Nos últimos dias, ficou a saber-se que o Exército dos Estados Unidos (US Army) recebeu o primeiro dos seus novos helicópteros não tripulados H-60Mx Black Hawk, assinalando mais um passo na modernização da sua frota aérea. A entrega ocorreu a 19 de março de 2026, em Fort Eustis, no estado da Virgínia, onde a aeronave foi apresentada como um sistema capaz de operar com ou sem piloto a bordo, numa aposta destinada a reforçar a segurança, a eficiência e a flexibilidade operacional.
O H-60Mx Black Hawk introduz o conceito de “veículo pilotado de forma ótima” (Optimally Piloted Vehicle, OPV), permitindo-lhe executar missões de forma autónoma ou sob supervisão remota a partir de estações terrestres. Este desenvolvimento resulta de mais de uma década de trabalho em tecnologias de voo autónomo impulsionadas pela Agência de Projetos de Investigação Avançada de Defesa (DARPA), em parceria com a Sikorsky, subsidiária da Lockheed Martin.
A origem desta capacidade remonta ao programa Sistema de Automatização do Trabalho da Tripulação na Cabina (Aircrew Labor In-Cockpit Automation System, ALIAS), cujo objetivo foi criar um kit removível que pudesse ser integrado em aeronaves já existentes para lhes dar elevados níveis de automatização. Esta abordagem procura simplificar o pilotagem, aumentar a segurança e permitir que as tripulações se concentrem em tarefas de missão de nível superior.
No caso do H-60Mx, o núcleo tecnológico é o sistema MATRIX, que funciona como um sistema avançado de controlo de voo e autonomia. Este sistema consegue gerir todas as fases do voo, desde a descolagem até à aterragem, atuando como um copiloto digital. Além disso, o kit OPV inclui um gestor de missão autónomo e um kit de desenvolvimento de software (SDK), que permite integrar sensores e aplicações de terceiros, facilitando a evolução contínua da plataforma.
Uma das alterações principais do helicóptero é a substituição dos comandos mecânicos tradicionais por um sistema eletrónico “fly-by-wire”. Esta tecnologia melhora a estabilidade da aeronave e facilita a sua operação em condições complexas, como ambientes de baixa visibilidade. Ao mesmo tempo, reduz a carga de trabalho dos pilotos ao automatizar manobras exigentes, permitindo uma maior concentração na execução da missão.
Nos próximos meses, pilotos de ensaio e engenheiros do Exército dos EUA vão submeter o H-60Mx a uma série de avaliações destinadas a validar o seu desempenho em cenários reais. Estes testes irão analisar tanto a capacidade de controlo remoto como o funcionamento autónomo em missões complexas, em linha com os objetivos do programa Facilitador Estratégico de Autonomia de Voo (Strategic Autonomy Flight Enabler, SAFE), que pretende desenvolver um sistema escalável aplicável a toda a frota de helicópteros Black Hawk.
Este avanço apoia-se em antecedentes recentes, como as demonstrações realizadas em 2022 no Campo de Testes de Yuma, durante o Projeto Convergence do Exército dos EUA, onde a Sikorsky e a DARPA testaram capacidades autónomas em helicópteros Black Hawk. Além disso, em 2025 a empresa apresentou o modelo S-70UAS U-Hawk, uma versão adaptada como drone de transporte autónomo, refletindo a tendência crescente para o uso de plataformas não tripuladas no campo de batalha.
*Imagens a título ilustrativo.
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