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Nunca mais mondar: Estas plantas perenes de março tornam os canteiros num tapete florido.

Pessoa a plantar flores coloridas num canteiro de jardim em dia ensolarado.

Ao limpar um canteiro de ervas daninhas com todo o cuidado, muitos jardineiros amadores conhecem bem o mesmo cenário: mal cai a chuva seguinte, já despontam do solo novos tufos verdes. A lombar protesta, o balde enche depressa e, ainda assim, os canteiros voltam a parecer abandonados num instante. Em vez de lutar sem parar contra as ervas daninhas, é possível plantar o solo de forma a que as plantas indesejadas quase deixem de ter hipótese - e o ideal é começar em março.

Porque é que as ervas daninhas regressam sempre, mesmo quando sachamos com afinco

Por baixo de qualquer terra de canteiro existe uma “banco de sementes” invisível. Ao longo de anos, foram-se acumulando ali sementes de morugem, cardos, dentes-de-leão e inúmeras outras espécies. Só estão à espera de luz e humidade.

Assim que o solo fica exposto e é mexido com força, essas sementes sobem à superfície. Têm luz, água e calor - e germinam em massa. É por isso que parece que as ervas daninhas surgem do nada.

Cada golpe profundo da pá pode trazer milhares de sementes dormentes para a superfície - e dar início à vaga seguinte de ervas daninhas.

Os profissionais, por isso, distinguem muito bem com quem estão a lidar:

  • Ervas daninhas anuais como a morugem ou a beldroega germinam depressa, florescem, formam sementes e acabam por morrer.
  • Candidatas problemáticas perenes como o dente-de-leão ou o Galium aparine regressam todos os anos graças às raízes fortes.

Nas espécies anuais, muitas vezes basta um corte rente ao solo com uma sachola afiada. Se não se cavar em profundidade, as sementes que estão mais abaixo permanecem em repouso. Nas ervas daninhas perenes, é preciso mais rigor: devem ser retiradas com a maior parte possível da raiz, sobretudo quando o solo está bem húmido. Se ficarem restos de raiz no terreno, muitas espécies voltam a rebentar.

Cobertura viva do solo: quando os vivazes fazem o trabalho da manta anti-ervas

Em vez de manter os espaços vazios constantemente limpos, cada vez mais jardineiros recorrem aos chamados vivazes de cobertura do solo. Estas plantas expandem-se lateralmente, formam tapetes densos e retiram luz e espaço às sementes das ervas daninhas.

A cobertura viva é como uma camada de alcatifa verde: protege o solo, poupa trabalho e muitas vezes floresce durante meses.

As vantagens são evidentes:

  • Menos ervas daninhas: onde as plantas estão densas, quase não chega luz solar ao solo - e as ervas que germinam têm vida difícil.
  • Menos rega: esse “tapete” retém a humidade no solo, que seca mais devagar.
  • Proteção do solo: a chuva forte não embate diretamente na terra, e a estrutura conserva-se melhor.
  • Mais vida no jardim: as flores atraem abelhas, abelhões e outros auxiliares, enquanto na zona das raízes se multiplicam os organismos do solo.

Uma das preferidas de muitos especialistas é Brunnera macrophylla, conhecida em Portugal sobretudo como não-me-esqueças-do-Cáucaso. A planta forma folhas em coração e, na primavera, mostra inúmeras flores pequenas, azul-céu, que lembram os não-me-esqueças clássicos. Em locais de meia-sombra a sombra, acaba por criar, com o tempo, um tapete floral denso.

Quem quiser plantar zonas mais soalheiras deve optar por outros cobri-solo, como flox rasteiro, variedades de gerânio ou pequenas espécies de alquimila. Todas seguem o mesmo princípio: formar rapidamente massas densas e antecipar-se às ervas indesejadas.

Porque março é o mês ideal para plantar vivazes de cobertura do solo

Assim que, na primavera, o solo seca e deixa de estar pegajoso, começa a melhor altura para instalar esta cobertura viva. As plantas têm então uma estação completa para se adaptarem e se espalharem.

Um procedimento típico para um canteiro em março é o seguinte:

  • Última sacha profunda: remover as ervas já existentes, com raízes incluídas, e arrancar com cuidado as espécies mais persistentes.
  • Soltar apenas na superfície: trabalhar com cultivador ou ancinho, no máximo, poucos centímetros de profundidade, para não reativar o banco de sementes em repouso.
  • Incorporar composto: uma camada fina de composto maduro melhora a estrutura do solo e fornece nutrientes aos novos vivazes.
  • Plantar com pouca distância entre si: convém reduzir ligeiramente os espaçamentos, para que as folhas se toquem depressa e fechem as falhas.
  • Regar e acompanhar: regar abundantemente, voltar a regar nas primeiras semanas se houver seca e retirar de imediato as ervas isoladas que apareçam.

A primeira estação é a fase de instalação: quem for consistente neste ano terá muito menos trabalho nos anos seguintes.

Estas vivazes são especialmente indicadas como coberturas do solo

Consoante o local - soalheiro, meia-sombra ou sombra - podem ser escolhidas espécies diferentes. Eis uma pequena seleção:

Exposição Planta Características
Meia-sombra a sombra Não-me-esqueças-do-Cáucaso (Brunnera) Floresce na primavera, tem folhas em coração e gosta de solos frescos e ricos em húmus
Sol a meia-sombra Variedades de gerânio (Geranium) Resistentes, com longa floração e capazes de preencher falhas rapidamente
Sol pleno Flox rasteiro Tapete floral baixo, ideal para bordaduras de canteiros e coroamentos de muros
Meia-sombra Alquimila pequena Tufos densos, folhagem bonita e boa tolerância à poda

O mais importante é escolher as coberturas do solo em função da exposição. Uma espécie que precisa de sombra vai definhar em pleno sol, e o contrário acontece da mesma forma. Quem já tiver vivazes no jardim pode dividir muitas delas e reutilizá-las como cobertura do solo - isso poupa dinheiro e preserva recursos.

Erros típicos ao mudar para o “tapete de flores”

A passagem do solo nu para tapetes de plantas permanentes parece simples, mas na prática tropeça muitas vezes em detalhes. Os deslizes mais comuns são:

  • Distâncias demasiado grandes: se os vivazes ficarem demasiado afastados, as falhas demoram a fechar-se - e as ervas daninhas aproveitam logo.
  • Local errado: uma planta que gosta de sol, colocada em sombra total, cresce pouco e deixa zonas vazias.
  • Falta de água na fase inicial: sobretudo os vivazes acabados de plantar precisam de apoio regular em primaveras secas.
  • Falta de paciência: muitos jardineiros esperam tapetes densos ao fim de poucas semanas. A maioria dos vivazes precisa de um a dois anos para arrancar a sério.

Quem acompanhar atentamente os primeiros meses e retirar de imediato as ervas indesejadas acabará depois recompensado com canteiros surpreendentemente fáceis de manter.

Exemplos práticos para diferentes tipos de jardim

Num jardim de família, com muito movimento, fazem sentido coberturas do solo robustas, capazes de suportar, de vez em quando, uma bola ou uma sapatilha de criança. Aqui funcionam bem o gerânio e a alquimila, combinados com vivazes um pouco mais altos, como a equinácea ou os ásteres, para dar cor na segunda metade do ano.

Num jardim de moradia em banda, com canteiros estreitos ao longo do terraço, o não-me-esqueças-do-Cáucaso destaca-se: na primavera oferece almofadas de flores azuis, e no verão a folhagem mantém a área coberta. Combina bem com gramíneas ornamentais ou hostas para cantos sombrios.

Quem prefere um jardim mais natural pode misturar coberturas do solo com vivazes silvestres autóctones. Assim surge um tapete floral mais solto, que alimenta os insetos e, ao mesmo tempo, reduz o trabalho de sacha.

O que a cobertura viva do solo tem a ver com o solo e o clima

Do ponto de vista ecológico, o método também traz vantagens. Um solo permanentemente plantado retém mais água e aquece menos no verão. As raízes soltam o subsolo, a chuva infiltra-se melhor e a camada de húmus ganha espessura ao longo do tempo.

Ao mesmo tempo, diminui a necessidade de fertilizante mineral e de coberturas plásticas. Muitos jardineiros relatam que, ao fim de poucos anos, quase já não precisam de sachar e regam muito menos. Em vez de passarem todos os fins de semana de joelhos, sobra mais tempo para apreciar de facto o próprio jardim.

Quem investir de propósito em vivazes de cobertura do solo em março, portanto, não está apenas a criar um bonito tapete de flores. Está a construir um sistema de jardim que se torna mais estável a cada ano - e que torna a sacha repetitiva cada vez mais dispensável.

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