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O maior cluster de computação orbital entrou em funcionamento.

Homem a interagir com globo terrestre digital holográfico, satélites visíveis ao fundo.

A rede de satélites com GPU da Kepler Communications: os primeiros clientes já testam o processamento de dados no espaço

A maior plataforma de computação até agora em órbita já entrou em funcionamento, tendo sido criada pela empresa canadiana Kepler Communications. O sistema integra cerca de 40 processadores Nvidia Orin, instalados em 10 satélites e ligados entre si por comunicação laser.

Trata-se de um dos primeiros passos concretos rumo a uma infraestrutura de computação em órbita - uma ideia amplamente debatida, mas que continua numa fase inicial. De acordo com as estimativas, os centros de dados espaciais em grande escala, como aqueles de que falam a SpaceX e a Blue Origin, só deverão surgir a partir da década de 2030.

Por agora, o mercado está a consolidar-se em torno de uma tarefa mais prática: processar dados diretamente no espaço. Falamos da abordagem de edge computing, na qual a informação é tratada no mesmo local onde é recolhida, algo especialmente relevante para sensores de satélite.

Neste momento, a Kepler Communications já conta com 18 clientes. O novo parceiro - a startup Sophia Space - quer testar o seu software em órbita. A empresa vai carregar o seu próprio sistema operativo para um dos satélites e tentar implementá-lo logo em seis GPU distribuídas por dois aparelhos. Operações deste tipo são comuns na Terra, mas no espaço serão executadas pela primeira vez.

O principal desafio para escalar estes sistemas continua a ser o arrefecimento. A Sophia está a desenvolver computadores com arrefecimento passivo, que dispensam sistemas pesados e energeticamente exigentes de dissipação térmica. Isso poderá tornar-se um fator decisivo para os futuros centros de dados em órbita.

Na Kepler Communications sublinham que não pretendem tornar-se um «centro de dados espacial» no sentido clássico. O objetivo da empresa é construir uma camada de infraestrutura: uma rede que permita a outros satélites, drones e até aviões transmitir e processar dados.

À medida que o mercado evoluir, a empresa espera ligar satélites de terceiros e assumir o processamento de dados provenientes de sensores de elevado consumo energético, como os radares de abertura sintética. Isto é particularmente importante para tarefas governamentais, incluindo sistemas de deteção precoce.

A abordagem atual distingue-se da estratégia dos grandes intervenientes: em vez de computação centralizada de grande potência, aposta-se em GPU distribuídas, que funcionam continuamente e tratam os dados «no local».

Também podem contribuir para o interesse pela computação espacial as restrições à construção de centros de dados na Terra. Em vários estados dos EUA, estas medidas já estão a ser discutidas, o que pode aumentar a atratividade das soluções em órbita.

Neste momento, a tecnologia ainda se encontra numa fase de experiências iniciais. Mas, se estes sistemas provarem a sua fiabilidade no espaço, o desenvolvimento da infraestrutura poderá acelerar de forma significativa.

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