Quem chega a casa constantemente cansado, facilmente irritável ou com dores de cabeça raramente pensa logo na qualidade do ar na própria sala. No entanto, tintas, móveis, cola de alcatifa, produtos de limpeza e equipamentos eletrónicos podem libertar, de forma continuada, gases e partículas finas. É precisamente aqui que entra uma ajuda surpreendentemente simples: certas plantas de interior, capazes de absorver maus odores, substâncias nocivas e até parte da radiação existente no espaço - desde que estejam colocadas no local certo.
Porque é que as plantas de interior fazem mais do que decorar
Nas casas modernas, o ar interior está muitas vezes mais poluído do que o ar junto a uma estrada movimentada. Materiais de construção, vernizes, plásticos e aparelhos eletrónicos libertam, ao longo de anos, substâncias como formaldeído, benzeno ou outros solventes. Normalmente, o nariz só dá por isso quando a concentração, o sono ou as vias respiratórias já começam a ressentir-se.
As plantas de interior trabalham dia e noite: filtram poluentes, libertam humidade e acalmam o sistema nervoso - sem qualquer conta de eletricidade.
Através do seu metabolismo, as plantas absorvem gases do ar pelas folhas. Parte fica retida nas folhas, enquanto outra parte é degradada pelas raízes e pelos microrganismos do substrato do vaso. Ao mesmo tempo, libertam água por evaporação e aumentam assim a humidade do ar. Isso alivia as mucosas, reduz a tosse irritativa e evita que a pele seque em excesso.
As melhores plantas contra tabaco, solventes e emissões dos móveis
Benzeno e fumo de tabaco: estas espécies ajudam
Em muitos lares ainda existem colas antigas de alcatifa, vernizes e, claro, fumo de tabaco. Todos estes elementos libertam, entre outras substâncias, benzeno - um composto que pode agravar dores de cabeça, cansaço e irritações. Alguns clássicos robustos em vaso conseguem aqui desempenhos notáveis:
- Hera: Não se limita a trepar fachadas; em vasos, numa prateleira, também ajuda a fixar substâncias voláteis vindas de colas de alcatifa e do fumo.
- Língua-de-sogra: Quase indestrutível, vive com pouca luz e desenvolve-se particularmente bem em espaços com fumo.
- Dracena: Ideal para salas e escritórios, filtra vários solventes provenientes de tintas e colas.
O local mais eficaz é uma divisão onde se fuma ou se fumou, como a sala de estar ou a zona junto a sofás e alcatifas. Aí, este conjunto verde reduz de forma clara queixas típicas como olhos a arder ou dores de cabeça surdas.
Formaldeído dos móveis: estas árvores de interior tratam dele
Muitos armários, estantes e têxteis libertam formaldeído ao longo de anos. Essa substância encontra-se frequentemente em aglomerado, vernizes e alguns acabamentos têxteis, e irrita os olhos e as vias respiratórias. Há duas plantas de interior especialmente interessantes para este problema:
- Palmeira-kentia: As suas longas frondes oferecem uma grande área foliar, através da qual absorve gases e os distribui pela planta.
- Ficus benjamina: Esta popular árvore de interior fixa vários poluentes do ar, incluindo formaldeído, e é ideal para espaços de grande luminosidade.
Quem montar um móvel novo faz bem em colocar logo uma palmeira ou um ficus por perto. Em conjunto com arejamento regular por abertura total das janelas, cria-se assim um ambiente bem mais suportável - especialmente no quarto, onde a diferença se faz sentir.
Ar seco do aquecimento: plantas como humidificadores naturais
O ar seco é particularmente incómodo no inverno: garganta áspera, pele repuxada, olhos irritados. Os humidificadores clássicos resolvem o problema, mas exigem manutenção e eletricidade. Algumas plantas de interior assumem essa função quase sem se dar por isso:
- Diefenbachia: As folhas grandes e carnudas libertam muita humidade e tornam os espaços secos muito mais confortáveis.
- Gerbera: Conhecida como flor de corte, mas em vaso funciona como uma pequena melhoradora do ar - sobretudo em peitoris de janelas muito luminosos.
- Feto-de-Boston: Gosta de ambientes húmidos e torna o ar visivelmente mais suave em divisões pequenas.
Quanto maiores e mais carnudas forem as folhas, mais intenso é o intercâmbio de ar. Daí resulta também um ligeiro efeito de arrefecimento, que aumenta o conforto sobretudo em espaços demasiado aquecidos.
A planta certa no sítio certo - assim funciona em casa
Cozinha e casa de banho: combate aos vapores dos produtos de limpeza
Os detergentes, os vapores gordurosos e a elevada humidade pesam especialmente nestas divisões. Aqui, certas espécies mostram todo o seu valor:
- Azálea: Lida bem com a humidade e ajuda a atenuar substâncias irritantes dos produtos de limpeza para chão e casa de banho.
- Palmeira-dourada: Sente-se bem em locais claros, mas sem sol direto, e fixa vapores provenientes de detergentes.
- Antúrio: Com as folhas brilhantes e as suas brácteas decorativas, dá um toque visual forte e funciona ao mesmo tempo como um pequeno filtro junto aos armários dos produtos de limpeza.
Quando estas espécies estão nas zonas periféricas da cozinha ou da casa de banho, formam uma espécie de barreira viva entre as pessoas e os vapores agressivos dos sprays e dos líquidos de limpeza.
Escritório: planta contra radiações e ambiente pesado de escritório
No teletrabalho acumulam-se outros tipos de carga: equipamentos em funcionamento, marcadores, colas - e computadores sempre ligados. Por um lado, produzem substâncias gasosas; por outro, campos eletromagnéticos. Uma combinação de poucas plantas bem colocadas pode ser surpreendentemente eficaz.
Coloque um pequeno cato mesmo ao lado do monitor - muita gente jura que ele consegue “engolir” parte da radiação na zona mais próxima.
Cientificamente, esse efeito é difícil de medir, mas o chamado “cacto do computador” ganhou lugar em muitos escritórios. Seja como for, melhora o microclima em redor do posto de trabalho. Além disso, estas espécies também dão uma boa ajuda:
- Filodendro avermelhado: Absorve bem solventes libertados por canetas, colas e tintas.
- Potos: Pouco exigente, sobe por estantes e filtra vários poluentes do ar.
Quem distribui duas ou três plantas maiores no escritório relata muitas vezes menos cansaço, menos secura ocular e uma sensação geral de maior tranquilidade no espaço.
“Tudo-em-um” para diferentes tipos de habitação
Quando só há espaço para poucas plantas
Nem toda a gente quer meio salão cheio de verde. Para apartamentos pequenos ou para quem prefere o essencial, fazem sentido espécies com um efeito particularmente abrangente:
- Lírio-da-paz: Suporta cantos mais sombrios, filtra várias substâncias vindas de tintas, colas e fumo e ainda humedece o ar.
- Cheflera: Robusta, cresce depressa e consegue fixar vários grupos de substâncias problemáticas em simultâneo.
Coloque um lírio-da-paz no hall ou no quarto e uma cheflera na sala - bastam dois vasos para provocar uma diferença notória nos odores e na sensação do espaço.
Quantas plantas devem existir, no mínimo?
Como regra geral, pode usar-se a seguinte referência:
| Área da divisão | Número recomendado de plantas médias |
|---|---|
| Até 15 m² | 2–3 vasos |
| 15–25 m² | 3–5 vasos |
| Mais de 25 m² | 5–8 vasos |
Ter várias espécies diferentes costuma funcionar melhor do que ter muitas exemplares da mesma planta. A mistura cobre uma gama mais ampla de substâncias e, ao mesmo tempo, evita a monotonia visual.
Odores, radiação, ambiente: assim a planta-chave mostra o seu efeito
O lugar decisivo dentro de casa
A chamada “planta milagrosa”, frequentemente associada à capacidade de reter energias negativas, odores e parte da radiação, idealmente deve ficar onde tudo se cruza ao mesmo tempo: no centro da casa. Em muitos lares, esse lugar é a sala de estar, com televisão, router, consola, velas perfumadas e móveis estofados.
Se aí se colocar uma combinação de cato (mesmo ao lado do ecrã ou do router), lírio-da-paz (perto do sofá ou do móvel da TV) e uma espécie que humedeça o ar, como o feto-de-Boston ou a língua-de-sogra, cria-se uma espécie de zona verde de filtragem. Essa área funciona como um tampão entre a tecnologia, os produtos químicos e o verdadeiro espaço de convívio da família.
Dicas práticas para obter mais efeito
- Não esconda as plantas atrás de cortinas pesadas - elas precisam de circulação de ar e de alguma luz.
- Limpe regularmente o pó das folhas; caso contrário, o efeito de filtragem diminui bastante.
- Não use substratos baratos com muito turfa e aditivos químicos; opte antes por substratos de qualidade, de preferência com pouca turfa.
- Se houver animais de estimação, coloque espécies tóxicas como a diefenbachia fora do alcance.
Há alguns termos que aparecem frequentemente neste contexto: os especialistas falam, por exemplo, em “compostos orgânicos voláteis” quando se referem a gases libertados por tintas, colas ou plásticos. É precisamente este grupo de substâncias que muitas plantas de interior conseguem degradar particularmente bem. Se a isso se juntar arejamento regular e um uso mais parcimonioso de produtos de limpeza agressivos, qualquer casa pode reduzir de forma clara a exposição diária.
Quem vai montar uma casa nova ou renovar o espaço faz bem em pensar logo em companheiros verdes adequados. Custam pouco, trabalham em silêncio, dão cor aos cantos cinzentos - e fazem com que a diferença entre um ar “razoável” e um ar verdadeiramente agradável seja, muitas vezes, maior do que se espera à primeira vista.
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