retalho de grande escala. Isso facilita misturar peças em segunda mão com compras novas sem choque visual.
Segundo, a modularidade passa de lojas especializadas para o mercado do dia a dia. Peças que funcionam como assento, espreguiçadeira e cama respondem diretamente a realidades habitacionais instáveis: casas partilhadas, mudanças frequentes, divisões com vários usos. Em vez de comprar camas de hóspedes, cadeirões e daybeds em separado, muita gente prefere um só item que se adapta ao ritmo de vida.
Para quem está a pensar renovar uma sala pequena, a VÅRKUMLA serve como teste. Dá para desenhar um layout com dois destes módulos, uma mesa baixa e uma estante estreita, e comparar com uma solução mais clássica de sofá mais cadeirão. Para lá da estética, este exercício costuma revelar formas diferentes de viver o espaço: mais tempo no chão, encontros mais informais, e reconfiguração mais fácil para ioga, jogos ou sessões de trabalho em casa.
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