A maratona artística Serralves em Festa estende-se por 50 horas de programação gratuita, entre 29 e 31 de maio. O cartaz soma 160 espetáculos assinados por mais de 600 artistas de 34 países.
A celebrar a 20.ª edição, o festival volta a reunir nomes marcantes da música - dos norte-americanos Cybotron aos ingleses The Sabres of Paradise, passando pelos portugueses Mão Morta - e propostas que juntam criadores como Tiago Rodrigues, Cláudia Varejão e Isaac Chong Wai. Ao todo, serão 50 horas de atividades ininterruptas, com 650 artistas provenientes de 34 países, distribuídos por 160 propostas artísticas. E, como sempre, a entrada é gratuita.
Arranque na cidade com “Caravanserá”
Descrita por Philippe Vergne, diretor do Museu de Serralves, como "A prenda para a comunidade", a Festa começa no dia 28 com “Caravanserá”, um desfile sensorial do coreógrafo brasileiro Gustavo Ciríaco. Com 80 intervenientes, a ação espalha-se por ruas do Porto num género de corso carnavalesco alternativo, cruzando dança e artes visuais, em homenagem à artista brasileira Maria José Ciríaco.
Artes performativas no Serralves em Festa: entre risco e participação
Sempre plural, a programação de artes performativas será este ano ainda mais "esperançosa e irrequieta", garantiu a coordenadora Cristina Grande. Essa intenção traduz-se em propostas como “Respire a grande travessia”, em que acrobatas procuram manter o equilíbrio a 11 metros de altura, numa corda bamba com 75 metros de comprimento, ou “Fazer uma canção”.
No caso do Teatro Praga, trata-se de "uma aula performativa" que parte da vida e da obra de José Barata Moura e Alex D"Alva Teixeira. Outro dos momentos mais aguardados é “Karaoke”: um projeto curatorial no qual vários artistas produzem vídeos para canções pop, "ativados pela participação do público", segundo a organização.
Música: do novo espetáculo dos Mão Morta às grandes referências
Na vertente musical, os mais de 250 mil visitantes esperados poderão conhecer o novo espetáculo dos Mão Morta, nascido de uma colaboração com o acordeonista João Barradas e a artista plástica Mariana Vilanova.
De Cybotron a O’Malley
Dentro das 50 horas sem pausa cabem concertos de grupos carismáticos como os Cybotron, de Detroit - que em 1980 ajudaram a afirmar o techno como linguagem essencial da eletrónica -, os londrinos Factory Floor ou The Sabres of Paradise. Também ganha destaque You Origin, projeto de Stephen O"Malley com o conjunto Alponom, que apresenta uma nova composição para 10 trompas alpinas.
O curador musical Pedro Rocha aponta "a ideia de continuidade" do alinhamento, capaz de atravessar rock, jazz e eletrónica sem "quaisquer hierarquias".
Cinema na Casa Manoel de Oliveira
No cinema, a Casa Manoel de Oliveira propõe um novo olhar sobre a obra do realizador, a partir de filmes diretamente ligados ao Porto.
Destaques
Conan Osíris
De volta ao Porto, depois de duas apresentações recentes na Casa da Música para apresentar o novo disco, o músico e performer deverá assinar um dos concertos mais disputados desta edição. A mistura de pop e eletrónica, com elementos tradicionais, será uma presença esperada.
Dame Area
A italiana Silvia Konstance e o espanhol Viktor L. Crux formam este duo intenso, representante da onda tribal e de estéticas como o pós-punk, o industrial e o gótico.
Cremalheira do Apocalipse
Neste projeto artístico nascido em Rio Tinto, a música cruza-se com a inclusão social, reunindo cerca de 20 intérpretes movidos por um desejo de transformação.
“Caindo ao contrário”
Nesta performance que conjuga vídeo, desenho e instalação, Isaac Chong Wai, artista de Hong Kong, "inverte os movimentos físicos da queda como forma de resistência contra o racismo anti-asiático".
Konono N.º 1
Verdadeira instituição artística na República Democrática do Congo, os Konono N.° 1 cruzam há mais de cinco décadas as tradições musicais do seu país com texturas eletrónicas.
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