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O bicarbonato de sódio que elimina o cheiro dos ténis durante a noite

Pessoa a polvilhar pó branco em ténis cinzentos numa cozinha com caixa de bicarbonato ao lado.

Há sprays que prometem pinhais a perder de vista e brisas do oceano. Dois dias depois, o mau cheiro volta, teimoso e já conhecido. A solução mais discreta está escondida na despensa. Custa pouco, não enche a casa de fragrância e actua enquanto dorme. É o tipo de básico do dia a dia que os nossos avós usavam sem precisar de validação digital.

Era tarde, numa daquelas noites de semana em que tudo parece arrastar-se. Tirei os ténis junto à porta, e a minha companheira levantou uma sobrancelha com a elegância de um gato. O cheiro chegou antes de os sapatos tocarem no chão. Abri uma janela, depois o frigorífico por instinto, e por fim o armário onde ficam os ingredientes da pastelaria. Lá fora, a cidade murmurava; cá dentro, o corredor parecia um ecossistema à parte. Todos nós já tivemos aquele momento em que pensamos em deitar os ténis fora por puro despeito. No meu caso, começou com uma colher.

O pó modesto de bicarbonato de sódio que supera os grandes sprays

Há uma razão para padeiros e caminhantes de mochila jurarem pelo bicarbonato de sódio simples. Ele não combate o cheiro com perfume; muda as regras do jogo. Os sapatos acumulam suor, pele e os microrganismos minúsculos que adoram ambos. Os sprays cobrem essa mistura com uma camada de aroma e dão o assunto por encerrado. O bicarbonato entra em cena e acalma a festa ácida que esses micróbios montam. Quando a química abranda, o cheiro baixa o tom. Não há drama. Funciona apenas durante a noite.

A minha colega Margarida corre antes de amanhecer e deixa o equipamento junto à porta traseira. O treinador da maratona dela consegue citar tempos ao segundo, mas nem ele consegue vencer a humidade de Agosto num apartamento citadino. Num sábado, a Margarida deitou um pouco de pó em dois filtros de café de papel, atou-os com fio de cozinha e colocou-os dentro dos ténis. Ao pequeno-almoço do dia seguinte, a nota agressiva - aquela que diz “agora moro aqui” - tinha desaparecido. Os pés podem libertar cerca de 0,28 litros de suor num dia, o que parece exagero até cheirar as chuteiras de um adolescente em Julho. O pó não discutiu. Absorveu, neutralizou e deixou silêncio.

Há ainda um pormenor útil: se os sapatos tiverem palmilhas removíveis, retire-as antes de começar. Assim, o interior seca mais depressa e o tratamento do bicarbonato de sódio rende melhor. E quando os ténis ficam mais tempo sem uso depois do treino, o efeito melhora muito, porque a humidade é metade do problema.

Aqui está a lógica. Grande parte do odor dos sapatos vem de ácidos voláteis e compostos sulfurados criados por bactérias que se alimentam do suor. O bicarbonato de sódio, protagonista desta solução, funciona como tampão da acidez e também ajuda a absorver a humidade. Quando o pH muda, muitas das moléculas responsáveis pelo cheiro deixam de ser voláteis. Já não saem do sapato para o nariz; ficam quietas. Muitos sprays apostam no álcool e na fragrância. Evaporam depressa e acrescentam um aroma de que talvez goste durante algum tempo. O cheiro que quer eliminar continua lá, a vibrar por baixo do perfume. Um disfarça; o outro limpa.

Como desodorizAR os ténis durante a noite com uma solução da despensa

Pegue em dois filtros de café ou em duas meias finas de que não goste especialmente. Coloque duas ou três colheres de sopa de bicarbonato de sódio em cada um, junte uma gota de óleo de limão ou de árvore-do-chá se quiser apenas um ligeiro toque aromático, e feche-os bem. Introduza um saquinho em cada sapato e deixe-os num local seco. Entre oito e doze horas é o intervalo ideal. De manhã, retire os saquinhos, bata ligeiramente nos sapatos para soltar qualquer pó e deixe-os arejar durante cinco minutos. Aquele cheiro suave, quase inexistente, que sobra? É essa a vitória.

Se os ténis tiverem uma palmilha amovível, tire-a e deixe-a também a secar separadamente. Muitas vezes, é nela que o cheiro se prende com mais força. Se a palmilha for lavável, uma lavagem suave, seguida de secagem completa ao ar, reforça ainda mais o resultado.

Há um pequeno aviso: resista à vontade de deitar o pó directamente para dentro do sapato. Sim, isso resulta, mas depois terá de lidar com marcas esbranquiçadas nas palmilhas escuras e na camurça. Se só tiver bicarbonato solto, espalhe um pouco sobre uma folha de papel de cozinha, dobre-a e coloque-a lá dentro como se fosse um pequeno embrulho. Não faça isto com sapatos húmidos; primeiro, seque-os rapidamente com jornal. O couro também não aprecia ficar coberto de qualquer coisa, por isso mantenha o pó contido. Sejamos sinceros: ninguém faz isto todos os dias. Esta rotina serve para as noites em que se lembra - e é tolerante quando se esquece.

Não vale a pena complicar. Nas palavras de um veterano dono de uma sapataria que encontrei numa terça-feira chuvosa:

“As pessoas gastam mais em sprays do que no próprio par de ténis. Duas colheres de bicarbonato fazem mais até à manhã seguinte do que a maioria das latas consegue fazer numa semana.”

Se quiser um guia curtinho para colar no interior do armário, aqui vai:

  • Use saquinhos de papel de filtro ou meias para evitar resíduos.
  • Deixe-os actuar durante pelo menos 8 horas; após treinos mais puxados, deixe mais tempo.
  • Renove os saquinhos todas as semanas; o pó também se esgota.
  • Vá alternando os pares; o tempo de secagem é metade da batalha.

Ténis frescos, manhãs mais tranquilas

Há qualquer coisa de quase cómico na forma silenciosa como o resultado aparece. Não há grande revelação. Não há uma nuvem perfumada a anunciar a sua presença no corredor. Só há sapatos que cheiram, bem, a nada. Esse vazio é uma espécie de luxo. Simplifica a rotina matinal. Faz com que não pense nos pés no comboio nem debaixo da mesa de uma sala de reuniões. Permite-lhe entrar em casa de um amigo, tirar os sapatos e conversar sobre outros assuntos.

Se vive com crianças, adolescentes ou faz exercício com frequência, este método ganha ainda mais valor. Os pés transpiram mais no verão, depois de treinos intensos ou em dias longos de trabalho em que quase não se pára. Por isso, criar o hábito de alternar pares e deixá-los arejar numa zona ventilada evita que o cheiro se instale. Juntando isso ao bicarbonato de sódio, o resultado torna-se muito mais estável.

Ponto-chave Detalhe Interesse para o leitor
O poder da despensa supera o perfume O bicarbonato de sódio reduz o odor ao neutralizar ácidos e absorver humidade Ténis mais frescos sem mascarar cheiros que desaparecem depressa
Rotina nocturna Dois saquinhos, 8 a 12 horas, sem resíduos quando o pó está contido Hábito simples que cabe em agendas preenchidas
Amigo da carteira Custa cêntimos por utilização, em vez de euros em sprays especializados Poupa dinheiro enquanto obtém melhores resultados

Perguntas frequentes sobre bicarbonato de sódio e desodorização de ténis

Posso usar bicarbonato de sódio em sapatos de couro ou camurça?
Sim, mas mantenha-o sempre dentro de um saquinho. Não espalhe o pó directamente sobre camurça ou couro acabado, porque pode deixar marcas. Use filtros ou meias e retire-os com cuidado.

Quanto tempo devo deixar os saquinhos lá dentro?
O ideal é durante a noite - entre 8 e 12 horas. Para odores intensos depois de desporto ou chuva, pode deixá-los durante 24 horas e arejar os sapatos depois.

O bicarbonato de sódio pode estragar as palmilhas ou irritar a pele?
Quando está dentro de uma bolsa, não toca na pele e não danifica as palmilhas. O pó solto pode secar os materiais se for usado em excesso, por isso o saquinho é a opção mais segura.

E se o cheiro voltar rapidamente?
O odor costuma reaparecer quando os sapatos ficam húmidos. Alterne os pares, retire as palmilhas amovíveis para secar e use os saquinhos duas ou três noites por semana nos meses mais quentes.

Há alternativas se me faltar bicarbonato de sódio?
Borra de café seca, colocada num filtro, pode ajudar a atenuar o cheiro, e saquetas de chá preto absorvem parte do odor. São boas soluções de recurso, mas os resultados não são tão consistentes como com bicarbonato de sódio.

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