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193 suicídios na GNR e PSP em 25 anos: SIAP critica Governo e regista 11 mortes

Dois polícias em uniforme conversam numa sala, um consola o outro que parece preocupado ou triste.

Ao longo dos últimos 25 anos, 193 profissionais da GNR e da PSP morreram por suicídio. Depois de uma fase de aparente estabilização, o total anual voltou a crescer, atingindo 11 mortes no ano passado. Miguel Rodrigues - polícia, dirigente do Sindicato Independente dos Agentes de Polícia (SIAP) e docente universitário - considera os valores alarmantes e aponta críticas à forma como o Governo tem tratado este tema.

"A questão é urgente, mas essa urgência não está a ser tida em conta pelo Governo. Houve uma desvalorização do tema ao ponto de, mais de um ano depois do anúncio da criação do grupo de análise retrospetiva de suicídios nas forças de segurança, não termos conhecimento de nada ter sido feito", defende.

Plano do SIAP e resposta governamental

O responsável sindical lembra que o SIAP entregou às então ministras da Administração Interna, Margarida Blasco e Maria Lúcia Amaral, um plano de prevenção do suicídio na PSP, mas nenhuma das medidas sugeridas chegou a ser aplicada. O mesmo documento, acrescenta, foi novamente apresentado a Luís Neves, que assumiu a tutela no final de fevereiro.

"As duas ministras não nos deram feedback, nem vimos as medidas propostas introduzidas em nenhum documento. Depois da reunião com o atual ministro, ficamos com uma expetativa otimista, pois ele demonstrou real interesse e sensibilidade pela problemática", refere Miguel Rodrigues.

Subida em 2025

Informação reunida pelo SIAP indica que, entre 2000 e 2025, se registaram 193 suicídios entre polícias: 99 na PSP e 94 na GNR. Os anos com maior gravidade foram 2008 e 2015, com 15 vítimas contabilizadas em cada um desses períodos.

Nos dados mais recentes, a tendência tinha sido de estabilidade: em 2021, 2022 e 2023 verificaram-se oito suicídios por ano. Já em 2024 o número desceu para seis; no entanto, no ano passado, voltou a aumentar para 11.

Fatores apontados para os suicídios nas forças de segurança

"Ainda não foi possível encontrar uma explicação única para este aumento, mas as principais razões para os suicídios estarão intrinsecamente relacionadas com os impactos negativos da profissão, ressaltando-se: baixos ordenados, falta de condições de trabalho, distância da família, escassa formação sobre prevenção do suicídio, desvalorização social da profissão e o fácil acesso a armas de fogo. Tudo isto tem impacto na saúde mental dos polícias", justifica Miguel Rodrigues

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