Pequenos quartos são um bocado como bagagem de cabine: tens a certeza de que vai caber tudo… até estares às 23h sentado em cima da mala, a pensar onde é que aquilo descarrilou.
A roupa começa a transbordar das cadeiras, o “guarda-roupa no chão” vira hábito, e a mesinha de cabeceira (tão querida) acaba soterrada por metade da tua vida. Prometes a ti próprio que arrumas no próximo fim de semana… depois no próximo mês… depois de uma sesta. E o quarto que querias calmo e com ar adulto passa a parecer o de um adolescente em dia de lavagens.
Depois vais a casa de um amigo com um quarto do mesmo tamanho e, irritantemente, o dele parece ter o dobro do espaço. Mesma área, as mesmas paredes bege de casa arrendada, mas uma sensação completamente diferente. É aí que percebes que não é (só) uma questão de metros quadrados: é sobre arrumação que funciona discretamente nos bastidores. A boa notícia é que não precisas de roupeiros embutidos nem de ganhar a lotaria. Bastam alguns truques espertos para o teu quarto parecer que se expandiu durante a noite - em segredo.
1. Transforme a cama num bunker secreto de arrumação
Se a tua cama serve apenas para dormir, estás a desperdiçar um dos melhores “terrenos” do quarto. Aquele rectângulo enorme no centro tem capacidade para engolir roupa de cama extra, sapatos, roupa fora de estação e tudo o que vai parar à pilha do “logo trato disso”. Uma base tipo divã com gavetas, ou uma estrutura de cama com arrumação elevatória (ottoman), pode equivaler a somar um armário sem roubar um único centímetro ao chão. É daquelas alterações que fazes uma vez e depois passas anos a perguntar-te porque não a fizeste mais cedo.
Se comprar uma estrutura nova não cabe no orçamento, mete por baixo do que já tens caixas baixas de arrumação ou sacos de tecido próprios para debaixo da cama. Identifica tudo com etiquetas para não andares de joelhos a puxar cada caixa só para encontrar uma camisola. Um detalhe que quase ninguém refere: escolhe caixas com tampa, caso contrário o pó vai instalar-se - e não sai tão cedo. De repente, a desordem que vivia em cima da cama desaparece para baixo dela, e o quarto volta a “respirar”.
2. Aposte na vertical: prateleiras que fazem o olhar subir
Quando o chão é pouco, tens de pensar como um urbanista: construir para cima. Em quartos pequenos, as paredes são muitas vezes território desperdiçado - ficam vazias ou, na melhor das hipóteses, com um quadro solitário e ligeiramente torto. Prateleiras estreitas ou calhas para quadros por cima da cama, sobre a porta ou ao lado do roupeiro puxam o olhar para cima e fazem o espaço parecer mais alto. Não é magia a sério, mas mexe de forma bastante agradável com a forma como o cérebro lê o ambiente.
Opta por prateleiras finas para livros, velas, tabuleiros de jóias ou aquelas pequenas coisas que normalmente acabam em montes emaranhados. Deixa o que é bonito à vista e esconde o caos dentro de caixas ou cestos. Um truque barato e eficaz é colocar duas ou três prateleiras a subir numa parede, até ao tecto. Ganha-se instantaneamente um ar de “mini biblioteca”, e o chão por baixo fica, estranhamente, menos pesado e apinhado.
Viver com menos… à vista
Há ainda um efeito secundário silencioso: quando as coisas ficam à altura dos olhos, tendes a mantê-las um pouco mais organizadas. Ninguém quer um altar de prateleira feito de tubos de hidratante quase vazios e carregadores de telemóvel todos enrolados. Uns livros bem escolhidos, uma planta, uma fotografia emoldurada - cada peça justifica o lugar que ocupa. Sem grande esforço, passas a seleccionar e compor, em vez de simplesmente despejar.
3. Escolha uma cabeceira que trabalhe (de verdade) para o dia-a-dia
As cabeceiras podem ser génios preguiçosos da arrumação - desde que escolhas a certa. Existem modelos com prateleiras integradas, compartimentos escondidos e até portas USB, para que o telemóvel e o livro não acabem naquela fenda misteriosa atrás do colchão. Assim, deixas de precisar de mesinhas de cabeceira volumosas que devoram o pouco chão disponível. E, de um momento para o outro, aqueles 30 cm de cada lado da cama voltam a ser espaço livre.
Se uma cabeceira nova não estiver nos planos, imita o efeito com uma prateleira fixada à parede a correr por trás da cama, à altura das almofadas. Coloca um candeeiro, um copo de água e a leitura do momento, e criaste uma mesinha de cabeceira em pleno ar. Pinta-a da mesma cor da parede para “desaparecer” visualmente. O teu eu do futuro - com menos privação de sono - vai agradecer quando deixares de derrubar coisas às escuras.
O efeito “embutido” sem ter de construir nada
Não precisas de carpinteiro para ter um ar feito à medida, tipo móvel por medida. Uma prateleira simples da IKEA, bem fixada e arranjada com intenção, pode parecer algo bem mais caro. Passa os cabos por trás, mantém à mão apenas o que realmente usas à noite, e de repente a parede por trás da cama parece pensada - não improvisada. Só essa mudança de percepção já faz o quarto parecer mais adulto e mais amplo.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário