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Perigo no frigorífico: Este erro comum atrai salmonelas.

Pessoa a guardar frango cru em recipiente plástico dentro de frigorífico com frutas e legumes.

Um simples erro na arrumação pode dar às salmonelas uma vantagem inesperada.

Quando se fecha a porta do frigorífico, é habitual sentir-se em segurança. Afinal, o frio é sinónimo de higiene, pensa-se muitas vezes. Só que microrganismos que causam doença, como salmonelas ou certas bactérias E. coli, resistem ao frio sem dificuldade. E há uma desordem muito comum no frigorífico que facilita a sua propagação - muitas vezes sem ninguém dar por isso, diretamente para alimentos que acabam mais tarde no prato sem serem cozinhados.

Salmonelas no frigorífico: porque é que o frio não basta para travar os germes

Num frigorífico moderno, a temperatura ideal situa-se entre 0 e 4 graus. Isso abranda de forma significativa o crescimento de muitas bactérias. Ainda assim, isso não significa que estejam mortas. As salmonelas continuam a conseguir sobreviver a temperaturas de frigorífico e, mais tarde, podem causar problemas.

As autoridades de saúde recomendam que a zona mais fria do aparelho seja ajustada, na prática, para cerca de 4 graus, verificando o valor com um termómetro de frigorífico. Mesmo assim, mantém-se uma regra simples: enquanto um alimento não tiver sido bem aquecido ou eliminado no lixo, a possibilidade de contaminação continua em cima da mesa.

O frigorífico só protege quando temperatura e organização trabalham em conjunto - uma arrumação errada transforma-o num ponto ideal para a passagem de germes.

É precisamente aí que começa o problema. Em muitas casas, os alimentos são arrumados mais por conveniência, alcance ou aspeto do que por critérios de higiene. O resultado é a chamada contaminação cruzada: os germes passam de um produto para outro, normalmente através de líquidos que escorrem ou por contacto direto.

O erro decisivo: colocar mal a carne crua no frigorífico

O manuseamento de carne crua, aves cruas, peixe e marisco exige atenção redobrada. Os especialistas aconselham a guardar estes produtos sempre na prateleira mais baixa, que também é a mais fria, em recipientes ou tabuleiros bem fechados e sem embalagens exteriores desnecessárias. Na prática, porém, isso nem sempre acontece.

Em muitas cozinhas, a embalagem de peito de frango ou de carne picada acaba algures a meio do frigorífico, por vezes até por cima de um prato de salada ou mesmo ao lado de um queijo que será consumido frio. Há também casos em que legumes e carne partilham a mesma gaveta.

O problema está nos pormenores: as embalagens podem não estar totalmente vedadas e pequenas quantidades de sumo da carne podem sair sem serem notadas. Bastam essas gotas para contaminar outro alimento:

  • salada de folhas num saco aberto
  • fruta ou legumes já cortados
  • sobras já cozinhadas, que depois só são reaquecidas ou até comidas frias
  • enchidos fatiados, tábuas de queijo, antipasti

Se essa salada ou essas sobras forem ingeridas mais tarde sem nova cozedura, os germes entram diretamente no organismo. A carne de aves está especialmente sob vigilância, porque pode frequentemente estar contaminada com salmonelas. Mesmo quando o peito de frango é bem cozinhado mais tarde, as gotas que tenham escorrido antes podem permanecer noutros alimentos.

Como as embalagens a mais trazem germes extra para dentro do frigorífico

Muitos produtos de carne e peixe chegam hoje em tabuleiros com película aderente, muitas vezes ainda dentro de caixas de cartão ou de capas plásticas mais grossas. Essas camadas exteriores parecem higiénicas, mas não o são automaticamente.

Quem transporta a embalagem fechada pelo supermercado costuma colocá-la no carrinho ou no cesto, por vezes em superfícies pouco limpas na caixa ou na bancada de casa. É precisamente aí que já podem existir bactérias. Se a embalagem entra depois diretamente no frigorífico, sem retirar primeiro a cobertura exterior, o cartão e a película podem levar esses microrganismos para as prateleiras de vidro ou para as gavetas.

Os alimentos crus devem ser guardados em recipientes estanques - as embalagens exteriores não devem ficar no frigorífico, mas sim ir para o lixo.

Também as superfícies interiores do próprio frigorífico se tornam um problema com o tempo, quando ninguém as limpa com regularidade. Vestígios de sumos da carne, manchas de iogurte ou restos de legumes criam um meio ideal para a proliferação de germes.

Três regras simples que tornam o frigorífico muito mais seguro

Com alguns princípios básicos, é possível reduzir de forma visível o risco de salmonelas no frigorífico. Estas regras ajudam no dia a dia:

1. Criar zonas bem definidas no frigorífico

  • Prateleira inferior (zona mais fria): carne crua, aves, peixe e marisco - sempre em caixas ou tabuleiros bem fechados, sem a caixa exterior de cartão.
  • Prateleiras intermédias: alimentos já cozinhados, sobras, gratinados, sobremesas, iogurte, queijo - sempre tapados, e nunca durante mais de dois a três dias no frigorífico.
  • Gaveta dos legumes: fruta e legumes lavados ou por lavar, que muitas vezes são consumidos crus - separados e afastados da carne ou do peixe.
  • Gavetas da porta: bebidas, molhos, mostarda, ketchup, compota, ovos - produtos que suportam melhor as variações de temperatura da porta.

2. Evitar ativamente a contaminação cruzada

Para impedir que o sumo da carne se espalhe sem ser visto, ajuda ter uma rotina simples:

  • colocar sempre a carne crua diretamente do saco das compras para uma caixa hermética
  • não pôr taças de salada ou recipientes com fruta por baixo de carne crua
  • guardar os alimentos que vão ser comidos sem cozedura o mais longe possível dos produtos de origem animal crus

3. Criar um plano de limpeza para o frigorífico

Uma vez por mês, vale a pena fazer uma limpeza rápida e completa:

  • esvaziar as prateleiras uma a uma
  • limpar os tabuleiros de vidro e as gavetas com água morna e um pouco de detergente da loiça ou com um pouco de vinagre
  • remover de imediato qualquer pinga ou salpico visível, sem esperar por ter “tempo um dia destes”

Que consequências pode ter uma infeção por salmonelas

As salmonelas causam, na maioria das vezes, uma doença aguda gastrointestinal. Os sintomas típicos são diarreia aquosa, cólicas abdominais, náuseas, por vezes vómitos e febre. Em muitos casos, as queixas desaparecem ao fim de alguns dias, mas podem desgastar bastante o organismo.

As crianças, os idosos, as grávidas e as pessoas com o sistema imunitário enfraquecido estão especialmente em risco. Nesses casos, podem surgir quadros mais graves, por vezes com necessidade de internamento hospitalar. Para estes grupos, a arrumação correta no frigorífico é particularmente importante.

Uma organização cuidadosa do frio protege sobretudo quem menos se consegue defender: crianças, idosos e pessoas com doenças prévias.

Dicas práticas do dia a dia para um frigorífico mais seguro

Pequenos gestos reduzem o risco no quotidiano sem complicar a rotina na cozinha:

  • marcar os alimentos mais sensíveis com a data e colocá-los na parte da frente da prateleira
  • colocar as sobras em recipientes baixos de vidro ou plástico para arrefecerem mais depressa e de forma uniforme
  • verificar continuamente se se formou condensação ou manchas suspeitas debaixo de tabuleiros e caixas
  • ao fazer as compras da semana, pensar já na loja no que terá de ficar na parte de baixo do frigorífico e arrumar os sacos em conformidade

Quem interioriza este princípio acaba por fazer muitas coisas corretamente quase sem pensar: cru em baixo, pronto a comer em cima, fruta e legumes separados, porta apenas para produtos com menor risco de germes. Assim, o frigorífico continua a ser um aliado da saúde - e não um risco no dia a dia.

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