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No Natal: porque Warren Buffett deixou de dar dinheiro em numerário aos filhos?

Idoso ensina duas crianças sobre finanças com laptop, cadernos e garrafa de Coca-Cola numa mesa.

Algumas pessoas passam semanas a pensar em presentes de Natal à medida de cada familiar. Outras preferem a solução rápida: as tradicionais prendas em dinheiro. Warren Buffett, um dos investidores mais conhecidos do mundo, já seguiu esse caminho - até perceber que o dinheiro vivo que oferecia era gasto de forma impulsiva e sem grande ponderação.

Segundo recorda a Fortune, durante anos Buffett habituou-se a entregar, na época festiva, 10 000 dólares aos familiares, em notas de 100 dólares. O padrão repetia-se: mal saíam de casa, muitos acabavam por gastar rapidamente a quantia, sem grande critério. Esse comportamento desagradou ao CEO, que decidiu mudar a abordagem.

A sua nora, Mary, contou como tudo mudou num Natal específico: em vez do habitual envelope com dinheiro, encontraram uma carta. No lugar das notas, Buffett tinha oferecido acções no valor de 10 000 dólares de uma empresa que acabara de adquirir - uma participação ligada à Coca-Cola através de um fundo fiduciário. Na mensagem, deixava uma escolha simples: vender e levantar o valor ou guardar as acções.

A partir daí, Warren Buffett manteve a estratégia e passou a oferecer acções à família. A ideia acabou por influenciar a própria Mary, que continuou a comprar títulos seguindo o “faro” do sogro. Um exemplo foi a Wells Fargo, cuja capitalização bolsista foi crescendo ao longo dos anos, reforçando a percepção de que, em muitos casos, o tempo e a disciplina podem trabalhar a favor do investidor.

A estratégia de Warren Buffett: trocar dinheiro por acções (Coca-Cola e Wells Fargo)

Ao transformar uma prenda de curto prazo num activo com potencial de valorização, Buffett não estava apenas a “mudar o embrulho”. Na prática, incentivava um comportamento diferente: pensar em património, em longo prazo e em escolhas com consequências futuras, em vez de consumo imediato.

Este tipo de oferta também tem um lado pedagógico: quando alguém recebe acções, é quase inevitável que passe a prestar atenção a resultados, notícias do mercado, dividendos e decisões de manter ou vender. Para muitas famílias, é uma forma indirecta - mas eficaz - de introduzir literacia financeira e de criar hábitos de acompanhamento e planeamento.

Warren Buffett, um homem riquíssimo - e extremamente poupado

A decisão de substituir dinheiro por acções encaixa no perfil do próprio Buffett. Apesar da fortuna, é famoso por uma postura frugal que, por vezes, surpreende. Um dos exemplos mais citados é o seu gosto por refeições baratas, incluindo idas ao McDonald’s por cerca de 4 dólares.

Houve inclusive um episódio em Hong Kong em que Buffett foi a um restaurante de fast food com Bill Gates. Gates ficou espantado ao ver o amigo a pagar uma conta pequena usando cupões de desconto, algo que não combinava com a imagem típica de um multimilionário.

A mesma disciplina aplica-se à forma como vive. Buffett mora, desde 1958, na mesma casa com cinco quartos e duas casas de banho, comprada na altura por 31 500 dólares. Hoje estima-se que valha cerca de 1,3 milhões de dólares - ainda assim, muito abaixo do padrão de imóveis frequentemente associados aos grandes executivos norte-americanos.

E o próprio empresário já o afirmou com clareza: não a trocaria “por nada neste mundo”. Além do conforto, a casa está ligada às memórias de infância dos seus três filhos - um valor emocional que, para ele, não tem preço. Mais detalhes sobre este tema foram abordados num artigo anterior.

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