CAPE CANAVERAL, Florida (AP) - Uma astronauta doente regressou à Terra na quinta-feira, acompanhada por mais três tripulantes, pondo fim à missão na Estação Espacial Internacional com mais de um mês de antecedência, na primeira evacuação médica da NASA.
A SpaceX conduziu a cápsula até uma amaragem em plena madrugada no Pacífico, ao largo de San Diego, menos de 11 horas depois de os astronautas terem deixado a Estação Espacial Internacional. A primeira paragem foi um hospital, para uma noite de observação.
“Obviamente, tomámos esta decisão (regresso antecipado) porque se tratava de uma condição médica grave”, afirmou o novo administrador da NASA, Jared Isaacman, após a amaragem. “A astronauta em causa está bem neste momento, bem-disposta e a fazer as avaliações médicas adequadas.”
O regresso incluiu Zena Cardman e Mike Fincke, da NASA, bem como Kimiya Yui, do Japão, e Oleg Platonov, da Rússia. As autoridades recusaram identificar a astronauta que desenvolveu o problema de saúde na semana passada ou explicar o que aconteceu, invocando privacidade médica.
Embora a astronauta estivesse estável em órbita, a NASA quis trazê-la de volta à Terra o mais rapidamente possível para receber cuidados apropriados e realizar testes de diagnóstico. Segundo os responsáveis, a reentrada e a amaragem não exigiram alterações especiais nem adaptações, e o navio de recuperação tinha, como habitualmente, a sua equipa de especialistas médicos a bordo.
Os astronautas saíram da cápsula, um a um, no espaço de uma hora após a amaragem. Foram ajudados a deitar-se em macas reclináveis e, depois, levados rapidamente para os exames médicos de rotina, acenando às câmaras. Isaacman acompanhou toda a operação a partir do Centro de Controlo de Missão, em Houston, juntamente com as famílias da tripulação.
Há alguns dias, a NASA decidiu levar toda a equipa diretamente para um hospital na zona de San Diego após a amaragem, tendo inclusivamente ensaiado trajetos de helicóptero entre o navio de recuperação e a unidade hospitalar.
A astronauta em causa fará avaliações médicas aprofundadas antes de viajar na sexta-feira com o resto da tripulação de volta a Houston, caso todos estejam em condições. Já o regresso de Platonov a Moscovo permanecia incerto.
A NASA sublinhou repetidamente ao longo da última semana que não se tratava de uma emergência. A astronauta adoeceu ou sofreu uma lesão a 7 de janeiro, o que levou a NASA a cancelar a caminhada espacial prevista para o dia seguinte, a cargo de Cardman e Fincke, e acabou por resultar no regresso antecipado. Foi a primeira vez que a NASA encurtou um voo espacial por razões médicas. Os russos já o tinham feito há décadas.
Isaacman salientou que os preparativos para a caminhada espacial não conduziram à situação médica, mas, quanto a qualquer outra possibilidade, “seria muito prematuro tirar conclusões ou fechar quaisquer portas nesta fase”. Acrescentou ainda que não se sabe se o mesmo poderia ter acontecido na Terra.
O desfecho foi inesperado para uma missão que tinha começado em agosto e que deixou o laboratório em órbita com apenas um norte-americano e dois russos a bordo. A NASA e a SpaceX indicaram que vão tentar antecipar o lançamento de uma nova tripulação de quatro pessoas; de momento, a descolagem está apontada para meados de fevereiro.
A estação espacial já operou antes com três astronautas e, por vezes, até com apenas dois. A NASA afirmou que não conseguirá realizar uma caminhada espacial - mesmo em caso de emergência - até à chegada da próxima tripulação, que inclui dois norte-americanos, um francês e um astronauta russo.
Isaacman disse que ainda é cedo para saber se o lançamento destes reforços para a estação vai ganhar prioridade sobre a primeira missão lunar tripulada da agência em mais de meio século.
O foguetão lunar será deslocado para a plataforma este fim de semana, no Centro Espacial Kennedy, na Florida, com um teste de abastecimento previsto até ao início do próximo mês. Até essa fase estar concluída, não poderá ser confirmada uma data de lançamento; na melhor das hipóteses, o voo de circum-navegação lunar poderia partir a 6 de fevereiro.
Por agora, segundo Isaacman, a NASA está a trabalhar em paralelo nas duas missões, com uma sobreposição limitada de pessoal.
“Se chegarmos a um momento em que seja necessário evitar conflitos entre duas missões tripuladas, é um problema muito bom para a NASA ter”, disse aos jornalistas.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário