Saltar para o conteúdo

Quando a primavera desperta as serpentes

Pessoa a tentar apanhar uma cobra perto de mangueira no jardim com luvas e regador por perto.

Muitos jardineiros amadores, na primavera, tiram as ferramentas com entusiasmo e pensam em relva fresca, não em serpentes. Mas é precisamente nesta fase que alguns auxiliares de jardim perfeitamente banais se tornam esconderijos ideais para estes répteis. Quem evita certos erros reduz de forma clara o risco de encontros desagradáveis.

Quando a primavera acorda as serpentes

A partir de cerca de março, as serpentes saem da letargia invernal e voltam a ficar lentamente ativas. Nesta altura, precisam sobretudo de uma coisa: calor. O corpo delas não consegue manter a temperatura por si só, por isso dependem do ambiente. Locais soalheiros e abrigados no jardim funcionam, então, como um íman.

Os refúgios típicos são sebes, montes de lenha, muros de pedra seca ou faixas de relva alta. Também na Europa Central as serpentes fazem parte da fauna normal. Em França, são comunicados todos os anos cerca de mil casos de mordedura, na maioria provocados por víboras. As vagas de calor e a transformação das paisagens favorecem a sua expansão até perto das zonas habitadas. Especialistas observam tendências semelhantes também na Alemanha, na Áustria e na Suíça.

As serpentes não procuram pessoas, mas sim calor e cobertura - contudo, basta um gesto impensado no sítio errado para surgir uma situação perigosa.

Quem compreende de que condições as serpentes gostam pode organizar o próprio jardim de modo a torná-lo menos apelativo para elas - sem o transformar num deserto de pedras.

A ferramenta discreta que atrai serpentes de forma quase irresistível

Entre o corta-relvas, o ancinho e a tesoura de sebes, há um objeto que quase passa despercebido - e, no entanto, oferece às serpentes um esconderijo praticamente perfeito: a mangueira de jardim. Sobretudo quando fica no chão e bem enrolada.

A razão está numa combinação de material, forma e localização. A mangueira está muitas vezes ao sol, é feita de plástico e, por isso, retém calor durante horas. Depois de regar, fica humidade residual no interior e no exterior. Cria-se assim, junto ao solo, um pequeno microclima protegido.

Uma mangueira de jardim enrolada no chão pode ser para uma serpente o que uma cabana aquecida é para nós: quente, apertada e segura.

As serpentes usam com gosto estas cavidades artificiais para se aquecerem e, ao mesmo tempo, permanecerem escondidas dos predadores. Quem, mais tarde, a levantar de forma repentina arrisca assustar o animal. Muitas mordeduras resultam de reações defensivas, não de ataques.

Como tornar a mangueira pouco atrativa para serpentes

Em vez de demonizar o equipamento, é possível utilizá-lo de forma muito mais segura com algumas mudanças de hábitos:

  • Pendurar sempre a mangueira num suporte de parede depois de a usar
  • Não a deixar permanentemente na relva alta ou junto a muros
  • Antes de a enrolar, dar-lhe ligeiras pancadas ou movê-la com um pau
  • Escolher para a guardar um local mais à meia-sombra do que em sol pleno

Assim, as serpentes perdem rapidamente o interesse, porque o local deixa de ser quente de forma constante e também deixa de estar tranquilo.

Outros ímanes para serpentes no jardim

A mangueira de jardim é apenas um exemplo. Muitos materiais do dia a dia oferecem vantagens semelhantes: calor, abrigo e pouca perturbação. São especialmente problemáticos os objetos escuros e planos, pousados perto do solo.

Entre eles contam-se, por exemplo:

  • lonas e películas de cobertura escuras
  • chapas metálicas ou antigas chapas onduladas
  • restos de fibrocimento ou de telhas
  • paletes de madeira e pilhas de tábuas sem proteção
  • restos de alcatifas, tapetes de borracha ou painéis OSB no exterior

Estes objetos aquecem rapidamente ao sol. Por baixo deles acumula-se ar quente, muitas vezes em combinação com alguma humidade. É precisamente este ambiente que muitas espécies de répteis preferem.

Materiais planos e escuros no chão funcionam para as serpentes como sótãos aquecidos: quentes em cima, seguros em baixo.

Como tornar o seu terreno mais seguro para as serpentes

Quem precisa destes materiais não tem de os deitar fora. O essencial é a forma como são guardados. Esta tabela simples mostra zonas problemáticas típicas e alternativas melhores:

Objeto Armazenamento problemático Solução melhor
Mangueira de jardim enrolada no chão, ao sol pendurada na parede ou guardada no barracão
Lona de cobertura estendida no solo, presa com pedras esticada sobre uma estrutura, com os cantos bem ventilados
Chapas metálicas ou de fibrocimento empilhadas deitadas no chão colocadas na vertical, com distância ao solo
Pilha de madeira diretamente na terra, desarrumada guardada sobre paletes, com empilhamento arejado

Mesmo pequenas adaptações reduzem de forma significativa o número de esconderijos possíveis, sem que o jardim perca a sua estrutura.

Como pensam as serpentes - e porque isso tranquiliza

As serpentes são muitas vezes vistas como ameaçadoras, mas o seu comportamento segue padrões simples. Evitam vibrações, ruídos altos e espaços abertos. Não querem atacar nem animais domésticos nem pessoas. Em situações de conflito, têm três estratégias: fugir, camuflar-se, morder quando tocadas.

Quem trabalha no jardim gera automaticamente vibrações e ruído. Muitos animais já se afastam antes mesmo de serem vistos. O momento mais delicado surge sobretudo quando alguém mete a mão em fendas escuras ou levanta de repente objetos pesados.

O instante mais perigoso é muitas vezes o gesto irrefletido de enfiar a mão numa abertura que não consegue ver.

Um truque simples ajuda: nunca agarrar às cegas. Usar luvas, empurrar com um pau, bater de leve com o pé no chão - estes gestos sinalizam aos animais: vem aí alguém, é melhor ir embora.

Cenários práticos do quotidiano no jardim

Um exemplo: já é final da tarde, a relva foi cortada, a mangueira ainda está enrolada ao sol, ao lado do canteiro. Quer arrumá-la depressa, agarra de forma espontânea a bobina, levanta-a - e exatamente esse momento pode tornar-se delicado se houver uma serpente por baixo.

Outro cenário: uma lona escura cobre uma antiga caixa de areia. Ao longo de semanas, acumulou-se calor por baixo, juntou-se folhagem e talvez até se tenham instalado ratos. Na limpeza da primavera, puxa a lona com brusquidão. Também aqui podem estar répteis, incomodados pela luz súbita e pelo movimento.

Corre melhor assim: antes de mexer na lona, bata algumas vezes nela com o cabo da vassoura, espere um pouco e só depois a levante lentamente por um canto. Os animais que estiverem por baixo ganham tempo para fugir.

Riscos, mas também oportunidades no jardim natural

Um jardim próximo da natureza, com madeira morta, sebes densas e muros de pedra, atrai mais animais selvagens - insetos, lagartos, ouriços e, por vezes, também serpentes. Isso aumenta, por um lado, a probabilidade de encontros, mas reduz, por outro, pragas como ratos ou lesmas. As serpentes alimentam-se sobretudo de pequenos mamíferos, muitas vezes também de ratos que transmitem doenças.

Quem tiver crianças no jardim pode estabelecer regras claras: não trepar a pilhas de madeira, não rastejar por baixo de lonas, manter distância ao avistar um animal desconhecido e chamar um adulto. Assim, o jardim continua a ser habitat para muitas espécies, sem gerar pânico.

Como regra prática, quanto mais organizado e elevado estiver o material no jardim, menos esconderijos surgem ao nível do chão. A mangueira de jardim não deve ficar no canto mais recôndito e soalheiro, no chão, mas sim num local visível e mais alto. Deste modo, o risco diminui de forma significativa - e a próxima rega decorre com muito mais tranquilidade.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário