Manifestação do 1.º de Maio da CGTP em Lisboa
Milhares de pessoas marcaram hoje o Dia do Trabalhador em Lisboa, num desfile que ligou o Martim Moniz à Alameda D. Afonso Henriques. A iniciativa ficou também assinalada pelo anúncio de uma greve geral marcada para 3 de junho, em oposição ao pacote laboral.
Ao ritmo de bombos, a marcha organizada pela CGTP seguiu pela Avenida Almirante Reis. Entre as presenças mais evidentes estiveram sindicatos de vários setores - como professores, polícias e transportes -, enquanto a direção da central sindical recebeu cumprimentos do secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, do secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, do coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, e da líder parlamentar do Livre, Isabel Mendes Lopes.
Tiago Oliveira e o apelo à greve geral de 03 de junho
No comício de encerramento das comemorações do Dia do Trabalhador promovidas pela CGTP, em Lisboa, o secretário-geral, Tiago Oliveira, deixou um apelo direto à adesão dos trabalhadores à greve geral de 03 de junho, como expressão de “a indignação” e de “a exigência” de derrota do pacote laboral.
"Vamos afirmar a nossa indignação e protesto, a exigência de uma vida melhor, da derrota do pacote laboral, vamos afirmar a poderosa força dos trabalhadores. Todos juntos vamos realizar uma grande greve geral no próximo dia 03 de junho", disse Tiago Oliveira no comício final da manifestação que assinalou as comemorações do Dia do Trabalhador da CGTP, em Lisboa.
Rejeição do pacote laboral e críticas ao Governo
O dirigente sublinhou a necessidade de mobilização “para a luta” e defendeu a “convergência de todas as estruturas” sindicais, reiterando a oposição ao pacote laboral. Na sua intervenção, considerou que aquilo que o Governo “está a fazer é um dos maiores ataques de sempre”, por representar “um autêntico retrocesso para quem trabalha”.
Tiago Oliveira referiu ainda que passaram nove meses em que, segundo afirmou, o Governo evitou o debate com a CGTP, por esta ter denunciado desde o início o teor do pacote laboral e o seu impacto na vida dos trabalhadores. Sustentou, por isso, que o executivo continua “a insistir com tudo o que de mais grave tem o pacote laboral”.
Salários, horários e Constituição
No final da manifestação, que teve cerca de duas horas, o secretário-geral da CGTP exigiu igualmente um aumento salarial de 15%, num montante não inferior a 150 euros, justificando a reivindicação com a subida do custo de vida.
"Nos locais de trabalho e empresas cujos aumentos salariais verificados foram insuficientes e não responderam às necessidades e reivindicações dos trabalhadores, exigimos aumentos intercalares para fazer face ao brutal aumento do custo de vida."
No discurso, defendeu também “o fim de todos mecanismos de desregulação do horário de trabalho, bancos de horas e adaptabilidades” e a implementação das 35 horas semanais para todos os trabalhadores.
Tiago Oliveira afirmou ainda que "o problema, "ao contrário do que alguns querem fazer crer, não está no conteúdo da Constituição, mas sim no seu incumprimento".
Palavras de ordem e participação
A marcha avançou em passo lento, reunindo sindicalistas, trabalhadores, jovens e reformados ao longo da tarde. Entre tarjas, bandeiras e cartazes, ouviram-se em uníssono palavras de ordem como:
- "Não vamos desistir, o pacote é para cair"
- "Só interessa ao capital, o pacote laboral"
- "O pacote laboral é retrocesso social"
- "O povo está na rua, a luta continua"
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