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Toyota apresenta em Bruxelas a sua visão para o futuro: eletrificação, combustão e hidrogénio

Carro elétrico branco Toyota Future estacionado em sala de exposição moderna com chão brilhante.

À primeira vista, podia parecer uma provocação à Europa. Ainda assim, a Toyota voltou a escolher Bruxelas - o epicentro das decisões europeias - para divulgar a sua estratégia para o futuro no Fórum Kenshiki 2025. A marca japonesa mostrou um plano fortemente orientado para a eletrificação, mas sem abdicar dos motores de combustão.

Os responsáveis da Toyota garantem, porém, que não há qualquer intenção de desafiar a Europa. “Somos uma marca global e temos de pensar e oferecer soluções para todos”, afirmou Shinichi Yasui, vice-presidente da divisão europeia da Toyota, à Razão Automóvel, sublinhando que “77% dos veículos Toyota vendidos na Europa são produzidos na Europa”.

Foi com essa presença global e com a ideia de “mobilidade para todos” - talvez a expressão mais repetida pelos responsáveis japoneses - que a marca apresentou o seu plano. No vídeo em destaque, resumem-se as principais novidades.

Toyota em Bruxelas: ofensiva elétrica com três modelos

Nos próximos dois anos, a Toyota vai lançar seis modelos 100% elétricos, e o primeiro trio foi mostrado neste Fórum Kenshiki: Toyota Urban Cruiser, bZ4X e C-HR+. Já no próximo ano, chegarão mais novidades, repartidas entre a Toyota e a Lexus, a marca de luxo do grupo japonês.

Entre os três modelos apresentados, o que mais atenção despertou foi o C-HR+, que anuncia mais de 600 quilómetros de autonomia. Já o Urban Cruiser foi apresentado como o elétrico mais acessível da gama. Os preços ainda não foram revelados, mas nas versões de entrada não deverão ultrapassar os 32 mil euros, com IVA incluído.

Num mercado europeu em que a transição energética avança a ritmos diferentes de país para país, esta ofensiva elétrica mostra a intenção da Toyota de cobrir vários perfis de utilização. A marca quer chegar tanto a quem procura um primeiro elétrico para o dia a dia como a quem precisa de maior autonomia para viagens mais longas.

Combustão, sim, mas com menos emissões

A mensagem da Toyota não é nova: para a marca, o verdadeiro problema não são os motores de combustão, mas sim os gases com efeito de estufa. “O mais importante é alcançarmos a neutralidade carbónica” e, para isso, “contamos com todas as tecnologias”, afirmou Shinichi Yasui à Razão Automóvel.

Partindo dessa premissa, a marca voltou a falar da evolução da sua nova família de motores de combustão, bem como dos progressos no desenvolvimento de combustíveis sintéticos. Todos os detalhes podem ser vistos no vídeo em destaque.

Esta abordagem reforça a ideia de que a descarbonização não depende de uma única solução. Para a Toyota, a combinação entre várias tecnologias continua a ser a forma mais eficaz de responder às diferentes necessidades de mobilidade, seja em contexto urbano, em autoestrada ou em aplicações profissionais.

Toyota aposta no hidrogénio

É uma das tecnologias em que as incertezas continuam a ser maiores do que as certezas. Os desafios de produção, armazenamento e transporte do hidrogénio ainda não foram totalmente resolvidos. Apesar disso, a Toyota mantém firme o seu compromisso com esta solução.

Neste Fórum Kenshiki, a marca apresentou uma nova geração de pilha de combustível a hidrogénio, 50% mais barata, 25% mais eficiente e também mais potente. A fabricante japonesa afirma ainda que esta nova geração pode atingir mais de um milhão de quilómetros de durabilidade sem manutenção.

Na Europa, a Toyota espera que o plano AFIR, que prevê a criação de corredores de abastecimento no território europeu a cada 150 quilómetros, possa acelerar a adoção desta tecnologia, sobretudo no transporte de mercadorias.

Para a marca, o hidrogénio continua a ter potencial em segmentos onde o tempo de abastecimento e a autonomia operacional são críticos. A sua viabilidade dependerá, no entanto, não só da evolução tecnológica, mas também da criação de uma rede de abastecimento mais ampla e consistente.

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