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A Parker Solar Probe detetou comportamento diferente de protões e iões pesados durante o reconexão magnética no Sol.

Ilustração de uma sonda espacial a aproximar-se do Sol, com partículas azuis emitidas em direção à estrela.

Os dados da sonda mostram que as partículas do vento solar aceleram por mecanismos diferentes, tornando mais complexos a reconexão magnética e o clima espacial

Um estudo realizado por cientistas do Southwest Research Institute (SwRI) concluiu que os protões e os iões pesados não respondem da mesma forma aos episódios de reconexão magnética no Sol. A descoberta revela um mecanismo mais intricado do “motor magnético” que alimenta o vento solar. A reconexão magnética converte energia magnética em energia cinética, desencadeando fenómenos no Sol e impulsionando o clima espacial que afeta a Terra.

Durante muito tempo, pensou-se que todas as partículas reagiam do mesmo modo, mas os dados recolhidos pela sonda Parker Solar Probe da NASA mostraram diferenças claras na forma como as partículas são aceleradas. Os iões pesados seguem trajetórias mais diretas, enquanto os protões geram ondas que dispersam as partículas seguintes numa distribuição mais difusa.

“Os novos dados alteram a forma como entendemos a reconexão. Os protões e os iões pesados mostram espectros diferentes, o que contradiz os modelos atuais. Os protões geram ondas que os dispersam de forma mais eficiente, ao passo que os iões pesados preservam a forma do espectro acelerado”, afirmou o doutor Mihir Desai, do SwRI, autor principal do estudo.

A reconexão magnética é um fenómeno universal em que as linhas do campo magnético se aproximam, se partem e voltam a ligar-se. No Sol, este processo acelera partículas e cria fluxos de elevada velocidade, moldando o clima espacial, como as erupções solares e as ejeções de massa coronal. Estes eventos podem provocar perturbações nas redes elétricas, nos sistemas de comunicação por satélite e na navegação. Compreender o mecanismo da reconexão magnética é essencial para prever acontecimentos perigosos na Terra e no espaço.

“É extraordinariamente empolgante, porque mostra que o nosso Sol funciona como um laboratório local para estudar física de alta energia, como a aceleração de partículas e a reconexão magnética, que estão na base dos fenómenos mais poderosos e enigmáticos do Universo, desde buracos negros a supernovas”, acrescentou Desai.

A Parker Solar Probe, que opera a uma distância recorde do Sol, recolhe três vezes por ano dados únicos enquanto atravessa a coroa. Desenvolvida no âmbito do programa da NASA “Viver com uma estrela” (Living With a Star), a sonda investiga aspetos do sistema Sol-Terra que influenciam diretamente a vida no planeta.

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