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Rei Carlos III diz que as Bermudas são "um membro muito querido" da família britânica na primeira visita oficial

Homem idoso de fato claro aperta a mão de menina com bandeira britânica em jardim com mapa e sino ao fundo.

O Rei Carlos III do Reino Unido classificou as Bermudas como "um membro muito querido e importante da família" britânica, na sua primeira visita oficial ao território ultramarino desde a ascensão ao trono.

Rei Carlos III nas Bermudas: discurso na Casa do Governo

"Para a minha família, em particular, as Bermudas têm um significado especial", afirmou o monarca na sexta-feira, num discurso na Casa do Governo divulgado pelo jornal local Royal Gazette.

No mesmo contexto, Carlos III lembrou que os seus pais, Isabel II e Filipe, duque de Edimburgo, escolheram as Bermudas como primeira paragem da digressão de coroação em 1953.

O rei evocou ainda a sua primeira deslocação ao arquipélago, em 1970, quando era príncipe de Gales: tinha então 21 anos e conseguia "subir aos saltos os 185 degraus do farol de Gibbs Hill".

"Apesar dos anos que passaram, a impressão que este extraordinário arquipélago me deixou não se desvaneceu, e foi um imenso prazer conhecer tantas pessoas especiais das ilhas", frisou.

Visita ao Museu Nacional das Bermudas e o papel no Atlântico

Segundo a agência de notícias espanhola Efe, tanto no discurso como na passagem pelo Museu Nacional das Bermudas não terá existido qualquer referência ao tráfico transatlântico de escravos.

De acordo com um comunicado da Casa Real, o monarca percorreu uma mostra de artefactos provenientes de naufrágios históricos e recebeu informação adicional sobre o papel das Bermudas no Atlântico, explicada pela diretora executiva do Museu Nacional, Elena Strong.

Citada pelo Royal Gazette, Strong disse que a visita foi curta, mas relevante, acrescentando que o rei estava "muito interessado no papel das Bermudas no Atlântico e no património dos naufrágios".

No Museu Nacional, encontra-se uma exposição com narrativas na primeira pessoa, imagens, objetos e artefactos de naufrágios que descrevem a evolução da escravatura transatlântica e as suas ligações às Bermudas, território afetado por este flagelo desde os primeiros anos da colonização, após 1612, até à abolição em 1834.

"Aprenda sobre o tráfico de escravos no Novo Mundo: de África à América passando pela infame 'Pasagem do Meio', as privações dos cativos na América e a luta pela abolição", lê-se no site do Museu a propósito da exposição.

Antes da chegada do monarca, o governador das Bermudas, Andrew Murdoch, tinha explicado que a visita a esta exposição permitiria a Carlos III "aprofundar a compreensão sobre o tráfico transatlântico de escravos".

Reparações, mensagem do governador e encontros no arquipélago

Várias antigas colónias e territórios britânicos ultramarinos reclamam ao Reino Unido reparações associadas ao tráfico transatlântico de escravos, mas Londres tem evitado, por enquanto, apresentar desculpas formais e assumir compromissos.

Na sexta-feira, o governador limitou-se a dizer que esperava que a presença do rei tivesse evidenciado o melhor das Bermudas e descreveu o arquipélago como "uma joia no Atlântico, um membro valioso da família britânica".

No primeiro dia no território, Carlos III encontrou-se também com bailarinos do Grupo Nacional de Gombey, com jovens atletas e com membros de organizações juvenis, além de representantes do Prémio Internacional Duque de Edimburgo e dos Cadetes Navais das Bermudas, entre outros.

Antes disso, visitou a reserva natural em Harrington Sound para conhecer trabalhos de conservação ambiental e a biodiversidade local, e assinalou o centenário do Aquário, Museu e Jardim Zoológico.

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