Detentor de sete Ligas Europa, o Sevilha está atolado numa crise financeira séria e tem cinco jornadas para fugir à vergonha da descida.
Sete Ligas Europa e o abismo na La Liga
Sete Ligas Europa, uma Supertaça europeia e, 25 anos depois, o Sevilha encontra-se mais perto do que nunca de uma despromoção impensável ao segundo escalão. A instabilidade já vinha a desgastar o mítico Sánchez Pizjuán há algum tempo, mas raramente foi tão funda - e tão alarmante - como no momento atual, no culminar de uma decadência desportiva e financeira que se agravou de forma clara nas últimas três temporadas.
A cinco jornadas do fim da La Liga, os "rojiblancos" ocupam zona de despromoção e a forma como reagiram ao desaire da ronda anterior (2-1 com o Osasuna), selado com um golo aos 90+9 minutos, não ajuda a dissipar o pessimismo.
Pamplona, El Sadar e sinais de descrença
Se se confirmar o pior, talvez o episódio simbólico do princípio do fim se encontre em Pamplona, mais exatamente no El Sadar. Mal soou o apito final, houve jogadores que se deixaram cair no relvado, outros não conseguiram conter as lágrimas e, em muitos, o gesto foi o mesmo: mãos na cabeça, em choque.
Nas bancadas, no setor destinado aos adeptos visitantes, o cenário repetiu-se. Mesmo estando apenas a um ponto da primeira equipa acima da linha de água, poucos parecem verdadeiramente confiar na permanência - também por incredulidade perante o caminho que o clube tomou depois do período mais brilhante de toda a sua história.
Saídas, presidência e o peso da crise financeira
A perda de influência começou a sentir-se com as saídas de Monchi - primeiro em 2016 e depois em 2023 -, o diretor desportivo que transformou a política de futebol do clube e esteve na origem de grande parte do sucesso, particularmente visível nas noites europeias. Ainda assim, o golpe mais duro, com efeitos potencialmente irreversíveis, terá sido a chegada de José María del Nido Carrasco à presidência, em 2023.
O impacto foi de tal ordem que o próprio pai, José María del Nildo, presidente entre 2003 e 2013 e condenado a sete anos de prisão por corrupção, passou a ser um dos rostos mais críticos do rumo seguido pelo emblema andaluz sob a liderança do filho.
Entretanto, o Sevilha que se habituou a disputar os lugares cimeiros da La Liga passou, nos últimos anos, a não ir além da segunda metade da tabela. Um 12.º lugar em 2022/23, um 14.º em 23/24 e um 17.º na época passada não só confirmaram a quebra de qualidade do plantel, como expuseram as dificuldades financeiras que têm vindo a asfixiar o clube e que impuseram um corte severo no investimento em jogadores.
A um ponto de ilustrar essa realidade, o reforço do plantel atual - agora orientado por Luís García há quatro jornadas - não passou dos... 250 mil euros. Segue-se a despromoção?
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário