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Ser vivo roxo na ISS fotografado a desenvolver ‘tentáculos’.

Astronauta na Estação Espacial segura batata decorada como polvo, com vista da Terra pela janela.

Uma forma de vida roxa e grotesca, com aspeto de “tentáculos”, foi fotografada a flutuar na Estação Espacial Internacional (EEI) e rapidamente incendiou as redes sociais.

A imagem foi partilhada na semana passada pelo astronauta da NASA Don Pettit, mostrando a estranha “criatura” a boiar no interior da estação.

“Parece um mímico a nascer de um ovo”, escreveu um utilizador no X, numa alusão aos monstros extraterrestres da famosa saga cinematográfica conhecida em Portugal por O Oitavo Passageiro. Outro comentário foi ainda mais dramático: “Destruam isso com fogo!”.

Afinal, o “organismo alienígena” era só uma batata roxa

Apesar do visual inquietante, a explicação é muito mais simples: tratava-se apenas de uma batata roxa.

Os supostos “tentáculos” eram, na verdade, rebentos (os chamados “olhos” da batata), a desenvolver-se à procura de um local onde pudesse enraizar e crescer. E aquela pequena mancha branca? Não era nada biológico - era apenas um pedaço de fita de velcro, usado para impedir que a batata flutuasse para fora do seu pequeno terrário.

Don Pettit e as “batatas do espaço” na EEI

A batata espacial, baptizada com o apelido Spudnik-1, é o resultado do tempo que Don Pettit dedica, fora de serviço, ao seu hobby de jardinagem a bordo da EEI.

Pettit é actualmente o astronauta activo mais velho da NASA e, durante a sua mais recente missão de longa duração em 2024 e 2025, decidiu apostar no cultivo de batatas.

Nos últimos dias, partilhou fotografias da colheita no Instagram, no X e no Reddit. No Reddit, o comentário com mais destaque resumia o espanto geral: “Santo… és mesmo um astronauta a publicar no r/gardening!!”.

“Há hobbies que combinam muito bem com a exploração espacial!”, respondeu Pettit. Outro utilizador brincou: “O tipo é astronauta e publica batatas espaciais como se toda a gente não estivesse a jardinar num planeta a sério”.

Cultivo hidroponónico: sem terra, com água e nutrientes

Nos comentários, Pettit acrescentou que cultivou as batatas de forma hidroponónica, ou seja, sem solo - as plantas cresceram em água enriquecida com nutrientes.

Ele conta ainda que, em missões anteriores na EEI, já cultivou amendoins, curgete, brócolos, girassóis, entre outras plantas. E houve até uma experiência particularmente improvável: uma vez conseguiu criar manjericão e plântulas de tomate usando… tampões para os ouvidos.

O interesse de Pettit por este tema não é novo. Há anos, manteve um blogue da NASA intitulado Diário de uma Curgete Espacial, onde relatava as suas experiências como “jardineiro” em órbita. Num excerto que circula, atribuído ao blogue entretanto removido, teria escrito: “Não há nada como o cheiro de verde vivo nesta floresta de maquinaria concebida por engenheiros”.

Porque é que cultivar plantas no espaço (e batatas) importa?

Além da curiosidade e do lado pessoal, pequenas experiências de cultivo na EEI ajudam a perceber como produzir alimentos em ambientes fechados, controlar contaminações e gerir recursos como água e nutrientes - conhecimentos úteis para missões mais longas e para habitats em locais remotos.

Há também um lado humano: cuidar de plantas pode melhorar o bem-estar e quebrar a monotonia num ambiente altamente técnico, onde quase tudo é metal, plástico e rotinas rígidas.

Batatas em órbita: uma tradição entre astronautas

Don Pettit integra uma longa lista de astronautas interessados em cultivar plantas no espaço - e as batatas são, há muito, uma das favoritas.

Tal como popularizou o livro e filme O Marciano, as batatas podem ser especialmente úteis em viagens espaciais por oferecerem elevado valor nutricional em relação à massa transportada.

As primeiras batatas foram cultivadas no espaço já em 1995 e, de forma surpreendente, o resultado foi muito semelhante ao das batatas cultivadas na Terra, mesmo após longos períodos em órbita.

Microgravidade: crescimento mais lento e (aparentemente) pouco efeito da radiação

Ainda assim, há diferenças importantes: ao contrário do que acontece na Terra, as batatas e outras plantas tendem a demorar mais tempo a amadurecer em microgravidade.

“Esse crescimento lento pode dever-se à atmosfera, à hidroponia, à microgravidade, etc. Ainda não consegui perceber, mas provavelmente é stress”, explicou Pettit no r/gardening.

E acrescentou uma nota relevante: “Não reparei em qualquer efeito da radiação nas batatas”.

Agora só faltava alguém ter inventado uma fritadeira para a EEI.

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