Sim, é possível.
Muitos jardineiros amadores desistem, frustrados, dos cantos sombrios e, no máximo, colocam lá um vaso com fetos. No entanto, precisamente estas zonas mais frescas podem transformar-se em apontamentos surpreendentemente coloridos, se escolheres de propósito plantas que gostam de sombra e florescem durante meses.
Quanta sombra é, na realidade?
Antes de entrarem novas plantas, vale a pena observar com atenção as condições de luz. Sombra não é tudo igual. Uma varanda virada a norte, que recebe alguma luz difusa de manhã, oferece oportunidades diferentes das do solo mesmo por baixo de uma faia velha.
- Meia-sombra luminosa: algumas horas de sol de manhã ou ao fim da tarde, com muita luz indireta.
- Sombra densa: quase sem sol direto, por exemplo debaixo de árvores ou junto a paredes da casa.
- Luz variável: ora clara, ora escura, por exemplo sob vegetação mais aberta.
Quanto mais fechada for a sombra, mais importante é recorrer a espécies que, por natureza, crescem no sub-bosque. Nas zonas mais claras, muitas vivazes clássicas de canteiro também se adaptam, desde que o solo não seque.
O solo certo para flores de longa duração
As zonas de sombra parecem muitas vezes húmidas, mas por vezes só estão húmidas à superfície e, logo abaixo, estão completamente secas - sobretudo junto à casa ou sob árvores. Aqui, é o solo que determina se os períodos de floração prometidos, de junho a setembro, são mesmo cumpridos.
- Incorpora composto para deixar o solo solto e rico em nutrientes.
- Faz cobertura morta com folhas secas ou estilha de madeira para conservar a humidade.
- Evita o encharcamento: a água tem de conseguir escoar, sobretudo em vasos.
Um solo rico em húmus, ligeiramente húmido, mas nunca “lamacento”, é a base para um verão inteiro de flores de sombra.
Sete plantas de sombra que aguentam quase todo o verão
Com uma combinação bem pensada de anuais e vivazes resistentes, o canteiro na sombra mantém-se não só verde, mas também colorido durante meses. Estas sete espécies são consideradas especialmente fiáveis.
Impatiens: cores intensas para vasos e floreiras
As impatiens são um clássico para floreiras de varanda com pouca luz. Florescem sem parar de junho até à primeira geada, desde que a zona das raízes nunca seque por completo.
- Ideais para uma varanda virada a norte, uma entrada de casa ou o peitoril de uma janela sombria.
- Não toleram sol forte do meio-dia, mas adaptam-se bem a plantação densa em floreira.
- Regar com regularidade e aplicar um adubo ligeiro de quinze em quinze dias.
Begónias tuberosas: cortina de flores para cantos escuros
As begónias tuberosas apreciam sombra densa, por exemplo em varandas protegidas, cestos suspensos ou vasos no lado norte da casa.
Produzem flores grandes, muitas vezes dobradas, de junho até setembro. Quem pré-cultivar os tubérculos na primavera obtém flores mais cedo e plantas mais compactas.
Fúcsias: campainhas suspensas até ao outono
As fúcsias ficam especialmente bem em cestos suspensos ou em vasos altos, cujos ramos podem pendurar-se livremente para fora da borda. As suas flores bicolores dão um toque lúdico e quase exótico à sombra.
Com uma combinação de fúcsias em cestos suspensos e begónias tuberosas na floreira da varanda, uma varanda virada a norte ganha o ambiente de uma pérgula em flor.
Astilbes: nuvens rendilhadas em segundo plano
As astilbes são vivazes de vários anos com inflorescências finas, semelhantes a plumas. Preferem locais frescos, em meia-sombra, com solo uniformemente húmido.
- Floração do final de maio até ao pico do verão.
- Ideais como planta de fundo em canteiros de sombra.
- Cores do branco ao rosa e ao vermelho-escuro.
Almofadas com campainhas: campânula-dos-Cárpatos
A campânula-dos-Cárpatos forma almofadas baixas e cobre-as com inúmeras campainhas azuis ou brancas. Em meia-sombra luminosa, floresce de maio até ao final do verão.
Adapta-se bem às bordas de escadas, aos topos de muros ou à frente de um canteiro de vivazes na sombra.
Gerânio vivaz: floração contínua em meia-sombra
Algumas variedades de gerânio vivaz, por exemplo com flores azul-violeta, conseguem florescer quase durante todo o verão. Crescem em tufos, mantêm-se relativamente baixas e cobrem de forma fiável as áreas de solo abertas.
Particularmente útil: estas vivazes abafam muitas ervas daninhas e suportam bastante bem a pressão das raízes de arbustos e árvores.
Tiarela: tapete florido no sub-bosque
As tiarela são coberturas de solo com hastes florais delicadas e folhas com desenhos atraentes. Sentem-se bem em zonas de sombra frescas e ricas em húmus, por exemplo sob arbustos ou árvores.
Quem combinar tiarela com gerânio vivaz obtém um tapete floral vivo, que mostra estrutura desde a primavera até ao outono.
Como combinar as plantas de forma inteligente
Sombra sob árvores: tapete florido em vez de terra nua
A área mesmo por baixo das árvores é considerada difícil: pressão das raízes, pouca luz e, muitas vezes, solo seco. Com a mistura certa, também aí se pode criar um tapete colorido.
- Tiarela e gerânio vivaz como base contínua.
- Astilbes ao fundo ou entre o tronco e a borda do canteiro para dar altura.
- Campânula-dos-Cárpatos na periferia para um acabamento leve.
Na primavera, trabalha o solo com composto maduro e, depois disso, fertiliza apenas de vez em quando - normalmente não é preciso mais manutenção nesta zona.
Varanda virada a norte: parede florida em vez de betão cinzento
Numa varanda sem sol direto, os cestos suspensos e as floreiras destacam-se especialmente. Uma disposição possível é a seguinte:
- Em cima: fúcsias em cestos suspensos, para que as flores caiam livremente.
- À frente: floreiras com begónias tuberosas, plantadas de forma densa para criar uma “cortina de flores”.
- No corrimão: impatiens em floreiras alongadas para uma faixa de cor contínua.
Um ritmo regular de rega, uma poda leve dos rebentos demasiado longos e a remoção das flores murchas mantêm as plantas em forma durante todo o verão.
Cuidados práticos para que as flores de sombra resistam mesmo
Muitas variedades são, em princípio, robustas. Ainda assim, a floração prolongada depende de algumas rotinas simples, mas aplicadas com consistência:
- Regar corretamente: melhor com regularidade e em pequenas quantidades do que raramente e em excesso.
- Fazer cobertura morta: folhas secas ou pedaços de casca mantêm o solo fresco e evitam que seque em demasia.
- Retirar flores murchas: especialmente nas impatiens, begónias e fúcsias, isto estimula a formação de novos botões.
- Adubar com moderação: de duas em duas ou de três em três semanas, com adubo líquido na água de rega, sem exagerar.
Com alguns gestos fixos por semana, um local sombrio e apagado transforma-se numa zona colorida que os visitantes reparam primeiro.
Porque é que os canteiros de sombra podem até ser uma vantagem
As zonas de sombra têm uma vantagem decisiva: as plantas sofrem menos com as ondas de calor. Enquanto os canteiros ao sol muitas vezes ficam abatidos no auge do verão, as fúcsias, as begónias e companhia mantêm-se surpreendentemente frescas em locais mais frescos.
Além disso, quem usa várias zonas no jardim ou na varanda distribui o risco. Se uma espécie que gosta de sol falhar num ano extremo, as vivazes de sombra mais duradouras salvam visualmente o conjunto.
Ideias práticas para espaços pequenos
Até varandas urbanas minúsculas ou corredores laterais estreitos junto à casa oferecem possibilidades. Vasos estreitos e altos com astilbes, à frente cestos suspensos com fúcsias e alguns recipientes com impatiens bastam para concentrar numa área de um metro quadrado uma quantidade surpreendente de flores.
Quem quiser pode combinar diferentes texturas de folha: as folhas finas e rendilhadas da astilbe, as folhas arredondadas das impatiens, e entre elas tiarela com folhagem desenhada. Assim cria-se uma imagem viva que continua apelativa mesmo sem flores - e que no verão ganha ainda mais intensidade.
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