Muitos jardineiros amadores conhecem bem este drama: a florada das cerejeiras está maravilhosa, depois chega uma noite de geada ou uma chuva persistente - e a colheita perde-se. Uma cerejeira que aguente melhor o frio, a humidade e as mudanças bruscas do tempo, ao mesmo tempo que produz em abundância, parece quase boa demais para ser verdade. Mas essa variedade existe mesmo - e foi selecionada na Alemanha já no século XIX.
A variedade chama-se ‘Gigante de Hedelfingen’. Foi criada por volta de 1850 em Hedelfingen, perto de Estugarda, e pertence às cerejas-doces (Prunus avium). Em condições normais, a árvore atinge quatro a seis metros de altura e cerca de três a cinco metros de largura. Tem um crescimento de vigor médio, com ramos principais eretos e ramos de frutificação ligeiramente arqueados para baixo.
A partir de meados de julho, os frutos mais característicos ficam bem visíveis na árvore: cerejas grandes, de cor vermelho-escura até quase preta, com polpa firme, estaladiça e muito sumarenta. O sabor é doce, com um ligeiro toque aromático, como se encontra nas variedades antigas. Estas cerejas servem para:
- comer diretamente da árvore,
- preparar tartes de cereja clássicas e variações de clafoutis,
- fazer compota, doce e fruta em conserva,
- produzir sumo e, para profissionais, aguardente de cereja.
Uma única árvore pode abastecer uma família todos os anos com cestos cheios de cerejas - e isso sem cuidados complicados.
O que torna esta cerejeira tão fiável
A grande vantagem desta variedade está na forma como frutifica. A árvore forma os chamados cachos de maio: pequenos grupos de gomos florais que ficam reunidos em rebentos curtos. Estes cachos mantêm a capacidade de dar fruto durante vários anos, muitas vezes cerca de quatro anos no mesmo local.
Isto traz duas consequências que os jardineiros apreciam muito:
- Produção estável nos mesmos ramos: os mesmos ramos dão boas colheitas durante várias épocas seguidas.
- Menos trabalho de poda: em geral, basta abrir ligeiramente a copa, em vez de fazer todos os anos uma poda complexa da madeira de frutificação.
Há, no entanto, um ponto essencial: quem arranca os frutos com demasiada força acaba muitas vezes por levar também partes dos cachos de maio presas aos pedúnculos. Nessa situação, os cachos ficam danificados e o ramo produz menos cerejas nos anos seguintes.
Por isso, o conselho mais importante na colheita desta variedade é simples: apanhar com cuidado - de preferência com o pedúnculo e sem puxar pelos cachos.
Resistente à geada até -15 °C e com floração tardia
A robustez climática é uma das razões que tornam a cerejeira ‘Gigante de Hedelfingen’ tão interessante. A própria árvore suporta temperaturas próximas de -15 graus e, em muitas zonas, até um pouco mais baixas, desde que o local seja adequado. Para os jardineiros amadores, porém, a floração relativamente tardia é ainda mais importante.
Consoante a região, a cerejeira abre as flores do fim de março até ao mês de abril. Em zonas mais frias, esse período atrasa-se ainda mais. Floração tardia significa que os botões florais característicos da variedade muitas vezes escapam às noites frias de março, quando muitas outras cerejeiras já estão em plena flor e acabam por gelar.
Floração tardia somada à resistência ao frio da madeira faz com que a árvore continue a formar frutos mesmo em primaveras difíceis.
Além disso, a variedade costuma tolerar bem as oscilações do verão. Aguaceiros fortes em julho fazem com que os frutos rachem menos depressa do que acontece em cerejas-doces mais sensíveis. Quem já viu árvores inteiras cobertas de cerejas rebentadas depois de uma trovoada sabe bem quanta frustração isto evita.
Uma aliada valiosa para outras variedades de cereja
A cerejeira ‘Gigante de Hedelfingen’ não produz apenas muita fruta por si própria; também ajuda as árvores vizinhas. As suas flores surgem em grande quantidade e oferecem às abelhas muito néctar e pólen. Por isso, no jardim, funciona quase como um “superfornecedor” de pólen para outras cerejas-doces.
Entre as variedades que normalmente beneficiam da sua presença estão, por exemplo:
- ‘Burlat’ (cereja-doce precoce),
- ‘Napoleon’ (cereja de polpa clara, amarelo-avermelhada),
- ‘Moreau’,
- ‘Van’.
Se estas variedades estiverem ao alcance do voo das abelhas - de forma geral, até cerca de 30 a 40 metros - a probabilidade de uma boa polinização aumenta bastante. Quem planear o jardim de forma inteligente pode combinar a ‘Gigante de Hedelfingen’ com uma ou duas outras variedades de maturação ligeiramente diferente. Assim, a época das cerejas prolonga-se no próprio jardim por várias semanas.
Como plantar corretamente a cerejeira resistente à geada
A melhor época de plantação vai de novembro a março, desde que o solo não esteja gelado. Muitos jardineiros preferem o fim do inverno ou o início da primavera, quando a terra já não está encharcada.
O local ideal para a cerejeira ‘Gigante de Hedelfingen’
Esta variedade adora sol. Um local virado a sul ou sudoeste, de preferência protegido do vento e sem acumulação de água, dá os melhores resultados. O solo deve ser:
- profundo e solto,
- de textura mais argilosa ou arenoso-argilosa,
- bem drenado,
- com pH neutro.
Para começar, recomenda-se uma cova de plantação com cerca de 60 x 60 centímetros, onde o solo deve ser bem mobilizado. A terra retirada mistura-se com composto bem maturado, nunca com estrume fresco. Depois de plantar, rega-se bem a árvore e cobre-se a zona das raízes com uma camada de cobertura morta - por exemplo, casca triturada ou relva cortada.
Escolha do porta-enxerto
O porta-enxerto determina sobretudo o vigor do crescimento:
- Porta-enxerto vigoroso (por exemplo, cerejeira-brava): árvore grande e duradoura, adequada para pomares tradicionais e jardins muito amplos.
- Porta-enxertos menos vigorosos: limitam a altura, tornam a copa mais acessível e são a melhor opção para jardins domésticos.
Em jardins mais pequenos, compensa escolher um porta-enxerto de menor vigor com formação em meio-caule ou arbusto. Assim, a colheita fica ao alcance da mão, sem necessidade de escada, o que é uma vantagem importante para crianças e pessoas mais velhas.
Cuidados: poucas intervenções, grande efeito
Nos primeiros anos após a plantação, a árvore precisa de água com regularidade, sobretudo em primaveras e verões secos. Uma camada estável de cobertura morta ajuda a conservar a humidade no solo durante mais tempo. Uma vez por ano, de preferência no fim do inverno, chega normalmente uma aplicação de composto bem decomposto à volta do tronco para nutrir a árvore.
Na poda, na maioria dos casos basta abrir ligeiramente a copa, remover ramos que crescem para dentro ou que se cruzam e retirar com cuidado as partes mais velhas e já muito esgotadas pela frutificação. Devem evitar-se cortes drásticos, porque só promovem rebentos de água e enfraquecem a árvore.
Aqui, menos é mais: podas ligeiras de manutenção e colheita cuidadosa preservam os cachos de maio e, com isso, a produção.
Menos tratamentos, mais pontos ecológicos
A variedade é considerada relativamente resistente a muitas das doenças típicas da cerejeira. Não é especialmente propensa ao apodrecimento dos frutos e, em condições normais, mostra pouca suscetibilidade a doenças foliares. Problemas nunca são totalmente excluídos - verões húmidos também podem favorecer a monília ou manchas nas folhas. Ainda assim, esta variedade adapta-se muito bem a jardins de gestão mais natural, onde se pretende usar o mínimo possível de produtos fitofarmacêuticos.
Quem, além disso, criar um ambiente rico em espécies - por exemplo, com faixas de flores, hotéis para insetos, sebes e locais de nidificação para aves - constrói uma proteção natural. Muitos parasitas acabam então controlados pelos auxiliares benéficos antes de causarem danos maiores.
Dicas práticas e erros frequentes com esta variedade
Alguns pontos facilitam bastante o arranque:
- Não plantar em solo demasiado húmido: em depressões com água acumulada, as cerejeiras tornam-se rapidamente vulneráveis a problemas nas raízes.
- Regar durante os dois primeiros anos: mesmo sendo uma variedade robusta mais tarde, uma árvore jovem precisa de regas regulares.
- Colher com o pedúnculo: isso protege os cachos de maio e prolonga a conservação dos frutos.
- Rede contra os pássaros: quando os frutos começam a ganhar cor, uma rede de malha larga pode salvar colheitas inteiras.
Quem tiver estes pontos em conta tem boas hipóteses de levar para casa cestos cheios de cerejas, mesmo em anos com geada tardia ou chuva intensa. Muitos jardins no espaço de língua alemã poderiam beneficiar desta variedade antiga - ela é apenas oferecida com pouca frequência e é simplesmente desconhecida para muitos jardineiros amadores mais novos.
Vale a pena consultar viveiros regionais ou listas de variedades de pomares tradicionais. A cerejeira ‘Gigante de Hedelfingen’ ainda surge lá com frequência, por vezes sob um nome ligeiramente diferente. Quem escolher de forma consciente este clássico leva para o jardim uma peça da história da fruticultura - e torna-se mais independente do tempo do que se espera de uma cerejeira-doce.
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