A Donkervoort, marca desconhecida para grande parte do público, apresentou o novo P24 RS: um supercarro de vocação purista, limitado a apenas 150 unidades, que se somam às menos de 2000 já vendidas desde o início da actividade da empresa.
Criada em 1978, a Donkervoort nasceu do projecto pessoal de Joop Donkervoort e continua a ser uma casa marcadamente familiar, actualmente dirigida por Denis, filho do fundador, igualmente ligado ao mundo do automóvel e da competição.
Para lá do trabalho de gestão, Denis Donkervoort combina formação na área da administração com um historial competitivo consistente em pista, com triunfos e títulos importantes, incluindo resultados de destaque em GT4 e karting, sempre ao volante - e em nome - da Donkervoort.
Este envolvimento reflecte-se no desenvolvimento do P24 RS, onde se nota a mão de Denis em múltiplos detalhes, em linha com a sua intenção de posicionar a Donkervoort como referência no universo dos desportivos e supercarros.
“Os automóveis desportivos estão dentro de mim desde um tempo em que ainda nem sabia andar, mas agora em vez de simplesmente os poder observar ou andar neles, tenho o privilégio de os projetar”.
Denis Donkervoort, CEO da Donkervoort
Antes de chegar formalmente ao cargo de director-executivo, Denis Donkervoort já assegurava a condução diária do negócio, num período de transição em que recebeu do pai conhecimento essencial sobre materiais ultraleves e de elevada rigidez.
Em simultâneo, está à frente da Ex-Core Technologies, focada no desenvolvimento de compósitos para monolugares de F1 e para o campeonato do mundo de resistência (WEC), bem como para iates de competição e drones. A marca sempre se interessou por soluções tecnológicas avançadas, mas a prioridade mantém-se: “gerar fortes emoções ao ser humano”.
Filosofia “o piloto primeiro” no Donkervoort P24 RS
Com um capot longo e uma traseira curta, o P24 RS conserva as proporções clássicas da Donkervoort - uma alusão directa ao Lotus Seven, que serviu de referência aos primeiros automóveis da marca. As rodas dianteiras expostas continuam presentes, ajudando o condutor a ler a pista e a colocar o carro com maior precisão nas trajectórias. Como opcional, existe um pacote aerodinâmico pensado para utilização em circuito e, ainda, faróis dianteiros que se deslocam para o exterior, uma novidade no sector automóvel.
Jordi Wiersma, responsável pelo estilo na Donkervoort, destaca um pormenor específico da frente do P24 RS, desenhado por si. “Os faróis dianteiros em lâmina, escondem-se do fluxo de ar quando não são necessários e depois expandem-se horizontalmente para ajudar a direcionar o ar por cima dos componentes da suspensão”.
“Tivemos de fazer o possível para minimizar a resistência ao ar, sem comprometer a carga aerodinâmica, essencial para o equilíbrio dinâmico”.
Jordi Wiersma, diretor de estilo da Donkervoort
Wiersma chama também a atenção para as exigências aerodinâmicas associadas aos pneus expostos. Daí a existência do kit aerodinâmico opcional, que permite obter 90 kg de força descendente em ambos os extremos do P24 RS a 250 km/h, sem comprometer a meta de uma velocidade máxima superior a 300 km/h.
A filosofia “o piloto primeiro” mantém-se ao abdicar de camadas electrónicas que filtrariam a ligação entre asfalto, pneus e condutor. Não há controlo de estabilidade, nem vectorização de binário, nem direcção assistida, nem travagem de emergência. “O P24 RS não isola o condutor da superfície do asfalto. Expõe-no por completo”, é um dos princípios defendidos pela marca.
Primeiro V6 de sempre
No centro do P24 RS está um V6 de 3,5 litros, biturbo, o mesmo utilizado pelo Ford GT, quebrando a «tradição» de recorrer ao cinco cilindros em linha da Audi nos seus modelos.
Trata-se do primeiro V6 alguma vez instalado num Donkervoort e, embora assente numa base Ford, inclui diversos elementos específicos: turbocompressores, intercooler, condutas de admissão em fibra de carbono e um sistema de escape impresso em 3D (-6 kg). O conjunto fica abaixo dos 170 kg, contribuindo para o peso em vazio de 780 kg do P24 RS.
O motor usa bloco em alumínio e recorre a cárter seco, solução que permite baixar o centro de gravidade (-6 cm) e garantir lubrificação eficiente mesmo sob forças g muito elevadas em curva - o P24 RS anuncia a capacidade de atingir 2,3 g em curva.
A finalidade de toda esta engenharia é clara: entregar 600 cv entre as 5500 rpm e as 7000 rpm, bem como 800 Nm, números que, aliados à massa reduzida, resultam em desempenho de topo. A relação peso/potência é de 770 cv por tonelada, permitindo 2,6s dos 0 aos 100 km/h e 7,4s até aos 200 km/h. A velocidade máxima é de 300 km/h.
Se a entrega for demasiado intensa, o P24 RS pode ser conduzido com diferentes patamares de potência, escolhidos pelo condutor através de um comando simples no habitáculo: 400 cv, 500 cv ou os referidos 600 cv.
Quanto à transmissão, a Donkervoort optou por uma caixa com apenas cinco relações, opção que ajudou a reduzir o peso total do P24 RS em 15 kg e que inclui sincronização de rotações (rev matching). Esta função pode ser desactivada, permitindo ao condutor mais experiente aplicar a técnica de ponta-tacão. O sistema trabalha em articulação com um diferencial autoblocante Torsen.
Uma dieta rigorosa da Donkervoort
Denis Donkervoort sublinha o papel determinante da redução de massa neste projecto. “Quando menos peso tiver o carro, mais fácil será travar, curvar e acelerar e mais ‘íntimo’ se tornará o seu relacionamento com o condutor/piloto”.
O chassis é 10% mais rígido do que o do F22 e recorre a suspensão activa com altura ao solo ajustável hidraulicamente, comandada por um botão no interior do P24 RS. À frente, a suspensão segue um esquema de triângulos sobrepostos; atrás, adopta-se uma configuração independente multibraços. Em ambos os casos, são aplicados componentes em fibra de carbono fornecidos pela empresa do grupo, a Ex-Core.
A travagem fica entregue a pinças fixas de competição e discos ventilados, existindo a possibilidade de escolher discos carbo-cerâmicos, que retiram 2,1 kg de massa a cada um. Os pneus medem 235/40 R18 no eixo dianteiro e 275/35 R19 no eixo posterior.
Para além do trabalho feito no V6, a estratégia de emagrecimento aparece noutros pontos, como o tecto “targa” fabricado pela Ex-Core, que integra uma longarina central em fibra de carbono.
Pequeno, mas usável
Mesmo com quatro metros de comprimento, apenas 1,10 m de altura e 1,91 m de largura - e apesar de um tejadilho removível de duas peças -, a marca neerlandesa assegura que pessoas até dois metros de altura conseguem acomodar-se sem dificuldades.
A vertente prática, pouco comum num supercarro, fica evidente na bagageira com 298 litros, um valor comparável ao de um Renault Clio, por exemplo, para referência.
No habitáculo, a Donkervoort privilegia comandos físicos nas funções essenciais, reduzindo a necessidade de desviar o olhar da estrada. Ainda assim, o painel de instrumentos é digital e existe também suporte para um iPad Mini.
Entre os bancos Recaro - equipados com arneses de seis pontos de fixação -, surge um novo botão destinado ao travão de mão electrónico e ao selector de potência do motor, ao lado dos comandos para ajustar o controlo de tracção e a suspensão. Já o volante, amovível, concentra controlos para a iluminação, limpa para-brisas, “piscas” e computador de bordo, entre outros.
Quando chega e quanto custa?
Mesmo sem haver produção em curso e sem estarem divulgados todos os detalhes e imagens do novo Donkervoort P24 RS, já tinham sido compradas mais de 50 unidades - cada uma com preço base de 298 500 euros, sem impostos - por entusiastas da condução sem filtros, como a própria marca gosta de se definir.
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