No contexto de uma reunião por videoconferência entre os ministros da Defesa dos dois países, a Suécia manteve conversações com a Ucrânia para preparar o caminho para uma eventual entrega de mísseis ar-ar MBDA Meteor, destinados a equipar os futuros caças Gripen E da Força Aérea Ucraniana, procurando assim disponibilizar uma “ferramenta-chave” para abater ameaças inimigas. Este ponto integra um pacote de assistência militar mais amplo, actualmente em discussão entre Kiev e Estocolmo, que ambas as partes classificaram como um dos mais relevantes enviados ao país que se defende da invasão russa.
Negociações Suécia–Ucrânia: Gripen E e mísseis MBDA Meteor
De acordo com o que foi divulgado pelo Ministério da Defesa da Ucrânia: “Além disso, durante a conversa (NdE: entre os ministros Mykhailo Fedorov e Pål Jonson) foram debatidas em detalhe as questões do componente de aviação, em particular a possibilidade de fornecer aeronaves Gripen e de transferir mísseis Meteor, que são ferramentas-chave para contrariar os aviões do inimigo.”
A conversa entre responsáveis também incluiu outros dossiês, nomeadamente propostas para avançar com produção conjunta de material, subvenções a actores industriais e a entrega de armamento para a defesa aérea no âmbito da iniciativa PURL.
Preparação ucraniana para a introdução dos Gripen E na Força Aérea Ucraniana
No que diz respeito, em particular, ao tema que se desenha como uma futura entrega de caças Gripen à Força Aérea da Ucrânia, importa recordar que Kiev anunciou no final de dezembro que pilotos e pessoal técnico já iniciaram o processo de treino, com o objectivo de acelerar a integração das aeronaves quando estas estiverem disponíveis.
De acordo com os relatos conhecidos até ao momento, o país pretende incorporar uma frota de 150 novos aviões de combate, reforçando uma força que actualmente dispõe de caças F-16 e Mirage 2000-5 provenientes de diferentes aliados ocidentais.
Um aspecto adicional frequentemente associado a este tipo de transição é a necessidade de garantir interoperabilidade: não só entre aeronaves de diferentes origens, mas também ao nível de ligações de dados, procedimentos de combate e coordenação com a defesa aérea em terra, para maximizar a eficácia operacional num teatro de operações exigente.
Paralelamente, a integração de mísseis MBDA Meteor implica trabalho técnico e logístico que vai além do simples fornecimento: são necessárias actividades de certificação, formação específica, planeamento de stocks e manutenção, bem como a adaptação de processos para assegurar disponibilidade e segurança no emprego do armamento ao longo do tempo.
Carta de Intenção e avaliação prévia do Gripen
Nesta linha, vale a pena assinalar que o Presidente Volodymyr Zelensky chegou a visitar território sueco no ano passado, ocasião em que assinou a correspondente Carta de Intenção para 150 caças Gripen, o que representou o primeiro passo formal no processo para que as aeronaves venham a chegar às mãos ucranianas.
Por essa altura, o aparelho já tinha ultrapassado a fase de avaliações prévias realizadas pela Força Aérea ucraniana, nas quais se destacou a sua capacidade para operar a partir de ambientes austeros e com custos de manutenção reduzidos, bem como a sua compatibilidade com um vasto leque de armamentos europeus e norte-americanos.
Saab, capacidade de produção e parcerias industriais
Entretanto, o fabricante Saab afirmou que as instalações de produção estariam prontas para avançar com o fabrico desta quantidade significativa de aeronaves, referindo igualmente que estavam a trabalhar no aumento do ritmo de produção, actualmente situado entre 20 e 30 aeronaves por ano.
Em complemento, foi indicado que a empresa estaria disponível para estabelecer novas alianças industriais tanto na Europa como no Canadá, para acelerar ainda mais o processo - sendo que, neste último caso, tal poderá influenciar a decisão de Ottawa quanto à modernização da sua própria frota de caças.
Imagens utilizadas a título ilustrativo.
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