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Praga de pombas na primavera: porque é que elas invadem agora o jardim

Homem a cuidar de uma horta com alfaces e morangos num jardim residencial ao entardecer.

Em muitos jardins, com os primeiros dias amenos, instalam-se hóspedes indesejados de longa data: as pombas. Passeiam pelos canteiros, bicam as plântulas e deixam marcas corrosivas em móveis e guardas. Agora, especialistas em jardinagem recomendam um remédio surpreendentemente simples, que quase toda a gente tem em casa: papel de alumínio comum.

Praga de pombas na primavera: porque é que elas agora pousam em todo o jardim

Com a chegada da primavera, as pombas ativam logo vários comportamentos ao mesmo tempo. Procuram alimento para a criação, locais seguros para aterrar e recantos tranquilos para descansar. Jardins, varandas e terraços de cobertura oferecem isso em abundância - e, do ponto de vista das aves, funcionam como um prático buffet de tudo incluído.

Os pontos de maior presença de pombas junto à casa são, tipicamente:

  • peitoris de janelas e guardas de varanda
  • guardas de terraços, pérgulas e beirais
  • bordaduras de canteiros elevados e coroamentos de muros
  • bordos de canteiros com alface, hortícolas novas ou morangos
  • cantos sossegados com bancos de jardim ou elementos decorativos

Como as pombas são animais de hábitos, regressam repetidamente às mesmas zonas. Se os jardineiros as deixarem à vontade, os dejetos acumulam-se ali em quantidade surpreendente num curto espaço de tempo.

As fezes das pombas são fortemente ácidas, atacam tintas, madeira e metal e podem ainda atrair outras pragas, como ratos.

Especialmente em terraços, zonas de brincadeira das crianças ou áreas de refeições, isto transforma-se num problema de higiene. Mesmo assim, muitas pessoas não querem recorrer nem a venenos nem a pinos anti-pouso de arestas cortantes - e é precisamente aqui que entra o truque com papel de alumínio.

Como o papel de alumínio afasta as pombas sem as ferir

No jardim, o papel de alumínio atua em dois níveis: pelos reflexos de luz vistos do ar e pela sensação desagradável sob as patas e no bico. Para as aves, cria-se assim um ambiente que simplesmente evitam.

Clarões e reflexos no voo: os flashes de luz afugentam

Os profissionais de jardinagem aconselham, primeiro, a formar bolas simples com o papel e a pendurá-las em cordões. Essas bolas devem ser colocadas onde as pombas costumam aterrar ou passar: em pérgulas, sob beirais, em guardas ou em árvores de fruto.

Quando a luz do sol incide na superfície amarrotada, o papel reflete de forma irregular. Surgem flashes de luz breves e repentinos, bem como movimentos, que desorientam as pombas. Para elas, isso parece algo imprevisível ou um possível inimigo. Muitas aves desviam-se ainda no ar, antes mesmo de aterrar.

Objetos brilhantes e móveis são considerados, desde há muito, um clássico “afugentador” no combate a pragas - e o papel de alumínio cumpre esse efeito com pouco esforço.

Sensação desagradável no solo: as pombas não gostam da superfície

A segunda abordagem centra-se nas zonas onde as aves se alimentam. Os especialistas recomendam colocar tiras estreitas ou camadas de papel de alumínio em redor das plantas mais ameaçadas, ou então ligeiramente abaixo da superfície da terra.

Quando o bico toca na superfície metálica, áspera e fria, ao bicar, muitas pombas recuam por reflexo. Também não apreciam, ao andar, o material enrugado e escorregadio debaixo das patas. Para o ser humano é apenas uma tira fina; para a pomba, parece um revestimento de solo incómodo que ela quer evitar.

Onde no jardim o papel de alumínio é particularmente útil

Para que o método funcione, os jardineiros devem observar primeiro de forma sistemática: onde aterram as pombas? Onde permanecem mais tempo? Onde há mais fezes? Esses pontos merecem atenção especial.

Proteger canteiros de hortícolas, alfaces e plântulas novas

Os hortícolas de folhas macias ocupam um lugar de destaque na alimentação das pombas. Os mais vulneráveis são, sobretudo:

  • alfaces e plantas jovens de couve
  • espinafres, acelgas e outros legumes de folha
  • tomateiros e pimenteiros recém-plantados
  • ervas aromáticas novas, como manjericão ou salsa

Nestas zonas, por exemplo, é possível:

  • fixar tiras estreitas de papel na borda do canteiro, para que tremulem com o vento,
  • enfiar pequenas bolas de alumínio em varas e colocá-las entre as plantas,
  • incorporar pequenos pedaços de papel, a poucos centímetros de profundidade, à volta das plantas especialmente ameaçadas.

É importante aplicar o papel de forma a que não seja levado pelo vento e a que não represente perigo de ferimento para crianças ou animais de estimação.

Proteger morangos e árvores de fruto da aproximação

Os morangos maduros e frutos macios, como cerejas ou ameixas, também atraem pombas. Para estas áreas, são adequadas outras posições:

  • pendurar fitas brilhantes ou bolas diretamente na copa da árvore
  • deixar tiras de alumínio a mover-se com uma brisa ligeira em estacas sobre canteiros de morangos
  • estender pequenas grinaldas refletoras na borda de canteiros elevados com pequenos frutos

Desta forma, cria-se em torno dos frutos mais apetecíveis uma barreira visual que retira às aves a vontade de aterrar.

Tornar varanda, terraço e peitoris pouco atraentes

Na cidade, as varandas e os peitoris têm um papel muito importante. Quem precisa de limpar regularmente dejetos pode contrariar o problema com pouco trabalho:

  • pendurar pequenas bolas de alumínio, em fios finos, na guarda da varanda
  • fixar tiras curtas de papel atrás de floreiras, para que oscilem ligeiramente com a corrente de ar
  • nas zonas de estar mais procuradas - por exemplo, o peitoril superior da janela - colocar temporariamente uma camada de papel

Muitas pombas desistem depois de algumas tentativas de aterragem falhadas e procuram um local mais cómodo.

Dicas para o dia a dia: como manter o jardim com poucas pombas

O papel de alumínio é apenas uma peça do conjunto. Quem quiser reforçar o efeito pode apoiar-se em algumas regras básicas:

  • Não disponibilizar fontes de alimento: reduzir restos de comida, caixotes do lixo abertos ou comida para aves caída no chão.
  • Evitar refúgios: estantes densas, vigas de telhado abertas ou cantos desarrumados oferecem às pombas locais ideais para descansar.
  • Variar os sinais: mudar de sítio, de tempos a tempos, as tiras e as bolas de alumínio, para que as aves não se habituem.
  • Manter a limpeza: retirar os dejetos rapidamente, para que não se instalem “pontos fixos”.

A combinação entre a quebra de hábitos e um ambiente desconfortável costuma ser mais eficaz do que um truque isolado.

Até que ponto o uso de papel de alumínio no jardim é amigo do ambiente?

O papel de alumínio é frequentemente criticado porque a sua produção consome muita energia. Para o jardim, isto significa que, quando o utilizar, deve fazê-lo com muito critério e parcimónia. Se não estiver completamente rasgado, o material pode ser reutilizado ao longo de várias épocas. No fim da época, deve ir para o contentor de reciclagem, e não para a compostagem.

Face a repelentes químicos ou armadilhas pegajosas, o método continua, ainda assim, relativamente suave: as aves não sofrem ferimentos, não entra veneno no solo e o papel só atua onde é visível ou sentível.

Quando o truque tem limites - e o que ajuda depois

Em algumas zonas, as pombas estão tão habituadas às pessoas que quase não se deixam impressionar por reflexos. Nesses casos, o efeito pode ser mais fraco. Ajuda combinar o papel de alumínio com outros meios inofensivos:

  • estender redes sobre canteiros especialmente valiosos ou arbustos de fruto
  • retirar ou tornar inutilizáveis os poleiros atrativos
  • apostar numa plantação direcionada com espécies menos apelativas nas zonas periféricas

Quem vive num prédio com vários apartamentos consegue mais se vários moradores agirem ao mesmo tempo. Se apenas uma varanda ficar sem proteção, pode tornar-se no novo principal ponto de aproximação.

No fim, trata-se de encontrar um certo equilíbrio: as pombas fazem parte das cidades e das aldeias e não devem ser perseguidas - mas também não precisam de viver no meio do canteiro de legumes. Com um pouco de papel de alumínio, alguns cordões e observação cuidadosa, os jardineiros conseguem estabelecer uma fronteira clara que ambos os lados podem aceitar.

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